| O TEMPERO
DA HOOTERS |
Cadeia
americana abre primeira loja em São Paulo com tudo
o que tem direito: hambúrgueres gigantes, filas, verba do BNDES
e garçonetes atraentes |
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Christian
Carvalho Cruz
Engravatados,
adolescentes, senhores grisalhos. A clientela é diversificada
e a fila na calçada exige paciência. São 15
minutos só para entrar. E pelo menos mais 20 até vagar
uma mesa. Bem-vindo ao Hooters, o novo fenômeno gastronômico
de São Paulo. Um restaurante-bar-lanchonete aberto há
menos de um mês e que vem surpreendendo o setor.
Franquia de uma rede americana com 300 lojas e 20 mil funcionários
no mundo, a filial brasileira atende 750 pessoas por dia (e tem
capacidade para 250). Qual o segredo? “Servir boa comida num
ambiente irreverente”, explica Manuel Caldeira, diretor-financeiro
da empresa. Traduzindo: fazer os pratos chegar às mesas pelas
mãos de garçonetes metidas em camisetas brancas agarradas
e shortinhos alaranjados no melhor estilo loura do Tchan.
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Seleção
Rigorosa: Das 300 candidatas, só 30 passaram
pelos testes feitos por empresa de RH
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O dono
do negócio prefere manter sua identidade em segredo. Mas
se serve como pista, o executivo Caldeira trabalhou nos bancos Mercantil
e Itaú e na corretora Linear de Ibrahim Eris. É um
expert em fundos. Apesar do jogo de esconde-esconde, não
pense que alguém está ali para brincar. Tudo é
muito profissional. As garotas foram selecionadas por uma empresa
de RH e, antes, submetidas a testes “rigorosos”. De
300 candidatas, ficaram 30 – as, digamos, com mais conteúdo
para rechear o uniforme de trabalho. “Temos até engenheiras
no staff”, orgulha-se Caldeira. O ponto foi escolhido a dedo:
bairro da Chácara Santo Antônio, quartel-general de
multinacionais como Pfizer, Oracle e Samsung. E as ostras vêm
de Santa Catarina, em avião de carreira, dia sim, dia não.
Caldeira
pretende abrir dez Hooters (coruja ou buzina, em inglês)
em cinco anos. O primeiro, que fechará o mês com faturamento
de R$ 450 mil, exigiu investimentos de R$ 1,6 milhão –
R$ 1,3 milhão financiados pelo BNDES. O empréstimo
saiu em apenas oito
meses, e as más línguas juram que os bons contatos
do misterioso proprietário facilitaram as coisas. Para as
próximas lojas, a idéia é buscar investidores
dispostos a comprar cotas do negócio. E divulgar o lado família
da casa. “Temos quebra-cabeças para distrair as crianças”,
diz o diretor.

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