| RABO
DE FOGUETE |
Empresas
dos EUA, França e Japão se unem para controlar
o
mercado de lançamento de satélites comerciais.
Câmara dos
Deputados aprova acordo com a Ucrânia, em estratégia
do Brasil
para abocanhar um pedaço desse bolo |
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Juca
Rodrigues
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Confiável
- Os foguetes da série Ciclone já realizaram
mais de 200 lançamentos |
Se
não pode derrotar o inimigo, junte-se a ele. A francesa Arianespace,
a americana Boeing e a japonesa Mitsubishi anunciaram que vão
atuar em conjunto no mercado de lançamento de satélites
comerciais. Seus clientes poderão colocar cargas na órbita
da Terra utilizando os foguetes e bases de qualquer uma das três
companhias. O acordo acontece em um momento de queda generalizada
dos preços destes serviços e do aumento do número
de países com programa espacial. Hoje, a Arianespace detém
80% do mercado, enquanto a Boeing é uma das donas da Sea
Launch, plataforma flutuante de lançamento ancorada no Oceano
Pacífico. Já a Mitsubishi constrói, vende e
lança seu próprio foguete e cresce em ritmo acelerado.
O Brasil
pretende entrar nesse clube com o Centro de Lançamentos de
Alcântara, CLA, situado no Maranhão e um dos melhores
locais do mundo para se mandar um veículo ao espaço.
No último dia 23, a Câmara dos Deputados aprovou o
Acordo de Salvaguardas Tecnológicas assinado entre Brasil
e Ucrânia em 2002. Nele, estão previstos respectivamente
investimentos de R$ 90 milhões e US$ 130 milhões para
fazer do centro maranhense base do Ciclone 4, foguete ucraniano
de última geração, que tem seu primeiro vôo
previsto para 2007. O acordo agora precisa ser apreciado pelo Senado.
Além disso, continuamos a desenvolver nosso próprio
foguete. Um terceiro protótipo do Veículo Lançador
de Satélites, o VLS-1, tem lançamento previsto para
este mês. Os dois primeiros falharam e tiveram de ser destruídos
em vôo.
O bolo murchou
Segundo a Associação da Indústria de Satélites,
entidade baseada nos Estados Unidos e que congrega as principais
empresas do setor, o mercado mundial girou US$ 73,7 bilhões
em 2000, sendo US$ 5,3 bilhões com serviços de lançamentos,
US$ 2,7 bilhões só para os EUA. Houve um crescimento
em 2002, foram US$ 86,9 bilhões de faturamento. Mas os ganhos
com lançamento recuaram para US$ 3,7 bilhões, com
os americanos levando US$ 1 bilhão deste total. Serviços
de lançamento incluem o centro propriamente dito, a construção
do foguete e a fabricação de componentes e sistemas.
O trunfo do Brasil para conquistar clientes espaciais é
a localização do Centro de Alcântara. Por ficar
muito próximo da Linha do Equador, ele comporta o lançamento
de veículos mais pesados com menor gasto de combustível.
Vários países têm interesse em usar a base brasileira.
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Independência
- Terceiro protótipo do foguete brasileiro sobe aos
céus em agosto |
Tratado
semelhante ao feito com a Ucrânia foi assinado pelo Brasil
em 2000 com o governo dos Estados Unidos. Na época, houve
grande polêmica sobre uma possível quebra da soberania
do País, pois o documento não previa transferência
de tecnologia e entre os termos constava o controle da base por
funcionários americanos. Mas, deixar o controle do acesso
com os fabricantes dos equipamentos é praxe em negociações
desse tipo, que envolvem conhecimentos tecnológicos altamente
estratégicos. A composição com a Ucrânia
reza que “o Governo da República Federativa do Brasil
e o Governo da Ucrânia envidarão seus melhores esforços
para assegurar que autoridades brasileiras participem também
do controle das áreas restritas, respeitada a proteção
da tecnologia de origem ucraniana.” A vantagem deste acordo
é que está prevista a transferência de tecnologia.
O antigo, com os EUA, foi suspenso pelo governo brasileiro e retirado
do Congresso, onde estava sendo analisado. Agora, o País
estuda modificações. Resta saber como casar interesses
de brasileiros, americanos e ucranianos.
Inimigo meu
Até o final dos anos 70, ir ao espaço era tarefa
somente para americanos e russos. Em 1980, a chegada dos foguetes
franceses Ariane fez este monopólio começar a ruir.
Desde então, outros apareceram para disputar esta nova corrida
espacial. Em 1998, o governo dos Estados Unidos transferiu do Departamento
de Comércio para o Departamento de Estado a responsabilidade
pela aprovação de negociações envolvendo
satélites comerciais. O temor da Casa Branca era que a tecnologia
caísse em mãos de países inimigos, pondo em
risco a segurança nacional. Esta decisão resultou
na perda irreparável de mercado, pois as exigências
e o tempo gasto para se aprovar uma venda afugentaram antigos clientes.
É
o que mostram vários documentos publicados nos últimos
anos pelo Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais,
entidade que reúne dezenas de intelectuais e ex-funcionários
do alto escalão do governo americano, como o ex-secretário
de Estado Henry Kissinger. Nos trabalhos intitulados Preservando
a Superioridade da América na Tecnologia de Satélites
e Satélites Comerciais e Segurança Nacional: Nós
Não Estamos Sozinhos, publicados em 2002, o Centro afirma
que restringir a venda de equipamentos e serviços espaciais
teve efeito contrário ao desejado. Em vez de manter o monopólio,
a política adotada por Washington estimulou o desenvolvimento
tecnológico de outras nações, ou seja, concorrência.
Hoje, Cazaquistão, Ucrânia, China, Japão, Índia
e Israel são competidores de respeito no cenário espacial.
O Brasil chega lá. 
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