Veja outros sites:  

 Capa
 Índice
 Exclusivo Online
 Carreira
 Consumo
 Testes
 Galeria de fotos
 Astrologia
 Dicionário
 Especiais
 Editorias
 E-Commerce
 Economia
 Entrevista
 Estilo Dinheiro
 Finanças
 Negócios
 Seu Dinheiro
 Seções
 Editorial
 A Semana
 Cobiça
 Empresas do bem
 Mercado digital
 Mídia & Cia
 Moeda forte
 Poder
 Cartas
 Busca
 Procure outras matérias
 Edições anteriores
 Assinaturas
 Expediente
 Publicidade
 Fale conosco
Assine a Newsletter
 

FINANÇAS

Quarta-feira, 04 de Junho de 2003
RAIO-X DA SAÚDE
Estudo inédito mostra que as finanças das empresas de assistência médica estão a caminho da UTI

Clique aqui para comentar esta reportagem

Leia também Planos doentes

Geraldo Magella

  Ana Paula Paiva/Arte: Evandro Rodrigues
  Graneiro, da Capitolio: “O mercado de planos de saúde está encolhendo”

É grave a situação financeira das empresas de saúde no Brasil. Estudo exclusivo realizado pela consultoria Capitolio Consulting, de Brasília, mostra que as companhias de seguros e de planos de saúde estão longe de ter um desempenho satisfatório. O levantamento foi feito com base nos balanços dos dois últimos anos de 1 mil das 2.351 operadoras de saúde registradas na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), publicados pela primeira vez no início deste ano conforme manda a legislação. Segundo a Capitolio, as finanças do setor estão a caminho da UTI. O faturamento das empresas tem crescido menos que a inflação. Para um avanço de 13,6% na receita – que saltou de R$ 14,7 bilhões para R$ 16,7 bilhões entre 2001 e 2002 – a inflação do ano passado foi de 25,3%, segundo o IGP-M. Já as despesas sobem muito mais. No ano passado, os gastos das operadoras de saúde somaram R$ 13,3 bilhões, um aumento de 16,6% sobre o ano anterior. A chamada sinistralidade, indicador que mostra quanto as empresas gastaram com seus clientes em relação ao arrecadado com as mensalidades dos planos, pulou de 77,4% em 2001 para 79,4% em 2002. Os especialistas recomendam que esse índice fique em, no máximo, 75%. “Com a perda de poder aquisitivo da população, muitos participantes trocaram os planos de saúde pelo SUS. Só que os que ficaram não são suficientes para fechar a conta das empresas”, conclui o economista Walter Graneiro, sócio-diretor da Capitolio. “O mercado de planos de saúde está encolhendo.”

Esse encolhimento é visível no balanço das empresas. Um
exemplo é a perda de patrimônio. De acordo com o levantamento
da Capitolio, o ativo imobilizado das operadoras de saúde caiu
de 33% em 2001 para 26,7%. “Muitas dessas empresas estão se desfazendo de seus patrimônios para cobrir as despesas”, diz Graneiro. Um outro estudo, da consultoria paulista Austin Asis, mostra que cinco das 22 maiores companhias de seguro e de planos de saúde analisadas tiveram prejuízo no ano passado. “A saúde financeira dessas empresas está bem complicada”, afirma Simone Escudero, gerente de estudos setoriais da Austin Asis. “Desse jeito, elas não irão sobreviver por muito tempo.”

O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida, admite a gravidade da situação. Segundo ele, o sistema vem encolhendo nos últimos quatro anos. Em 2001, eram mais de 41 milhões de usuários de planos de saúde no País. Hoje, de acordo com a ANS, o número de usuários é de cerca de 35 milhões. O reajuste das mensalidades, que era livre até 1998, ano da regulamentação do setor, agora é controlado pela ANS. Para este ano, o reajuste máximo permitido agora em maio é de 9,27%, taxa menor que os principais índices de inflação. O resultado é a combinação de empresários, clientes, médicos, laboratórios e hospitais insatisfeitos tanto com o que é cobrado quanto com o que é pago. A combinação de controles rígidos e baixa rentabilidade acaba desestimulando os investimentos no setor. Há anos a Itaú Seguros fechou a venda de novas cotas de seu plano saúde. Em janeiro deste ano, a americana Cigna vendeu sua unidade de saúde para a Amil e deixou o País. Mais recentemente, o grupo Silvio Santos arquivou os planos de criar um plano de saúde popular. “O futuro do setor é muito complicado”, avalia Almeida. “O reajuste é pequeno, os gastos são muitos, a sinistralidade é alta e ninguém está feliz com o que paga. É o cachorro correndo atrás do rabo.”

A saída para o setor, na avaliação do diretor da AON Consulting, Valter Hime, está na combinação de um melhor gerenciamento de custos com a conquista de novos mercados. Hime sugere um maior investimento nas áreas de prevenção e de qualidade de vida dos participantes. Na outra ponta, defende a criação de novos produtos, como planos com coberturas limitadas, que caibam no orçamento do público de menor renda. “Ou você divide o custo com quem gasta ou evita que o cliente fique doente”, diz Hime. “A carteirinha do plano de saúde não é um cartão de crédito sem limite. Alguém sempre vai pagar a conta.”

FÓRUM 1
O PIB brasileiro
encolheu 0,1%,
segundo o IBGE. O
jornal The New York Times gostou e
publicou reportagem
com o título “Boas notícias do Brasil”.
Boas para quem,
cara-pálida?
FÓRUM 2
Para o BC, os reajustes salariais do 1º trimestres foram alguns dos principais culpados pela manutenção da
taxa de juros em
26,5 ao ano. Meu
Deus, o que é isso?
ENQUETE

O governo impediu a CPI do Banestado, que apuraria a remessa ilegal de US$ 30 bilhões para o exterior. Há uma lista na PF com nomes de empresários e políticos de vários partidos. Para você:

• O PT está na lista
• O PT não está
na lista
Vote aqui

 

© Copyright 1996/2002 Editora Três