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-COMMERCE Quarta-feira, 30 de Julho de 2003
O TODO-PODEROSO
Sem cargo no primeiro escalão, o sociólogo Sérgio Amadeu
influencia as decisões da União na alocação de R$ 5 bilhões
em verbas de tecnologia

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Duda Teixeira e Manoel Fernandes

  Anderson Schneider
  Amadeu, do ITI: Indicado por Zé Dirceu para traçar as estratégia digital do governo

O sociólogo Sérgio Amadeu, 42 anos, é mestre em Ciência Política e atualmente estudante de doutorado na Universidade de São Paulo, onde trata da “Teoria Democrática na Era da Informação”. Ele não tem cargo no primeiro escalão do governo federal nem função executiva importante no organograma da administração petista. Sua tarefa maior é cuidar do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, autarquia vinculada à Casa Civil da Presidência da República, que no papel deveria administrar a questão da certificação digital no País. Na prática, porém, Amadeu é o todo-poderoso do governo do PT na área de tecnologia. Ele garante essas credenciais com o acesso privilegiado ao ministro da Casa Civil, José Dirceu, seu padrinho político cujo gabinete fica a 300 metros da sala que Amadeu ocupa no Anexo 4 do Palácio do Planalto. Os negócios na área de influência de Amadeu movimentam R$ 5 bilhões por ano. É o orçamento do governo para os próximos anos na área de tecnologia.

Nem o próprio ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, vem falando publicamente o que Sérgio Amadeu tem declarado nos últimos seis meses para platéias formadas por empresários e presidentes de empresas privadas. Ele impressiona pela sua eloqüência quase messiânica ao defender a transformação do Brasil no lugar de uso intensivo na administração pública de softwares gratuitos e livres como Linux. “Só participará de licitação no governo a empresa que abrir o código fonte (a alma do software) para os nossos técnicos”, disse Amadeu há duas semanas em um encontro reservado com empresários paulistas.

A trajetória que levou Amadeu para Brasília passa pela militância na agremiação MR-8, de orientação stalinista, pela presidência da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e na política estudantil da USP, onde se formou em sociologia. Nos últimos tempos, o presidente do ITI se dedicou a estudar a exclusão digital, o que o levou a assumir a coordenação do governo eletrônico na Prefeitura de São Paulo na administração da prefeita Marta Suplicy. Quem o conhece sugere suas boas intenções, mas seu currículo é ralo diante das tarefas que pretende executar em nome do ministro Dirceu, a quem trata pelo diminutivo de “Zé”. E não são poucas as missões.

Imposto de renda. Amadeu coordena oito câmaras setoriais que auxiliam o governo nas decisões de tecnologia. Uma das suas primeiras iniciativas foi obter do Serviço Nacional de Processamento de Dados o compromisso de refazer com softwares gratuitos como o Linux todo o ComprasNet, o portal de compras do governo federal. A idéia é estender a medida aos principais sistemas públicos, incluindo o programa de imposto de renda. Também está sobre a mesa de Amadeu a definição dos integrantes do Comitê Gestor da Internet no País, que está sem comando há mais de dois meses. “Ele mudará o modelo tecnológico do Brasil”, diz Marcelo Marques, presidente da distribuidora 4Linux.

Nem todos gostam dessa perspectiva. Várias empresas do setor de tecnologia acreditam que Sérgio Amadeu está envolvido em uma cruzada que pode levar o Brasil ao isolamento no mercado internacional, criando nova reserva de mercado de software, equivalente à reserva de hardware dos anos 80. Também querem acreditar que ele não tem o poder que tenta mostrar. “Ele está fora da realidade”, diz Fernando Parra, presidente da fábrica de software DTS Latin America. Para não correr riscos, várias empresas estão tentando conversar com Sérgio Amadeu para entendê-lo melhor. Como seguro morreu de velho, há quem tente identificar dentro do governo outros personagens com posições mais moderadas nesse debate. Um desses nomes é Rogério Santana, um experiente administrador atualmente no Ministério do Planejamento. Santana é visto com simpatia em função da experiência à frente da empresa municipal de informática de Porto Alegre. Ele e Amadeu representam as duas tendências em disputa. Santana acredita que o software livre deve ser aplicado de maneira pontual. Amadeu é mais radical. O convite para sua festa de despedida distribuído aos amigos paulistas traduz muito claramente o seu pensamento. “Companheiros, vou levar a bandeira do software livre para o Planalto Central.” Pelo suas ações, ele quer muito mais.

FÓRUM 1
A polícia francesa deteve Paulo Maluf
por 7 horas, para
que ele explicasse
a origem de US$ 1,6 milhão depositados
em um banco de
Paris. “A origem
é maravilhosa”,
disse ele. Herança
de família?
FÓRUM 2

O Palácio do Planalto vê infiltração política nesta onda de invasões no campo
e na cidade. O
objetivo seria a desestabilização
do governo. Será?

ENQUETE 1

O governo
federal está:

• Confiante demais
• Embriagado
pelo poder
• Equilibrado
ao máximo
• Preso em
armadilhas
da oposição
• Totalmente
paralisado
Vote aqui
ENQUETE 2

Despontam os prováveis candidatos às eleições municipais. Qual seu preferido em São Paulo?

• José Pinotti
• José Serra
• Luíza Erundina
• Marta Suplicy
• Paulo Maluf
• Paulinho da Força
Vote aqui
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