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DINHEIRO DA REDAÇÃO Quarta-feira, 16 de Junho de 2003

LULA E OS METALÚRGICOS

É o limite do contrafluxo na economia: na semana passada, um grupo de representantes patronais seguiu para a Força Sindical – entidade que pilota interesses de boa parte dos metalúrgicos brasileiros – levando na valise uma proposta inusitada. Ou salários eram reduzidos ou a onda de desemprego se alastraria ainda mais no horizonte da produção. Empresários disseram em coro que não dava mais para continuar. Muitos deles pararam suas linhas, a começar pelas montadoras, e outros devem fechar parte do negócio. E o episódio encerrou uma constatação inequívoca: a economia não está mais estagnada, está andando para trás. É um fenômeno ainda mais perverso do que o mostrado nos últimos números do PIB. Ato contínuo do estado de beligerância econômica: metalúrgicos, categoria que serviu de berço, embalou e gestou a candidatura do presidente Lula, parecem estar prestes a romper com o governo. Nesta terça-feira 17, fazem passeata de protesto em São Paulo. Nem nos mais remotos pesadelos políticos dava para se imaginar um cenário onde PT e metalúrgicos, que estiveram na espinha dorsal da criação do partido, entrariam em rota de colisão pouco mais de seis meses após a posse.

O governo, de seu lado, parece ter alcançado o objetivo de anestesiar a economia, parando firmemente produção e trabalho, na esperança de liquidar com o efeito inercial da inflação. Teimou, e ainda acredita piamente, que esta é uma inflação de demanda. Portanto, não haveria outro caminho para o seu fim a não ser o veneno paralisante dos juros altos. Investimentos, oficiais e privados, estrangeiros ou nacionais, desceram ao limite mínimo. E a União também fechou a carteira: investiu menos de 1% do que estava previsto no orçamento. Bonito aos olhos dos credores internacionais, assustador para a massa de desempregados e das empresas que, sem alternativa, cerram suas portas. Os dez milhões de empregos prometidos, frutos da quimera de uma economia em crescimento, ficam para um futuro indefinido. Afinal, o Lula metalúrgico que fazia greve em portas de fábrica por melhores condições de trabalho e salários é uma lembrança que ficou para trás.

Carlos José Marques

 
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