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NEGÓCIOS

Quarta-feira, 09 de Outubro de 2002
NOVO TEMPERO DE MARIA
Fabricante do tradicional óleo ganha fôlego
com capital estrangeiro e produtos diferenciados

  Daniel wWainstein
  Singer, diretor: Previsão de faturar R$ 100 milhões neste ano

Há pessoas que conseguem fazer milagre com pouco dinheiro no bolso. E há empresas que conseguem literalmente fazer o mesmo com soluções simples. Esse é o caso da Vida Alimentos, mais conhecida como a fabricante do óleo Maria. Há cinco anos, era uma empresa sem crédito no mercado e fadada ao fracasso. “A situação era tão dramática que funcionários tinham que dividir um grande mesão para trabalhar porque não havia mesas e cadeiras em
condições de uso – a maioria estava quebrada”, lembra seu
diretor comercial, Alberto Singer. Hoje a empresa tem um modesto caixa e espera fechar o ano com um “lucrinho”, como diz Singer. “Renascemos das cinzas.”

O mais notável exemplo de idéia boa e barata foi a criação dos óleos saborizados (com alho, cebola, ervas finas e manjericão, entre outros). O produto chegou nas prateleiras e hoje responde por um terço das vendas do óleo Maria. “Conseguimos ganhar mercado com os saborizados sem reduzir as vendas do azeite tradicional. Foi um sucesso”, diz Singer. Em julho deste ano a Vida Alimentos desferiu outro golpe contra a concorrência. Desta vez com o lançamento da maionese Maria, que chega para concorrer com os produtos da Unilever, fabricante das marcas Hellman’s, Gourmet e Arisco. Singer esperava que a maionese tivesse uma recepção fria dos supermercadistas, porém o produto foi recebido com entusiasmo. “Os varejistas, cansados da tirania da Unilever, dona de 75% do mercado, queriam um produto alternativo para que pudessem negociar preços com maior liberdade”, diz Singer. E assim a maionese Maria alcançou em dois meses a meta de vendas prevista para ocorrer só no sexto mês. É claro que mudanças administrativas na companhia também contribuíram para que o faturamento dobrasse em cinco anos, para R$ 100 milhões em 2002.

A falta de crédito da empresa e todos seus percalços remontam ao período anterior a 1997, quando a Vida Alimentos sequer existia e a marca Maria era de propriedade da empresa JB Duarte. Com problemas, a JB Duarte deixou de pagar fornecedores, funcionários, bancos e praticou evasão fiscal. Em 1997, resolveu vender a marca Maria e outros 20 títulos para uma certa Sterling Lake, empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas e cujos sócios são desconhecidos. Até hoje, Singer ou qualquer outro executivo da Vida Alimentos desconversa quando o assunto é a identidade dos controladores. Após assumir o negócio, a Sterling Lake alugou a fábrica da JB Duarte por 20 anos para operar. A transação, é claro, não foi vista com bons olhos por nenhum daqueles que se julgavam lesados pela JB Duarte. Apesar de todo o mistério, a Vida Alimentos renasceu.

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