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ENTREVISTA Quarta-feira, 16 de Junho de 2003
continua...
LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
"O BANCO CENTRAL É PATÉTICO"

Economista tucano diz que o governo está atemorizado e busca credibilidade com políticas nocivas ao País

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Ivan Martins

Biô Barreira  

Luiz Carlos Bresser-Pereira tem história na vida econômica brasileira. Três vezes foi ministro de Estado, por 20 anos foi diretor administrativo do grupo Pão de Açúcar e desde sempre leciona e publica proficuamente, na condição de economista. Nos últimos dias o peso desse currículo foi lançado em defesa de uma tese – a redução dos juros – e de um conceito – o da inflação inercial. Bresser acredita que esse tipo de inflação, tipicamente brasileira, não é causado pela demanda mas sim pela indexação. E não pode ser derrotada pelos juros que o Banco Central está impondo ao País. “A idéia de destruir a inércia inflacionária pela recessão é inútil e dolorosa”, diz o intelectual tucano. Crítico feroz do pensamento único na economia, Bresser lança sobre o governo Lula a pior ofensa do seu vocabulário teórico. “Voltamos à política do Malan”, diz ele. “E os resultados serão os mesmos, desastrosos.” Ele acredita que o governo está atemorizado e que em sua busca de credibilidade junto ao mercado poderá afundar o País na estagnação. A saída? Desindexar, atuar sobre o câmbio, romper com a ortodoxia do pensamento único: “Pouca gente tem coragem de falar essas coisas porque a chance de ser estigmatizado como irresponsável ou populista é muito grande”. Na segunda-feira passada, em seu vasto e elegante escritório, o professor da Fundação Getúlio Vargas falou à DINHEIRO o que segue:

DINHEIRO – O sr. está desapontado com a política econômica?
BRESSER – Embora eu tenha votado em José Serra, tive esperança de que o Lula fosse mudar de forma decisiva a política econômica. Mas agora, entrando no sexto mês de governo, não vejo mudança nenhuma. A política econômica é a mesma de Pedro Malan: aquela recomendada por Washington e Nova York, aquela que agrada ao sistema financeiro internacional, aquela que tem mantido o Brasil semi-estagnado desde o governo Fernando Collor.

DINHEIRO – Lula tem pedido paciência...
BRESSER – Pois é. Em fevereiro eu escrevi um artigo dizendo que Lula não estava traindo ninguém, que dar continuidade às políticas de Fernando Henrique era inevitável pelas circunstâncias. Eu dizia que antes de o dólar cair a R$ 3,20 e do risco Brasil ficar abaixo de 1.000 pontos, não se podia mudar a política macroeconômica. E havia também a crise do Iraque. Era natural que se tentasse recuperar a confiança. Mas essas coisas todas ficaram para trás e mesmo assim não se mudou nada. Pelo contrário. O que a crise havia produzido de bom – a elevação do câmbio para R$ 3,50 por dólar – foi destruído. Voltamos à política macroeconômica do governo Malan.

DINHEIRO – Como o sr. descreve essa política?
BRESSER – É simples: juro alto, câmbio baixo e dependência da poupança externa. Mas o fato é que só é possível um país se desenvolver se tiver câmbio alto e juro baixo.

DINHEIRO – O sr. acha mesmo que está se repetindo o Malan? Afinal, há resultados positivos...
BRESSER – A política é igual no método e os resultados serão igualmente desastrosos. Malan nos manteve semi-estagnados por oito anos e nos levou a duas crises de balanço de pagamentos, uma em 1998 e outra em 2002. Malan dizia que fazia tudo isso em nome da estabilidade macroeconômica, mas o fato é que estabilidade é mais do que simples estabilidade de preços – envolve também déficit público sob controle, déficit em conta corrente controlado e razoável pleno emprego. Sem isso não há desenvolvimento. Reduzir a estabilidade macroeconômica apenas à estabilidade de preços é uma forma vesga de olhar a realidade. E provoca desastre.

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FÓRUM 1
Pesquisa do IBGE revela que 6 em cada 10 alunos das universidades públicas pertencem à camada dos 20% mais ricos do País. Um sistema de cotas para estudantes de baixa renda ajudaria a resolver
este problema?
FÓRUM 2
O governador do Paraná quer retomar as estradas privatizadas do estado, assumir os pedágios
e reduzir seus preços.
Ele está certo?
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