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LULA
E OS METALÚRGICOS
É
o limite do contrafluxo na economia: na semana passada, um grupo
de representantes patronais seguiu para a Força Sindical
entidade que pilota interesses de boa parte dos metalúrgicos
brasileiros levando na valise uma proposta inusitada. Ou
salários eram reduzidos ou a onda de desemprego se alastraria
ainda mais no horizonte da produção. Empresários
disseram em coro que não dava mais para continuar. Muitos
deles pararam suas linhas, a começar pelas montadoras, e
outros devem fechar parte do negócio. E o episódio
encerrou uma constatação inequívoca: a economia
não está mais estagnada, está andando para
trás. É um fenômeno ainda mais perverso do que
o mostrado nos últimos números do PIB. Ato contínuo
do estado de beligerância econômica: metalúrgicos,
categoria que serviu de berço, embalou e gestou a candidatura
do presidente Lula, parecem estar prestes a romper com o governo.
Nesta terça-feira 17, fazem passeata de protesto em São
Paulo. Nem nos mais remotos pesadelos políticos dava para
se imaginar um cenário onde PT e metalúrgicos, que
estiveram na espinha dorsal da criação do partido,
entrariam em rota de colisão pouco mais de seis meses após
a posse.
O
governo, de seu lado, parece ter alcançado o objetivo de
anestesiar a economia, parando firmemente produção
e trabalho, na esperança de liquidar com o efeito inercial
da inflação. Teimou, e ainda acredita piamente, que
esta é uma inflação de demanda. Portanto, não
haveria outro caminho para o seu fim a não ser o veneno paralisante
dos juros altos. Investimentos, oficiais e privados, estrangeiros
ou nacionais, desceram ao limite mínimo. E a União
também fechou a carteira: investiu menos de 1% do que estava
previsto no orçamento. Bonito aos olhos dos credores internacionais,
assustador para a massa de desempregados e das empresas que, sem
alternativa, cerram suas portas. Os dez milhões de empregos
prometidos, frutos da quimera de uma economia em crescimento, ficam
para um futuro indefinido. Afinal, o Lula metalúrgico que
fazia greve em portas de fábrica por melhores condições
de trabalho e salários é uma lembrança que
ficou para trás. 
Carlos
José Marques
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