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TODO-PODEROSO |
Sem
cargo no primeiro escalão, o sociólogo Sérgio
Amadeu
influencia as decisões da União na alocação
de R$ 5 bilhões
em verbas de tecnologia |
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Duda
Teixeira e Manoel
Fernandes
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Amadeu,
do ITI: Indicado por Zé Dirceu para traçar
as estratégia digital do governo |
O
sociólogo Sérgio Amadeu, 42 anos, é mestre
em Ciência Política e atualmente estudante de doutorado
na Universidade de São Paulo, onde trata da “Teoria
Democrática na Era da Informação”. Ele
não tem cargo no primeiro escalão do governo federal
nem função executiva importante no organograma da
administração petista. Sua tarefa maior é cuidar
do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação,
autarquia vinculada à Casa Civil da Presidência da
República, que no papel deveria administrar a questão
da certificação digital no País. Na prática,
porém, Amadeu é o todo-poderoso do governo do PT na
área de tecnologia. Ele garante essas credenciais com o acesso
privilegiado ao ministro da Casa Civil, José Dirceu, seu
padrinho político cujo gabinete fica a 300 metros da sala
que Amadeu ocupa no Anexo 4 do Palácio do Planalto. Os negócios
na área de influência de Amadeu movimentam R$ 5 bilhões
por ano. É o orçamento do governo para os próximos
anos na área de tecnologia.
Nem
o próprio ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto
Amaral, vem falando publicamente o que Sérgio Amadeu tem
declarado nos últimos seis meses para platéias formadas
por empresários e presidentes de empresas privadas. Ele impressiona
pela sua eloqüência quase messiânica ao defender
a transformação do Brasil no lugar de uso intensivo
na administração pública de softwares gratuitos
e livres como Linux. “Só participará de licitação
no governo a empresa que abrir o código fonte (a alma do
software) para os nossos técnicos”, disse Amadeu há
duas semanas em um encontro reservado com empresários paulistas.
A
trajetória que levou Amadeu para Brasília passa pela
militância na agremiação MR-8, de orientação
stalinista, pela presidência da União Brasileira dos
Estudantes Secundaristas e na política estudantil da USP,
onde se formou em sociologia. Nos últimos tempos, o presidente
do ITI se dedicou a estudar a exclusão digital, o que o levou
a assumir a coordenação do governo eletrônico
na Prefeitura de São Paulo na administração
da prefeita Marta Suplicy. Quem o conhece sugere suas boas intenções,
mas seu currículo é ralo diante das tarefas que pretende
executar em nome do ministro Dirceu, a quem trata pelo diminutivo
de “Zé”. E não são poucas as missões.
Imposto
de renda. Amadeu coordena oito câmaras setoriais
que auxiliam o governo nas decisões de tecnologia. Uma das
suas primeiras iniciativas foi obter do Serviço Nacional
de Processamento de Dados o compromisso de refazer com softwares
gratuitos como o Linux todo o ComprasNet, o portal de compras do
governo federal. A idéia é estender a medida aos principais
sistemas públicos, incluindo o programa de imposto de renda.
Também está sobre a mesa de Amadeu a definição
dos integrantes do Comitê Gestor da Internet no País,
que está sem comando há mais de dois meses. “Ele
mudará o modelo tecnológico do Brasil”, diz
Marcelo Marques, presidente da distribuidora 4Linux.
Nem
todos gostam dessa perspectiva. Várias empresas do setor
de tecnologia acreditam que Sérgio Amadeu está envolvido
em uma cruzada que pode levar o Brasil ao isolamento no mercado
internacional, criando nova reserva de mercado de software, equivalente
à reserva de hardware dos anos 80. Também querem acreditar
que ele não tem o poder que tenta mostrar. “Ele está
fora da realidade”, diz Fernando Parra, presidente da fábrica
de software DTS Latin America. Para não correr riscos, várias
empresas estão tentando conversar com Sérgio Amadeu
para entendê-lo melhor. Como seguro morreu de velho, há
quem tente identificar dentro do governo outros personagens com
posições mais moderadas nesse debate. Um desses nomes
é Rogério Santana, um experiente administrador atualmente
no Ministério do Planejamento. Santana é visto com
simpatia em função da experiência à frente
da empresa municipal de informática de Porto Alegre. Ele
e Amadeu representam as duas tendências em disputa. Santana
acredita que o software livre deve ser aplicado de maneira pontual.
Amadeu é mais radical. O convite para sua festa de despedida
distribuído aos amigos paulistas traduz muito claramente
o seu pensamento. “Companheiros, vou levar a bandeira do software
livre para o Planalto Central.” Pelo suas ações,
ele quer muito mais. 
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