Veja outros sites:
 Capa
 Índice
 Exclusivo Online
 Carreira
 Consumo
 Testes
 Galeria de fotos
 Astrologia
 Dicionário
 Especiais
 Editorias
 E-Commerce
 Economia
 Entrevista
 Estilo Dinheiro
 Finanças
 Negócios
 Seu Dinheiro
 Seções
 Editorial
 A Semana
 Cobiça
 Empresas do bem
 Mercado digital
 Mídia & Cia
 Moeda forte
 Poder
 Cartas
 Busca
 Procure outras matérias
 Edições anteriores
 Assinaturas
 Expediente
 Publicidade
 Fale conosco
Assine a Newsletter

ECONOMIA Quarta-feira, 30 de Julho de 2003
GUSTAVO FRANCO
"FOZ É DOS DOLEIROS"

Clique aqui para comentar esta reportagem

Leonardo Attuch

  Anderson Schneider

Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, foi o principal personagem da CPI do Banestado na última semana. Ele teve de explicar durante 10 horas por que autorizou cinco bancos de Foz do Iguaçu – Banestado, Banco do Brasil, Araucária, Bemge e Real – a realizarem remessas superiores a
R$ 10 mil por contas CC-5. Disse que a medida visava normalizar o fluxo de comércio local e que, sem ela, a região acabou entregue, novamente, ao poder dos doleiros. Um dia depois de depor, Franco, curiosamente, estava em Foz, onde fez uma palestra. De lá, falou à DINHEIRO e deu uma sugestão para o combate à lavagem. “Por que não levar os doleiros à Justiça?”, indagou.

DINHEIRO – O sr. foi acusado de ter aberto uma avenida para a lavagem de dinheiro. Qual a sua defesa?
GUSTAVO FRANCO
– A acusação não tem fundamento. O Banco Central criou normas para permitir a repatriação de reais gastos no Paraguai, trazendo para a legalidade um movimento comercial e de turismo que vinha transitando pelo “paralelo”. O BC faz normas para pessoas honestas, que se viam forçadas a negociar com doleiros.

Mas acabaram usadas por pessoas desonestas e teriam
servido à lavagem.

Existiram tentativas de fraude. Os responsáveis foram identificados pelo BC e seus esquemas comunicados ao Ministério Público em abril de 1997. Desde a denúncia, a lavagem parece ter se deslocado para outras operações. As fraudes, na minha opinião, não atingiriam valores sequer próximos do que poderia ser descrito como “avenida”.

O número de US$ 30 bilhões seria falso?
O volume de dinheiro remetido pelas CC-5 foi maior. Mas acho improvável que as operações ilegais daqueles bancos tenham
sido tão grandes.

Não teria sido melhor que as operações ilegais continuassem
no “black”, sendo reprimidas pela polícia?

O BC não criou facilidades para operações ilegais; o BC passou a permitir que operações legais pudessem ser feitas na legalidade. O que era ilegal e que buscou o caminho dos bancos para ocorrer sob o manto da legalidade acabou descoberto e denunciado.

Na sua avaliação, que providências devem ser tomadas
no País para se reprimir a lavagem de dinheiro?

O que se faz em toda parte: coordenação das agências de governo, com apoio político e da sociedade. Aqui no Brasil, ao contrário, o que se faz é culpar o BC, a Receita Federal ou a polícia pela falta de resultados. Há outro ponto. O que se descobriu até agora foram várias redes regionais, que têm no centro um doleiro. A juíza Denise Frossard conseguiu levar os bicheiros à Justiça. Por que não se faz o mesmo com os doleiros?

Por quê?
Porque eles têm amigos poderosos, tanto nos meios empresariais como nos meios políticos. Um juiz poderia convocá-los e perguntar como funcionam suas empresas, por que elas se parecem com verdadeiras fortalezas e também tentar entender de onde vem tanto dinheiro.

O Tribunal de Contas da União alega que o BC demorou
a tomar providências
.
O BC faz normas para pessoas de bem. Remover as regras porque alguém delas abusa é punir os inocentes, que são a maioria. Mas as providências foram sim tomadas.
 
As autorizações dos bancos em Foz foram suspensas pelo BC, na gestão Armínio Fraga. Quais as conseqüências disso?
Isso acabou prejudicando o turismo e o comércio de Foz, que foi entregue de volta aos doleiros. Acho que não foi uma boa solução.

O ministro Márcio Thomaz Bastos propõe uma anistia para os capitais evadidos do País. O sr. é favorável?
Francamente, não tenho muita simpatia pela medida, pois entendo como muito difícil de se fazer. Mas vejo como algo que deve ser estudado de forma séria.

O deputado José Mentor (PT-SP) disse que o seu depoimento
na CPI não foi convincente.

Isso faz parte do terreno da política, do imponderável. É da liturgia de todas as CPIs.

FÓRUM 1
A polícia francesa deteve Paulo Maluf
por 7 horas, para
que ele explicasse
a origem de US$ 1,6 milhão depositados
em um banco de
Paris. “A origem
é maravilhosa”,
disse ele. Herança
de família?
FÓRUM 2

O Palácio do Planalto vê infiltração política nesta onda de invasões no campo
e na cidade. O
objetivo seria a desestabilização
do governo. Será?

ENQUETE 1

O governo
federal está:

• Confiante demais
• Embriagado
pelo poder
• Equilibrado
ao máximo
• Preso em
armadilhas
da oposição
• Totalmente
paralisado
Vote aqui
ENQUETE 2

Despontam os prováveis candidatos às eleições municipais. Qual seu preferido em São Paulo?

• José Pinotti
• José Serra
• Luíza Erundina
• Marta Suplicy
• Paulo Maluf
• Paulinho da Força
Vote aqui

 

© Copyright 1996/2002 Editora Três