| NOVO TEMPERO
DE MARIA |
Fabricante
do tradicional óleo ganha fôlego
com capital estrangeiro e produtos diferenciados |
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Singer,
diretor: Previsão de faturar R$ 100 milhões
neste ano |
Há
pessoas que conseguem fazer milagre com pouco dinheiro no bolso.
E há empresas que conseguem literalmente fazer o mesmo com
soluções simples. Esse é o caso da Vida Alimentos,
mais conhecida como a fabricante do óleo Maria. Há
cinco anos, era uma empresa sem crédito no mercado e fadada
ao fracasso. “A situação era tão dramática
que funcionários tinham que dividir um grande mesão
para trabalhar porque não havia mesas e cadeiras em
condições de uso – a maioria estava quebrada”,
lembra seu
diretor comercial, Alberto Singer. Hoje a empresa tem um modesto
caixa e espera fechar o ano com um “lucrinho”, como
diz Singer. “Renascemos das cinzas.”
O
mais notável exemplo de idéia boa e barata foi a criação
dos óleos saborizados (com alho, cebola, ervas finas e manjericão,
entre outros). O produto chegou nas prateleiras e hoje responde
por um terço das vendas do óleo Maria. “Conseguimos
ganhar mercado com os saborizados sem reduzir as vendas do azeite
tradicional. Foi um sucesso”, diz Singer. Em julho deste ano
a Vida Alimentos desferiu outro golpe contra a concorrência.
Desta vez com o lançamento da maionese Maria, que chega para
concorrer com os produtos da Unilever, fabricante das marcas Hellman’s,
Gourmet e Arisco. Singer esperava que a maionese tivesse uma recepção
fria dos supermercadistas, porém o produto foi recebido com
entusiasmo. “Os varejistas, cansados da tirania da Unilever,
dona de 75% do mercado, queriam um produto alternativo para que
pudessem negociar preços com maior liberdade”, diz
Singer. E assim a maionese Maria alcançou em dois meses a
meta de vendas prevista para ocorrer só no sexto mês.
É claro que mudanças administrativas na companhia
também contribuíram para que o faturamento dobrasse
em cinco anos, para R$ 100 milhões em 2002.
A
falta de crédito da empresa e todos seus percalços
remontam ao período anterior a 1997, quando a Vida Alimentos
sequer existia e a marca Maria era de propriedade da empresa JB
Duarte. Com problemas, a JB Duarte deixou de pagar fornecedores,
funcionários, bancos e praticou evasão fiscal. Em
1997, resolveu vender a marca Maria e outros 20 títulos para
uma certa Sterling Lake, empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas
e cujos sócios são desconhecidos. Até hoje,
Singer ou qualquer outro executivo da Vida Alimentos desconversa
quando o assunto é a identidade dos controladores. Após
assumir o negócio, a Sterling Lake alugou a fábrica
da JB Duarte por 20 anos para operar. A transação,
é claro, não foi vista com bons olhos por nenhum daqueles
que se julgavam lesados pela JB Duarte. Apesar de todo o mistério,
a Vida Alimentos renasceu. 
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