LUIZ
CARLOS BRESSER-PEREIRA
| "O
BANCO CENTRAL É PATÉTICO" |
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Economista
tucano diz que o governo está atemorizado e busca credibilidade
com políticas nocivas ao País
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Ivan
Martins
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Luiz Carlos Bresser-Pereira tem história
na vida econômica brasileira. Três vezes foi ministro
de Estado, por 20 anos foi diretor administrativo do grupo Pão
de Açúcar e desde sempre leciona e publica proficuamente,
na condição de economista. Nos últimos dias
o peso desse currículo foi lançado em defesa de uma
tese – a redução dos juros – e de um conceito
– o da inflação inercial. Bresser acredita que
esse tipo de inflação, tipicamente brasileira, não
é causado pela demanda mas sim pela indexação.
E não pode ser derrotada pelos juros que o Banco Central
está impondo ao País. “A idéia de destruir
a inércia inflacionária pela recessão é
inútil e dolorosa”, diz o intelectual tucano. Crítico
feroz do pensamento único na economia, Bresser lança
sobre o governo Lula a pior ofensa do seu vocabulário teórico.
“Voltamos à política do Malan”, diz ele.
“E os resultados serão os mesmos, desastrosos.”
Ele acredita que o governo está atemorizado e que em sua
busca de credibilidade junto ao mercado poderá afundar o
País na estagnação. A saída? Desindexar,
atuar sobre o câmbio, romper com a ortodoxia do pensamento
único: “Pouca gente tem coragem de falar essas coisas
porque a chance de ser estigmatizado como irresponsável ou
populista é muito grande”. Na segunda-feira passada,
em seu vasto e elegante escritório, o professor da Fundação
Getúlio Vargas falou à DINHEIRO o que segue:
DINHEIRO – O sr. está
desapontado com a política econômica?
BRESSER – Embora eu tenha votado em
José Serra, tive esperança de que o Lula fosse mudar
de forma decisiva a política econômica. Mas agora,
entrando no sexto mês de governo, não vejo mudança
nenhuma. A política econômica é a mesma de Pedro
Malan: aquela recomendada por Washington e Nova York, aquela que
agrada ao sistema financeiro internacional, aquela que tem mantido
o Brasil semi-estagnado desde o governo Fernando Collor.
DINHEIRO – Lula tem pedido
paciência...
BRESSER – Pois é. Em fevereiro
eu escrevi um artigo dizendo que Lula não estava traindo
ninguém, que dar continuidade às políticas
de Fernando Henrique era inevitável pelas circunstâncias.
Eu dizia que antes de o dólar cair a R$ 3,20 e do risco Brasil
ficar abaixo de 1.000 pontos, não se podia mudar a política
macroeconômica. E havia também a crise do Iraque. Era
natural que se tentasse recuperar a confiança. Mas essas
coisas todas ficaram para trás e mesmo assim não se
mudou nada. Pelo contrário. O que a crise havia produzido
de bom – a elevação do câmbio para R$
3,50 por dólar – foi destruído. Voltamos à
política macroeconômica do governo Malan.
DINHEIRO – Como o sr.
descreve essa política?
BRESSER – É simples: juro alto,
câmbio baixo e dependência da poupança externa.
Mas o fato é que só é possível um país
se desenvolver se tiver câmbio alto e juro baixo.
DINHEIRO – O sr. acha mesmo que está se
repetindo o Malan? Afinal, há resultados positivos...
BRESSER – A política é
igual no método e os resultados serão igualmente desastrosos.
Malan nos manteve semi-estagnados por oito anos e nos levou a duas
crises de balanço de pagamentos, uma em 1998 e outra em 2002.
Malan dizia que fazia tudo isso em nome da estabilidade macroeconômica,
mas o fato é que estabilidade é mais do que simples
estabilidade de preços – envolve também déficit
público sob controle, déficit em conta corrente controlado
e razoável pleno emprego. Sem isso não há desenvolvimento.
Reduzir a estabilidade macroeconômica apenas à estabilidade
de preços é uma forma vesga de olhar a realidade.
E provoca desastre.
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