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FINANÇAS |
Quarta-feira, 03 de Setembro de
2003 |
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| DÓLAR
DELIVERY |
| O
que faz do pequeno banco Rendimento um dos maiores vendedores
de moedas estrangeiras no País |
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Paula
Pavon
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Melsohn
e Gasparian, da Cotação: Negócios
com 12 moedas, do won coreano ao shekel israelense e o dólar
neozelandês |
O executivo
Cesar Ades, 61, se viu, há dois anos, diante de uma grande
oportunidade e um enorme desafio. Ades era sócio do banco
Rendimento junto com a fabricante de produtos eletrônicos
CCE. No início de 2001, a indústria decidiu se desfazer
da instituição financeira, até então
um negócio modesto, especializado em crédito e em
cuidar do caixa da matriz. Ades comprou o banco e, sem a conta da
CCE, precisou buscar uma nova estratégia. Chamou dois amigos
para sócios, Abramo e Edwin Douek, e, juntos, bolaram um
plano. Decidiram se especializar na atividade financeira mais elementar,
como se voltassem ao tempo dos banqueiros-mercadores das feiras
medievais da Europa, que dominavam o mercado de câmbio. Ades
e os sócios resolveram se dedicar à compra e venda
de moedas. Do won (Coréia do Sul) ao dólar neozelandês,
o Rendimento negocia dinheiro de doze países. O banco tem
até um sistema de entrega a domicílio de shekels,
libras ou euros. Mas seu grande trunfo são, claro, as verdinhas.
Em dois anos, o Rendimento se tornou o terceiro maior negociador
de dólar turismo do País, atrás apenas do Bradesco
e do Banco do Brasil. “Existia um vácuo no mercado
e nós ocupamos”, diz Ades.
Quase
todas as operações são fechadas por meio da
corretora de câmbio que pertence ao banco, a Cotação.
A Cotação existe há 15 anos, mas foi comprada
no ano passado pelo Rendimento para executar a estratégia
preparada por Ades e pelos irmãos Douek. É uma espécie
de varejista do câmbio. Outras corretoras se especializaram
em fechar grandes negócios no dólar comercial –
usado nas exportações e importações
e também nas aplicações e especulações
dos bancos. Já a Cotação cuida do dinheiro
miúdo de agências de turismo e de quem viaja para o
exterior. São mais de 80 mil operações por
ano. Sem agências, realiza a maioria de seus negócios
por telefone e internet. Sua frota de carros roda 2,5 mil quilômetros
por dia para entregar dinheiro na casa dos compradores de moedas,
mesmo que não sejam clientes do banco. “Somos especializados
e, por isso, podemos oferecer um atendimento diferenciado”,
diz Nelson Gasparian, diretor de operações da Cotação.
Os turistas gostaram tanto do serviço que transformaram o
Rendimento/Cotação no maior vendedor de cheques de
viagem da American Express no Brasil. “O Rendimento ocupou
um espaço que era desprezado pela maioria dos bancos de varejo”,
diz Guilherme Castilho, analista da ABM.
Embora
ainda seja pequeno, com patrimônio de menos de R$ 50 milhões,
o banco é bastante rentável. Em 2002, o Rendimento
lucrou R$ 18,8 milhões. Com dinheiro em caixa, os três
sócios não só comemoram a estratégia
que adotaram há dois anos, como resolveram dobrar a aposta.
Vão lançar filiais da corretora no Rio de Janeiro
e São José dos Campos, além de mais um escritório
em São Paulo. “Estudamos inclusive comprar outras instituições”,
afirma Abramo Douek, diretor-superintendente do Rendimento. Além
disso, o banco aproveitou a boa onda e acaba de lançar um
novo produto para os turistas. Trata-se de um cartão de viagem
internacional, diferente dos produtos tradicionais. Funciona como
um cartão de débito em dólares. Ou seja, compra-se
as verdinhas no Brasil, o banco registra um crédito no cartão
e paga-se contas no exterior como se fosse à vista. “É
possível ainda fazer saques”, diz Marcelo Melsohn,
diretor-financeiro da Cotação. Não é
preciso pagar taxa de anuidade nem torcer para que o dólar
não suba até o vencimento da fatura, como nos cartões
de crédito tradicionais. “Essa especialização
se provou um bom negócio. Vamos investir cada vez mais no
mercado de moedas”, diz Douek, o mais novo banqueiro-mercador
do País. 
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