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-COMMERCE Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2002
O MUNDO SEGUNDO GOOGLE
A mais badalada empresa da internet conseguiu em quatro anos se tornar tão universal quanto os automóveis e já fatura US$ 100 milhões

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Duda Teixeira

  Peter Dasilva/NYT

O site de buscas Google é uma empresa de internet muito, muito especial. Cresceu quando a bolha das pontocom estava murchando. Na primeira olhada, graficamente, a sua página não empolga. Não há cores berrantes, bonecos falantes ou serviços de e-mail gratuito à disposição. Outra característica: seus fundadores declararam diversas vezes que não têm interesse em abrir o capital da companhia para vender ações, mesmo com montes de pedidos nessa direção. A turma do Google é assim. Eles criaram um mundo próprio e não emitem sinais de querer mudar um modelo que gera receita de US$ 100 milhões por ano, que talvez dobre em 2003. O Google é um sucesso de público e crítica, e seu charme está exatamente naquilo que não se encontra hoje no mundo virtual: simplicidade e objetividade.

  Bloomberg News
  Popular: Por dia, o Google recebe 150 milhões de consultas no site

Este verdadeiro universo foi criado, em 1998, à imagem e semelhança de dois estudantes de graduação da Universidade de Stanford, Larry Page e Sergey Brin. Nasceu porque a dupla ficou entediada em pesquisar em sites que consideravam pesados e ineficientes. Quando surgiu, o Google era mais um serviço de buscas no universo de dezenas de similares e com concorrentes de peso, como o Yahoo e o Altavista. Prático e ágil, ele se tornou o quarto maior na sua categoria, sendo que o primeiro e o terceiro do ranking (Yahoo e America On Line) usam a tecnologia Google para aprimorar suas pesquisas. Por dia, o Google responde 150 milhões de perguntas. São 10 mil computadores de grande porte trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, para emitir respostas que, em alguns casos, demoram três centésimos de segundo.

Por trás dessa estratégia há um intrigante modelo de negócios baseado em um sistema de propaganda diferenciado do resto do mercado. A maior parte da receita vem da venda de palavras. Qualquer empresa pode comprar palavras-chaves a partir de uma tela do site. Feito isso, quando alguém escreve esse mesmo termo numa busca qualquer, um pequeno quadrado aparecerá à direita dos resultados com um link para a companhia ou para seus produtos. Ao digitar “palmtop”, por exemplo, um usuário brasileiro visualiza um quadrado com duas linhas de texto que remete à página da MobileWare, uma pequena empresa de cinco pessoas em Niterói, Rio de Janeiro. Ao todo, a MobileWare comprou 30 palavras-chave, incluindo “wireless”, “PDA” e outras relacionadas ao seu principal negócio: a computação sem-fio. Cada vez que o retângulo é publicado na tela de um computador, a empresa paga US$ 0,05 ao Google. “Comparando com outras formas de fazer propaganda, o Google é uma das mais baratas e tem um alcance muito bom”, diz Josué Freitas, diretor da MobileWare. A solução, chamada de “link patrocinado”, deu tão certo que foi copiada pelo Yahoo.

  Peter Dasilva/NYT
  Page (esq.) e Brin (dir.): Criaram o site em 1998, que é hoje o quarto em audiência

Modelo vencedor, o Google mostra que a inventividade e a objetividade, características determinantes no início da internet, ainda prevalecem sobre a pirotecnia que tomou conta da rede. Quando o automóvel foi inventado no final do século 19, as quatro rodas já estavam presentes. Mesmo com o avanço da tecnologia, do aumento da velocidade, até hoje ninguém quis arriscar ter um carro com seis rodas. Na internet, essa lição está sendo aprendida com o Google. Sozinha, a empresa conseguiu se tornar tão universal quanto os automóveis. O serviço opera em 86 diferentes linguagens, sempre seguindo a máxima do seu mundo: a criatividade aliada à simplicidade.

FÓRUM 1
Dólar e risco-país
caíram, a Bolsa subiu
e o FMI afrouxou as metas de inflação. E
o medo do governo
Lula, ficou onde?
FÓRUM 2
O IBGE mudou neste dezembro seu método
de pesquisa de
emprego. Com
o novo mecanismo,
a taxa de desemprego médio anual saltou imediatamente de 7,3% para 10,9%
da força de trabalho. Quem está
enganando quem?
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