| O
MUNDO SEGUNDO GOOGLE |
| A
mais badalada empresa da internet conseguiu em quatro anos se
tornar tão universal quanto os automóveis e já
fatura US$ 100 milhões |
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Duda
Teixeira
O
site de buscas Google é uma empresa de internet muito, muito
especial. Cresceu quando a bolha das pontocom estava murchando.
Na primeira olhada, graficamente, a sua página não
empolga. Não há cores berrantes, bonecos falantes
ou serviços de e-mail gratuito à disposição.
Outra característica: seus fundadores declararam diversas
vezes que não têm interesse em abrir o capital da companhia
para vender ações, mesmo com montes de pedidos nessa
direção. A turma do Google é assim. Eles criaram
um mundo próprio e não emitem sinais de querer mudar
um modelo que gera receita de US$ 100 milhões por ano, que
talvez dobre em 2003. O Google é um sucesso de público
e crítica, e seu charme está exatamente naquilo que
não se encontra hoje no mundo virtual: simplicidade e objetividade.
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Popular:
Por dia, o Google recebe 150 milhões de consultas no
site |
Este
verdadeiro universo foi criado, em 1998, à imagem e semelhança
de dois estudantes de graduação da Universidade de
Stanford, Larry Page e Sergey Brin. Nasceu porque a dupla ficou
entediada em pesquisar em sites que consideravam pesados e ineficientes.
Quando surgiu, o Google era mais um serviço de buscas no
universo de dezenas de similares e com concorrentes de peso, como
o Yahoo e o Altavista. Prático e ágil, ele se tornou
o quarto maior na sua categoria, sendo que o primeiro e o terceiro
do ranking (Yahoo e America On Line) usam a tecnologia Google para
aprimorar suas pesquisas. Por dia, o Google responde 150 milhões
de perguntas. São 10 mil computadores de grande porte trabalhando
24 horas por dia, sete dias por semana, para emitir respostas que,
em alguns casos, demoram três centésimos de segundo.
Por
trás dessa estratégia há um intrigante modelo
de negócios baseado em um sistema de propaganda diferenciado
do resto do mercado. A maior parte da receita vem da venda de palavras.
Qualquer empresa pode comprar palavras-chaves a partir de uma tela
do site. Feito isso, quando alguém escreve esse mesmo termo
numa busca qualquer, um pequeno quadrado aparecerá à
direita dos resultados com um link para a companhia ou para seus
produtos. Ao digitar “palmtop”, por exemplo, um usuário
brasileiro visualiza um quadrado com duas linhas de texto que remete
à página da MobileWare, uma pequena empresa de cinco
pessoas em Niterói, Rio de Janeiro. Ao todo, a MobileWare
comprou 30 palavras-chave, incluindo “wireless”, “PDA”
e outras relacionadas ao seu principal negócio: a computação
sem-fio. Cada vez que o retângulo é publicado na tela
de um computador, a empresa paga US$ 0,05 ao Google. “Comparando
com outras formas de fazer propaganda, o Google é uma das
mais baratas e tem um alcance muito bom”, diz Josué
Freitas, diretor da MobileWare. A solução, chamada
de “link patrocinado”, deu tão certo que foi
copiada pelo Yahoo.
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(esq.) e Brin (dir.): Criaram o site em 1998, que é
hoje o quarto em audiência |
Modelo
vencedor, o Google mostra que a inventividade e a objetividade,
características determinantes no início da internet,
ainda prevalecem sobre a pirotecnia que tomou conta da rede. Quando
o automóvel foi inventado no final do século 19, as
quatro rodas já estavam presentes. Mesmo com o avanço
da tecnologia, do aumento da velocidade, até hoje ninguém
quis arriscar ter um carro com seis rodas. Na internet, essa lição
está sendo aprendida com o Google. Sozinha, a empresa conseguiu
se tornar tão universal quanto os automóveis. O serviço
opera em 86 diferentes linguagens, sempre seguindo a máxima
do seu mundo: a criatividade aliada à simplicidade. 
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