| SANDOZ
É GENÉRICO |
| Por
que a Novartis resolveu usar uma das marcas mais conhecidas
do mundo para comercializar produtos sem patente |
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Ivan
Martins, de Viena (Itália)
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É
quase como se a Microsoft lançasse um programa grátis
para concorrer com o Linux. Ou talvez como se a Sony criasse um
site para distribuir música barata. Na semana passada, ao
anunciar em Viena a unificação de sua linha de genéricos
sob a marca Sandoz, a companhia farmacêutica Novartis legitimou
um mercado visto com maus olhos por boa parte da indústria
farmacêutica. Embora seja perfeitamente legal e respeitável
fabricar drogas de outras empresas com patentes vencidas, ainda
paira sobre essa atividade uma mistura de desconfiança e
preconceito inclusive da parte dos consumidores. A
presença de uma marca tradicional como a Sandoz vai ajudar
a firmar mundialmente o negócio de genéricos,
prevê o economista Grahan Lewis, especialista na indústria
de medicamentos. Sexta empresa farmacêutica do mundo, dona
de um faturamento anual de US$ 21 bilhões, a Novartis já
tem uma presença forte no mundo dos genéricos. Ela
data de antes da fusão da Sandoz e da Ciba-Geigy, em 1996,
que deu origem à Novartis. Mas agora, ao unificar seus diversos
produtos sob uma única marca global, a empresa suíça
dará visibilidade e sinergia a essa parte dos seus negócios.
O nome Sandoz comunica alta qualidade e inovação,
disse à DINHEIRO o executivo austríaco Christian Seiwald,
presidente da Sandoz. Com ele queremos ser líder incontestável
em medicamentos genéricos.
| Nos
EUA, 10 semanas depois de vencer uma patente os genéricos
abocanham 92% do seu mercado |
O
mercado farmacêutico mundial é de US$ 400 bilhões,
dos quais US$ 30 bilhões são genéricos |
| Os
genéricos são 6% do mercado farmacêutico
brasileiro, que vale US$ 4,5 bilhões |
Genéricos
representam 42% do mercado americano de medicamentos |
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Seiwald,
em Viena: Marca de tradição ajuda na luta
pela liderança do mercado que mais cresce |
Essa
decisão reflete mudanças profundas no mercado farmacêutico,
que podem ser resumidas pela palavra crescimento. Em 2002 a Novartis
cresceu 11% em vendas. A menor parte desse crescimento, 13%, veio
da área de novas drogas. O crescimento mais forte, de 25%,
veio do setor de genéricos. Este ano, até agora, os
percentuais são de 13% de crescimento total, 10% de crescimento
nos medicamentos com marcas e nada menos que 83% de crescimento
em genéricos. A venda de genéricos não
compensa as perdas decorrentes do vencimento das nossas patentes,
mas estar nos dois mercados ajuda bastante, diz Seiwald. Embora
os genéricos ofereçam margens de comercialização
bem menores, eles também têm custos menores. Não
se gasta em pesquisa e a promoção do produto é
barata. Mas há outro lado. O essencial nesse mercado
é preço, rapidez e qualidade, resume Georg Naderegger,
sócil da McKinsey alemã. Essa é outra forma
de dizer que a concorrência entre genéricos é
feroz e que não há chance de obter com eles os lucros
proporcionados pelos remédios campeões de venda. Outro
problema desse mercado é que ele depende integralmente do
ritmo de vencimento de patentes. Em um ano em que muitas delas caducam
como 2002, quando 11 campeões de venda caíram
no domínio público, entre eles o Prozac os
genéricos florescem. Em anos de poucas patentes o negócio
é pior. O que o tem tornado atraente é que nos últimos
anos ele tem concentrado boa parte do crescimento da indústria.
Pegue-se o caso do Brasil, onde os genéricos foram regulamentados
em 1999 e já representam 6% do mercado anual de US$ 4,5 bilhões.
O crescimento da indústria farmacêutica tradicional
no País foi pouco mais de zero em 2002, enquanto a venda
de genéricos cresceu 80%. Vender genéricos é
uma forma de compensar a estagnação, diz Paulo
Muradian, presidente da Novartis do Brasil. Não há
conflito com o negócio principal. A marca Sandoz será
introduzida no Brasil gradualmente e a troca deve estar concluída
em 18 meses.
Saúde
barata. Parte do surto de crescimento dos genéricos deve-se
à descoberta na América Latina e na Ásia de
algo que os americanos sabem há tempos: as drogas sem patentes
barateiam os custos da saúde. Nos Estados Unidos, onde os
genéricos detêm 42% do mercado, o preço médio
de uma receita é de US$ 10, contra US$ 40 das drogas com
patente. Essa diferença é fundamental para as seguradoras
de saúde, que têm nos medicamentos o seu item mais
importante de custos e aquele que cresce mais rápido. São
ainda mais importantes para os governos, que arcam com os custos
crescentes da saúde pública causados pelo envelhecimento
das populações. Os medicamentos genéricos
tornaram o tratamento de saúde muito mais barato, constatou,
dias atrás, o próprio presidente americano George
W. Bush, amigo e insuspeito defensor da indústria farmacêutica.
Isso sugere que a Sandoz, ao mergulhar de cabeça no mercado
de genéricos, fará algo mais do que defender em outro
terreno os lucros de seus acionistas ajudará, também,
a pôr de pé o setor da indústria farmacêutica
que tem as melhores credenciais sociais. 
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