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FINANÇAS

Quarta-feira, 04 de Dezembro de 2002
BANQUEIRO AOS 60
Em vez de se aposentar, ele comprou um pequeno
banco. Hoje é sócio da gigante GE Capital

Paula Pavon

  Ana Paula Paiva
  Índio da Costa, do Cruzeiro do Sul: Ganhos com crédito a funcionários públicos

O advogado Luís Felipe Índio da Costa virou banqueiro numa idade em que seus colegas pensavam na aposentadoria. Em 1993, ele tinha 62 anos e era diretor de uma corretora. Ao receber uma proposta para comprar a licença de um banco desativado, o Cruzeiro do Sul, Luís Felipe resolveu arriscar. Largou o emprego, comprou a carta patente e construiu a instituição financeira do zero. O pequeno banco encontrou um filão pouco explorado de negócios e chamou a atenção de um dos maiores grupos financeiros do mundo, a GE Capital. Com essa associação inesperada, o Cruzeiro do Sul ganhou um fôlego surpreendente para um banco com menos de dez anos de idade. Desde o início do ano, sua carteira de empréstimos foi multiplicada por dez. Seu patrimônio saltou de R$ 4 milhões, em 1994, para R$ 70 milhões. Aos 71 anos, o novo banqueiro brasileiro quer mais. Ele comprou uma distribuidora de valores e vai lançar uma financeira e uma seguradora. “O Brasil muda numa velocidade incrível”, diz Luís Felipe. “E aí surgem as oportunidades para bancos de nicho, como o nosso.”

A história do Cruzeiro do Sul contraria o senso comum do mercado financeiro. Luís Felipe conta que decidiu comprar o banco antes do Real. Até aquele momento, o Cruzeiro do Sul era apenas um título registrado no Banco Central e uma sala abandonada na sede do grupo que fabricava o pão Pullman, no Rio de Janeiro. Executivo com 30 anos de experiência em distribuidoras, corretoras e bancos, Luís Felipe achou que era uma boa hora para arriscar. Com a entrada do Real, o valor do dólar despencou. Assim como outras instituições financeiras, o Cruzeiro do Sul apostou nas operações de câmbio e se deu bem, trazendo dólar barato do exterior e emprestando em reais.

A boa oportunidade aproveitada pelo Cruzeiro do Sul não durou muito tempo e o novo banqueiro precisou girar o leme rapidamente para não naufragar. Com a queda da inflação, os ganhos com a ciranda financeira despencaram e muitos bancos quebraram, como o Econômico, o Nacional e o Bamerindus. Os grandes bancos cortaram o crédito do Cruzeiro do Sul porque temiam que ele quebrasse. Na época, um alto dirigente do Banco Central deu um conselho a Luís Felipe. “Desista do negócio enquanto é tempo”, disse. “Não há mais espaço no Brasil para bancos pequenos.” Ser banqueiro não era o sonho da vida de Luís Felipe, mas ele não queria desistir tão rápido e resolveu buscar uma nova oportunidade.

O espaço que o Cruzeiro do Sul encontrou foi o de emprestar dinheiro para funcionários públicos. Começou timidamente, em círculos de militares. O negócio deu certo e ele espalhou gerentes – ou vendedores – em repartições públicas municipais, estaduais, federais. O sistema é simples: o Cruzeiro do Sul faz acordo para descontar as prestações na folha de pagamentos e coloca seus funcionários com uma mesa, uma cadeira e uma placa com o nome do banco nas repartições. Como o pagamento é descontado do salário, a inadimplência é quase nula e o banco pode cobrar juros mais baixos do que os grandes concorrentes – o que atrai o interesse dos servidores públicos. O negócio prosperou tanto que chamou a atenção de grandes concorrentes e Luís Felipe teve de mudar novamente.

Desta vez, a saída foi se associar à GE Capital, um gigante com ativos de US$ 422 bilhões em todo o mundo. Funcionários da GE vasculharam cada linha da contabilidade do Cruzeiro do Sul e toparam a parceria. A multinacional passou a fornecer recursos para que o banco os emprestasse. A associação deu tanto fôlego ao Cruzeiro do Sul que a carteira de crédito se multiplicou por dez em um ano, atingindo R$ 30 milhões. Entusiasmado, Luís Felipe comprou o controle da distribuidora Bancredi, montou uma seguradora e uma financeira. Ele quer oferecer seguros para os servidores públicos e financiamentos para compra de carros. Nove anos depois de ter virado banqueiro, ele não quer parar tão cedo. “Não seremos um Bradesco ou um Itaú, mas temos um espaço enorme para crescer.”

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Com uma dívida estimada em R$ 8 bilhões, a situação
da Varig é muito
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