| RAIO-X
DA SAÚDE |
| Estudo
inédito mostra que as finanças das empresas de
assistência médica estão a caminho da UTI
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Geraldo
Magella
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Graneiro,
da Capitolio: O mercado de planos de saúde
está encolhendo |
É
grave a situação financeira das empresas de saúde
no Brasil. Estudo exclusivo realizado pela consultoria Capitolio
Consulting, de Brasília, mostra que as companhias de seguros
e de planos de saúde estão longe de ter um desempenho
satisfatório. O levantamento foi feito com base nos balanços
dos dois últimos anos de 1 mil das 2.351 operadoras de saúde
registradas na Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS), publicados pela primeira vez no início deste ano conforme
manda a legislação. Segundo a Capitolio, as finanças
do setor estão a caminho da UTI. O faturamento das empresas
tem crescido menos que a inflação. Para um avanço
de 13,6% na receita que saltou de R$ 14,7 bilhões
para R$ 16,7 bilhões entre 2001 e 2002 a inflação
do ano passado foi de 25,3%, segundo o IGP-M. Já as despesas
sobem muito mais. No ano passado, os gastos das operadoras de saúde
somaram R$ 13,3 bilhões, um aumento de 16,6% sobre o ano
anterior. A chamada sinistralidade, indicador que mostra quanto
as empresas gastaram com seus clientes em relação
ao arrecadado com as mensalidades dos planos, pulou de 77,4% em
2001 para 79,4% em 2002. Os especialistas recomendam que esse índice
fique em, no máximo, 75%. Com a perda de poder aquisitivo
da população, muitos participantes trocaram os planos
de saúde pelo SUS. Só que os que ficaram não
são suficientes para fechar a conta das empresas, conclui
o economista Walter Graneiro, sócio-diretor da Capitolio.
O mercado de planos de saúde está encolhendo.
Esse
encolhimento é visível no balanço das empresas.
Um
exemplo é a perda de patrimônio. De acordo com o levantamento
da Capitolio, o ativo imobilizado das operadoras de saúde
caiu
de 33% em 2001 para 26,7%. Muitas dessas empresas estão
se desfazendo de seus patrimônios para cobrir as despesas,
diz Graneiro. Um outro estudo, da consultoria paulista Austin Asis,
mostra que cinco das 22 maiores companhias de seguro e de planos
de saúde analisadas tiveram prejuízo no ano passado.
A saúde financeira dessas empresas está bem
complicada, afirma Simone Escudero, gerente de estudos setoriais
da Austin Asis. Desse jeito, elas não irão sobreviver
por muito tempo.
O
presidente da Associação Brasileira de Medicina de
Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida, admite a gravidade da situação.
Segundo ele, o sistema vem encolhendo nos últimos quatro
anos. Em 2001, eram mais de 41 milhões de usuários
de planos de saúde no País. Hoje, de acordo com a
ANS, o número de usuários é de cerca de 35
milhões. O reajuste das mensalidades, que era livre até
1998, ano da regulamentação do setor, agora é
controlado pela ANS. Para este ano, o reajuste máximo permitido
agora em maio é de 9,27%, taxa menor que os principais índices
de inflação. O resultado é a combinação
de empresários, clientes, médicos, laboratórios
e hospitais insatisfeitos tanto com o que é cobrado quanto
com o que é pago. A combinação de controles
rígidos e baixa rentabilidade acaba desestimulando os investimentos
no setor. Há anos a Itaú Seguros fechou a venda de
novas cotas de seu plano saúde. Em janeiro deste ano, a americana
Cigna vendeu sua unidade de saúde para a Amil e deixou o
País. Mais recentemente, o grupo Silvio Santos arquivou os
planos de criar um plano de saúde popular. O futuro
do setor é muito complicado, avalia Almeida. O
reajuste é pequeno, os gastos são muitos, a sinistralidade
é alta e ninguém está feliz com o que paga.
É o cachorro correndo atrás do rabo.
A
saída para o setor, na avaliação do diretor
da AON Consulting, Valter Hime, está na combinação
de um melhor gerenciamento de custos com a conquista de novos mercados.
Hime sugere um maior investimento nas áreas de prevenção
e de qualidade de vida dos participantes. Na outra ponta, defende
a criação de novos produtos, como planos com coberturas
limitadas, que caibam no orçamento do público de menor
renda. Ou você divide o custo com quem gasta ou evita
que o cliente fique doente, diz Hime. A carteirinha
do plano de saúde não é um cartão de
crédito sem limite. Alguém sempre vai pagar a conta.

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