| FIM
DE VIAGEM PARA STELLA BARROS |
| Dívida
de R$ 15 milhões leva operadora, controlada pelo Citi,
à falência |
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Roteiro
preferido: Disney era o principal destino antes da alta
do dólar |
A vovó Stella Barros, responsável
pelo embarque de várias gerações à Disneylândia,
saiu de cena. Na quarta-feira 12, a controladora da Stella Barros,
nos Estados Unidos, a Travel YA, ligada ao Citibank, pediu auto-falência,
em mais um episódio do ocaso da internet. A Travel YA tinha
planos de ser o maior portal de viagens da América Latina.
Para isso, adquiriu grandes agências de turismo da região.
Entre elas a Stella Barros, um negócio avaliado em US$ 20
milhões. Mas as estimativas de vendas pela rede não
se confirmaram, principalmente depois dos atentados terroristas
de 11 de setembro. Para compensar a redução dos clientes,
o fundo americano Citicorp Venture Capital, principal acionista
da holding, ainda fez um novo aporte de US$ 2 milhões na
empresa brasileira em 2001. O movimento final da Travel YA forçou
a Stella Barros e seguir o mesmo caminho da matriz. Na quinta-feira
13, a operadora encaminhou pedido de falência à Justiça
paulista. A situação por aqui era ainda pior, por
conta das oscilações cambiais. As dívidas de
R$ 15 milhões com bancos, companhias aéreas e hotéis
levaram a Stella Barros a fechar as portas depois de quase 40 anos
de atuação no mercado.
A
agência foi fundada em 1965. Na época, a própria
vovó Stella, que hoje tem 94 anos, organizava as viagens
e guiava os turistas. Um de seus roteiros preferidos era Foz do
Iguaçu. Depois vieram as cataratas do Niagara e os roteiros
pelos parques temáticos da Disneylândia, que tornou-se
o passeio símbolo da empresa. A vovó e sua substituta,
a tia Augusta, eram tão populares quanto o próprio
Mickey Mouse para qualquer família brasileira de classe média.
Em épocas áureas, a agência chegou a transportar
25 mil passageiros por ano. Os problemas começaram em 1998,
ano da Copa do Mundo. Na ocasião, a Stella Barros fazia parte
de um pool de operadoras que vendeu pacotes para a competição,
na França, por intermédio da SBTR, credenciada pela
Confederação Brasileira de Futebol. As empresas acusaram
a SBTR de agir de má-fé, por fornecer apenas 2.750
ingressos, dos 3.600 que já haviam sido pagos. O episódio
arranhou a imagem de todos os envolvidos.
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Vovó
Stella: Afastada dos negócios desde a venda
ao Citibank, em 2000 |
Com
a imagem em baixa, o jeito foi vender a empresa ao Citicorp. Teria
sido uma boa solução não fosse o atentado ao
World Trade Center derrubar a indústria do turismo no mundo
todo. O efeito imediato foi a alta do dólar e a crise ficou
cada vez mais evidente. Ao final de 2002, o faturamento da Stella
Barros, que chegava a US$ 40 milhões, estava reduzido a menos
da metade. Depois de mais de 30 anos focando suas atividades em
viagens internacionais, a empresa esqueceu-se de olhar para o mercado
interno. Quando tentou voltar, descobriu que não tinha o
mesmo prestígio que os concorrentes junto aos fornecedores
do setor. O jeito foi diminuir o número de pacotes. “Tentamos
embarcar todos os clientes, mas não foi possível”,
lamentou Luís Barros, filho de Stella e atual administrador
da empresa. Agora, eles negociam com outras operadoras o embarque
desses passageiros. Pelo menos não foi um fim tão
traumático quanto o da também tradicional Soletur.
Esta ainda vendia pacotes às vésperas de pedir falência,
em outubro de 2001. Quase 10 mil pessoas não puderam viajar.
Os 250 credores amargaram prejuízos de R$ 30 milhões
e 450 funcionários perderam seus empregos de uma hora para
outra. Ao chegar para trabalhar no dia 25 de outubro de 2001, eles
simplesmente encontraram todas as filiais da Soletur com as portas
lacradas.
Na
sexta-feira, 14, os franqueados da Stella Barros prometiam cumprir
todos os compromissos com os consumidores. Ao
mesmo tempo, já providenciavam a retirada da logomarca
Stella Barros de suas fachadas. Devem substituí-la em breve
pela X-Virtual, empresa que divulga seus pacotes turísticos
em um canal de TV por assinatura. De acordo com Francisco
Fanizze Neto, presidente da Associação de empresas
franqueadas Stella Barros, os últimos detalhes do contrato
para ter a nova bandeira estão sendo fechados. 
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