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NEGÓCIOS

Quarta-feira, 13 de Novembro de 2002
O TEMPERO DA HOOTERS
Cadeia americana abre primeira loja em São Paulo com tudo
o que tem direito: hambúrgueres gigantes, filas, verba do BNDES e garçonetes atraentes

GALERIA DE FOTOS As Hooters

Christian Carvalho Cruz

  Zeca Caldeira

Engravatados, adolescentes, senhores grisalhos. A clientela é diversificada e a fila na calçada exige paciência. São 15 minutos só para entrar. E pelo menos mais 20 até vagar uma mesa. Bem-vindo ao Hooters, o novo fenômeno gastronômico de São Paulo. Um restaurante-bar-lanchonete aberto há menos de um mês e que vem surpreendendo o setor.
Franquia de uma rede americana com 300 lojas e 20 mil funcionários no mundo, a filial brasileira atende 750 pessoas por dia (e tem capacidade para 250). Qual o segredo? “Servir boa comida num ambiente irreverente”, explica Manuel Caldeira, diretor-financeiro da empresa. Traduzindo: fazer os pratos chegar às mesas pelas mãos de garçonetes metidas em camisetas brancas agarradas e shortinhos alaranjados no melhor estilo loura do Tchan.

  Zeca Caldeira
 

Seleção Rigorosa: Das 300 candidatas, só 30 passaram pelos testes feitos por empresa de RH

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O dono do negócio prefere manter sua identidade em segredo. Mas se serve como pista, o executivo Caldeira trabalhou nos bancos Mercantil e Itaú e na corretora Linear de Ibrahim Eris. É um expert em fundos. Apesar do jogo de esconde-esconde, não pense que alguém está ali para brincar. Tudo é muito profissional. As garotas foram selecionadas por uma empresa de RH e, antes, submetidas a testes “rigorosos”. De 300 candidatas, ficaram 30 – as, digamos, com mais conteúdo para rechear o uniforme de trabalho. “Temos até engenheiras no staff”, orgulha-se Caldeira. O ponto foi escolhido a dedo: bairro da Chácara Santo Antônio, quartel-general de multinacionais como Pfizer, Oracle e Samsung. E as ostras vêm de Santa Catarina, em avião de carreira, dia sim, dia não.

Caldeira pretende abrir dez Hooters (coruja ou buzina, em inglês)
em cinco anos. O primeiro, que fechará o mês com faturamento de R$ 450 mil, exigiu investimentos de R$ 1,6 milhão – R$ 1,3 milhão financiados pelo BNDES. O empréstimo saiu em apenas oito
meses, e as más línguas juram que os bons contatos do misterioso proprietário facilitaram as coisas. Para as próximas lojas, a idéia é buscar investidores dispostos a comprar cotas do negócio. E divulgar o lado família da casa. “Temos quebra-cabeças para distrair as crianças”, diz o diretor.

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