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NEGÓCIOS

Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2003
continua...
DIESEL COMBUSTÍVEL DA MODA
Como o designer italiano Renzo Rosso criou a marca de jeans
mais cobiçada do mundo e um império de US$ 650 milhões

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Christian Carvalho Cruz

  Fotos: Ana Paula Paiva

Veja só se o romântico Giuseppe Tornatore, diretor de Cinema Paradiso, não faria a festa com um roteiro deste nas mãos. Num vilarejo do norte da Itália chamado Brugine, onde as notícias só chegam pela boca do padre, o menino Renzo Rosso enfrenta o maior dilema da sua vida. Filho de agricultores, ele odeia a lida na terra e quer ganhar o mundo. Mas tampouco
gosta de estudar, o que teoricamente lhe garantiria a realização de alguns sonhos. Sem saída, o garoto se matricula numa escola de moda em Veneza. “Numa só tacada, eu saio de Brugine e consigo um diploma sem muito esforço”, pensou. Na mosca. Rosso não imaginava, porém, que lá pela metade o filme sofreria uma grande reviravolta. O rapaz acabou se apaixonando pela indústria têxtil, descobriu-se um administrador de mão cheia e deu no que deu: inventou a Diesel, a marca de jeans mais cara e cobiçada da atualidade, vendida em 80 países, admirada por gente como Bruce Willis, Gisele Bündchen, Karl Lagerfeld, Tom Cruise, e que faturou US$ 650 milhões no ano passado. “Comecei desenhando roupas para mim e para os meus amigos”, disse Rosso em entrevista à DINHEIRO. “Queria dinheiro para comprar uma lambreta, só isso. Mas acabei indo um pouco mais longe.”

  Fotos: Ana Paula Paiva
  Rosso: 30 novas lojas por ano e calças que custam US$ 200

E como. Rosso, de 48 anos, jamais imaginou cobrar US$ 200 por um jeans; abrir 180 lojas ao redor do mundo, 30 por ano, de Tóquio a Nova York; vender seu produto na Jordânia, nas Ilhas Maurício; comandar 2 mil funcionários; ser apontado pela consultoria Ernest & Young uma das cem personalidades mais influentes do século 20; faturar R$ 20 milhões no Brasil. Mas ele conseguiu. E em apenas duas décadas. A Diesel foi fundada em 1978 por ele e Adriano Goldschmied, dono de uma confecção na Itália e seu primeiro patrão. Os dois escolheram o nome Diesel por se tratar de uma palavra pronunciada da mesma forma em diversos idiomas. A idéia era ter um produto jovem e internacional. Mas por muito tempo, conhecida apenas no underground da moda européia, a marca ficou perdida no portfólio de Goldschmied, que contava com outras 14 etiquetas. Rosso então decidiu comprá-la em 1985, para tentar sozinho o que não havia conseguido como sócio. “Eu achava que o jeans Diesel devia ser um estado de espírito”, conta.

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