| BANQUEIRO
AOS 60 |
Em
vez de se aposentar, ele comprou um pequeno
banco. Hoje é sócio da gigante GE Capital |
Paula
Pavon
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Índio
da Costa, do Cruzeiro do Sul: Ganhos com crédito
a funcionários públicos |
O advogado Luís Felipe Índio da Costa
virou banqueiro numa idade em que seus colegas pensavam na aposentadoria.
Em 1993, ele tinha 62 anos e era diretor de uma corretora. Ao receber
uma proposta para comprar a licença de um banco desativado,
o Cruzeiro do Sul, Luís Felipe resolveu arriscar. Largou
o emprego, comprou a carta patente e construiu a instituição
financeira do zero. O pequeno banco encontrou um filão pouco
explorado de negócios e chamou a atenção de
um dos maiores grupos financeiros do mundo, a GE Capital. Com essa
associação inesperada, o Cruzeiro do Sul ganhou um
fôlego surpreendente para um banco com menos de dez anos de
idade. Desde o início do ano, sua carteira de empréstimos
foi multiplicada por dez. Seu patrimônio saltou de R$ 4 milhões,
em 1994, para R$ 70 milhões. Aos 71 anos, o novo banqueiro
brasileiro quer mais. Ele comprou uma distribuidora de valores e
vai lançar uma financeira e uma seguradora. “O Brasil
muda numa velocidade incrível”, diz Luís Felipe.
“E aí surgem as oportunidades para bancos de nicho,
como o nosso.”
A história do Cruzeiro do Sul contraria
o senso comum do mercado financeiro. Luís Felipe conta que
decidiu comprar o banco antes do Real. Até aquele momento,
o Cruzeiro do Sul era apenas um título registrado no Banco
Central e uma sala abandonada na sede do grupo que fabricava o pão
Pullman, no Rio de Janeiro. Executivo com 30 anos de experiência
em distribuidoras, corretoras e bancos, Luís Felipe achou
que era uma boa hora para arriscar. Com a entrada do Real, o valor
do dólar despencou. Assim como outras instituições
financeiras, o Cruzeiro do Sul apostou nas operações
de câmbio e se deu bem, trazendo dólar barato do exterior
e emprestando em reais.
A boa oportunidade aproveitada pelo Cruzeiro do
Sul não durou muito tempo e o novo banqueiro precisou girar
o leme rapidamente para não naufragar. Com a queda da inflação,
os ganhos com a ciranda financeira despencaram e muitos bancos quebraram,
como o Econômico, o Nacional e o Bamerindus. Os grandes bancos
cortaram o crédito do Cruzeiro do Sul porque temiam que ele
quebrasse. Na época, um alto dirigente do Banco Central deu
um conselho a Luís Felipe. “Desista do negócio
enquanto é tempo”, disse. “Não há
mais espaço no Brasil para bancos pequenos.” Ser banqueiro
não era o sonho da vida de Luís Felipe, mas ele não
queria desistir tão rápido e resolveu buscar uma nova
oportunidade.
O espaço que o Cruzeiro do Sul encontrou
foi o de emprestar dinheiro para funcionários públicos.
Começou timidamente, em círculos de militares. O negócio
deu certo e ele espalhou gerentes – ou vendedores –
em repartições públicas municipais, estaduais,
federais. O sistema é simples: o Cruzeiro do Sul faz acordo
para descontar as prestações na folha de pagamentos
e coloca seus funcionários com uma mesa, uma cadeira e uma
placa com o nome do banco nas repartições. Como o
pagamento é descontado do salário, a inadimplência
é quase nula e o banco pode cobrar juros mais baixos do que
os grandes concorrentes – o que atrai o interesse dos servidores
públicos. O negócio prosperou tanto que chamou a atenção
de grandes concorrentes e Luís Felipe teve de mudar novamente.
Desta vez, a saída foi se associar à
GE Capital, um gigante com ativos de US$ 422 bilhões em todo
o mundo. Funcionários da GE vasculharam cada linha da contabilidade
do Cruzeiro do Sul e toparam a parceria. A multinacional passou
a fornecer recursos para que o banco os emprestasse. A associação
deu tanto fôlego ao Cruzeiro do Sul que a carteira de crédito
se multiplicou por dez em um ano, atingindo R$ 30 milhões.
Entusiasmado, Luís Felipe comprou o controle da distribuidora
Bancredi, montou uma seguradora e uma financeira. Ele quer oferecer
seguros para os servidores públicos e financiamentos para
compra de carros. Nove anos depois de ter virado banqueiro, ele
não quer parar tão cedo. “Não seremos
um Bradesco ou um Itaú, mas temos um espaço enorme
para crescer.” 
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