| O NOVO
BARÃO DO CAFÉ |
| A trajetória
de Cleber Paiva, o empresário que devia US$ 60 milhões
há sete anos e hoje é o maior exportador de café
do País. No caixa, ele tem R$ 32 milhões para
investimentos, que vão de condomínios industriais
a uma escola de pilotagem de aviões |
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Por
Joaquim Castanheira
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Cleber:
“Hoje temos liquidez financeira” |
Antes
de começar a ler, volte rapidamente para a página
anterior e observe o sujeito da foto. Seu nome é Cleber Marques
de Paiva, e ele já pesou mais de cem quilos, 103 para ser
mais preciso. Pois é, nada a ver com o homem de silhueta
saudável e disposta, sentado descontraidamente em frente
a seu jato particular, um Citation II de US$ 4 milhões. Sessões
diárias de musculação e uma cuidadosa reeducação
alimentar queimaram as gorduras e o levaram aos atuais 74 quilos.
Mas houve outro fator decisivo para a redução do peso.
Paiva era uma pessoa ansiosa, e a quantidade de comida em seu prato
se avolumava na mesma medida em que os problemas profissionais cresciam.
E há sete anos, problemas não faltavam para ele. Paiva
e seu irmão mais velho, Otávio, estavam pendurados
em bancos com uma dívida de US$ 60 milhões. Para sair
do enrosco, contavam apenas com uma exportadora de café,
desativada há um ano. “Precisávamos gerar receita
para pagar a dívida, mas tínhamos que começar
do zero”, recorda Paiva.
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Gurgel,
Otávio e Cleber: Consórcio de produtores
para exportar café premium |
Desde
então, a vida tornou-se mais leve para Paiva. As dívidas
foram pagas e caíram para cerca de R$ 10 milhões.
As vendas externas de café explodiram, e hoje a trading dos
irmãos, a Exprinsul, é responsável por 12%
de todo o café exportado pelo Brasil. Os Paiva aproveitaram
a maré favorável e partiram para a expansão
de seus negócios. Compraram duas fazendas, onde plantam dois
milhões de pés de café. Também criaram
a primeira estação alfandegada do País –
uma espécie de zona franca, onde as empresas guardam suas
mercadorias até que possam importá-las ou exportá-las.
A cada ano, circulam por ali cerca de US$ 2 bilhões em produtos.
Com isso, o faturamento do grupo atingiu US$ 150 milhões
em 2002. Assim, Cleber recuperou o título de barão
do café. “Temos excesso de liquidez”, comemora
Cleber.
| PARA
O MUNDO
A Exprinsul é responsável
por 12% das
exportações
de café no Brasil
GENTE
GRANDE
Faturamento do grupo dos Paiva em 2002 bateu em
US$ 150 milhões
NOVO
PROJETO
O condomínio industrial deverá gerar investimentos
de
R$ 500
milhões
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No
caixa do Unecom, a holding dos Paiva, estão guardados em
dinheiro vivo R$ 32 milhões para investimentos. A maior parte
do dinheiro será direcionada para dois projetos. Um deles
atende pelo nome pomposo de condomínio industrial alfandegado.
Traduzindo: em uma área de 1,3 milhão de metros quadrados,
colada ao aeroporto de Varginha, indústrias de diversos setores
instalarão linhas de montagem. Elas poderão importar
componentes e deixá-los guardados até o momento de
utilizá-los. Enquanto isso, não precisam pagar o imposto
de importação – caso a produção
tenha como destino o mercado externo, estarão isentas de
arcar com esse tributo. Mais de 100 companhias devem erguer seus
galpões no local. Somados, os investimentos devem atingir
R$ 500 milhões.
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