| DIESEL
COMBUSTÍVEL DA MODA |
Como
o designer italiano Renzo Rosso criou a marca de jeans
mais cobiçada do mundo e um império de US$ 650
milhões |
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Christian
Carvalho Cruz
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Veja
só se o romântico Giuseppe Tornatore, diretor de Cinema
Paradiso, não faria a festa com um roteiro deste nas mãos.
Num vilarejo do norte da Itália chamado Brugine, onde as
notícias só chegam pela boca do padre, o menino Renzo
Rosso enfrenta o maior dilema da sua vida. Filho de agricultores,
ele odeia a lida na terra e quer ganhar o mundo. Mas tampouco
gosta de estudar, o que teoricamente lhe garantiria a realização
de alguns sonhos. Sem saída, o garoto se matricula numa escola
de moda em Veneza. “Numa só tacada, eu saio de Brugine
e consigo um diploma sem muito esforço”, pensou. Na
mosca. Rosso não imaginava, porém, que lá pela
metade o filme sofreria uma grande reviravolta. O rapaz acabou se
apaixonando pela indústria têxtil, descobriu-se um
administrador de mão cheia e deu no que deu: inventou a Diesel,
a marca de jeans mais cara e cobiçada da atualidade, vendida
em 80 países, admirada por gente como Bruce Willis, Gisele
Bündchen, Karl Lagerfeld, Tom Cruise, e que faturou US$ 650
milhões no ano passado. “Comecei desenhando roupas
para mim e para os meus amigos”, disse Rosso em entrevista
à DINHEIRO. “Queria dinheiro para comprar uma lambreta,
só isso. Mas acabei indo um pouco mais longe.”
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Rosso:
30 novas lojas por ano e calças que custam US$ 200 |
E como.
Rosso, de 48 anos, jamais imaginou cobrar US$ 200 por um jeans;
abrir 180 lojas ao redor do mundo, 30 por ano, de Tóquio
a Nova York; vender seu produto na Jordânia, nas Ilhas Maurício;
comandar 2 mil funcionários; ser apontado pela consultoria
Ernest & Young uma das cem personalidades mais influentes do
século 20; faturar R$ 20 milhões no Brasil. Mas ele
conseguiu. E em apenas duas décadas. A Diesel foi fundada
em 1978 por ele e Adriano Goldschmied, dono de uma confecção
na Itália e seu primeiro patrão. Os dois escolheram
o nome Diesel por se tratar de uma palavra pronunciada da mesma
forma em diversos idiomas. A idéia era ter um produto jovem
e internacional. Mas por muito tempo, conhecida apenas no underground
da moda européia, a marca ficou perdida no portfólio
de Goldschmied, que contava com outras 14 etiquetas. Rosso então
decidiu comprá-la em 1985, para tentar sozinho o que não
havia conseguido como sócio. “Eu achava que o jeans
Diesel devia ser um estado de espírito”, conta.
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