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NEGÓCIOS

Quarta-feira, 16 de Junho de 2003
NAS ASAS DA JETBLUE
Conheça a empresa que fez a maior encomenda da história da Embraer

Patrícia Cançado

  Fotos: Bloomberg News
  Aeronaves da companhia, nos EUA: Faturamento deve crescer 42% este ano

Existe uma empresa americana que contrata seis novos funcionários por dia, cresce em média 100% ao ano desde 2000, não conhece a palavra crise e tem valor de mercado quase igual ao de suas três principais concorrentes juntas. E o que é mais impressionante: ela é do setor aéreo, um ramo que não só demitiu dezenas de milhares de funcionários como já perdeu cerca de US$ 20 bilhões desde o episódio de 11 de setembro. O seu nome a Embraer dificilmente vai esquecer. Foi com esta empresa chamada JetBlue que a brasileira acabou de fechar o maior contrato de sua história. Na última semana, a companhia encomendou 100 aeronaves da Embraer para compor sua frota em vôos regionais. Um negócio de US$ 3 bilhões e que tem potencial para chegar a US$ 6 bilhões. A JetBlue é um fenômeno na aviação mundial. Apesar de ser uma novata – o seu primeiro avião decolou em fevereiro de 2000 – ela já carregou mais passageiros de Nova York para Fort Lauderdale, na Flórida, do que qualquer outra companhia. Resultado: em 2002 ela faturou US$ 635 milhões e a expectativa é crescer 42% este ano.

 
  David neeleman, presidente: Os 100 aviões pedidos à Embraer vão custar US$ 3 bilhões

A mágica da JetBlue está em vender passagens pela metade do preço das concorrentes. Ela atua nas linhas regionais sob o conceito low cost, low fare (baixo custo) – o mesmo utilizado pela Gol no Brasil. O céu só está tão azul para a companhia graças a David Neeleman, 43 anos, pai de 9 filhos, fundador e principal executivo da JetBlue. Filho de missionários mórmons, ele nasceu no Brasil, onde morou até os 5 anos. Voltou ao País aos 19, para ser missionário no Nordeste. Onde viveu mais de dois anos. Neeleman é conhecido por seu carisma. Pelo menos uma vez por semana ele veste o uniforme da companhia e ajuda na arrumação das cabines. Jogada de marketing? Talvez. Mas Neeleman quer mostrar que na empresa todo mundo faz de tudo. O surgimento de empresas pequenas como a JetBlue sacudiu o mercado americano, levando a terceira maior companhia aérea do país, a Delta Airlines, a investir US$ 65 milhões numa operadora de baixo custo.

O contrato da JetBlue com a Embraer é emblemático dentro
desse contexto. As companhias estão trocando grandes
aeronaves por aviões com até 100 lugares. “As empresas não
podem mais voar com aviões vazios”, explica o vice-presidente de comunicação empresarial da Embraer, Horacio Forjaz. Nos últimos
dois meses, a Embraer recebeu duas encomendas do tipo. A primeira, para a US Airways, envolveu 85 aeronaves de até 70 lugares. Em seguida, a Republic Airways comprou 12 jatos regionais. “Essa tendência está abrindo espaço para a Embraer no mercado americano. Até então, as companhias preferiam a Bombardier”, diz Andréa Martins Alcade, analista da corretora Socopa. Recentemente, a JetBlue chegou a ser citada em um artigo da revista New York entre as cinco coisas sem as quais não se poderia viver. A Embraer agora entende bem o que isso significa.

FÓRUM 1
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este problema?
FÓRUM 2
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e reduzir seus preços.
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