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NEGÓCIOS

Quarta-feira, 21 de Agosto de 2002
AS LEGÍTIMAS CORREM O MUNDO

Americanos descobrem o que já virou febre em 41 países:
as Havaianas

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Fabrícia Peixoto

  Zeca Caldeira

Um par de sandálias de borracha é a mais nova sensação nas praias da Califórnia. Revistas de moda, como Elle e Cosmopolitan, não cansam de sugerir as tais “flip-flops” às suas leitoras, numa verdadeira febre. O que os americanos acabam de descobrir os brasileiros conhecem há 40 anos como Havaianas. O destaque mais recente aconteceu no início do mês, quando os chinelos chegaram à capa do Wall Street Journal, um dos mais respeitados jornais americanos. “Agora existe uma marca global de sandálias: Havaianas”, disse Carlos Roza, gerente geral de exportações. Na Califórnia, as sandálias brasileiras viraram peça indispensável no guarda-roupa de surfistas; no verão francês, acompanha jovens mulheres em seus vestidos coloridos, enquanto na fria Ucrânia, é usada com meia. Até a princesa Stephane, de Mônaco, já foi flagrada comprando alguns pares da sandália brasileira. Tudo isso reflexo de uma guinada no setor de exportação da Alpargatas, fabricante das Havaianas. Desde 1998, a empresa paulista deixou de lado uma postura passiva para correr atrás de parceiros internacionais, presentes em 41 países. Desde então as vendas no exterior triplicaram, chegando a 5 milhões de pares no ano passado. “Antes nos contentávamos com alguns poucos clientes que vinham nos procurar. Isso mudou”, diz Carlos Roza, gerente geral de exportação de Havaianas.

  Zeca Caldeira
  Sensação em Mônaco: Sandálias também fazem parte do mundo fashion europeu e chegam a custar US$ 20

Ao contrário do que ocorreu no Brasil, onde as Havaianas passaram de um produto das classes D e E para a glória das passarelas, no mercado externo elas já surgem como artigo de luxo. Na Europa, chegam a custar US$ 20 o par. Descontando impostos e frete, ainda assim o preço fica muito acima dos US$ 3 que os chinelos custam, em média, no Brasil. “Elas precisam custar caro, senão as consumidoras da Galeries Lafayette, na França, não compram”, diz Roza. Mas o pessoal da Alpargatas não faz nenhuma questão de ser elitista. O que eles querem é, em breve, expandir as vendas para outros pontos, como supermercados e lojas de conveniência. Para isso, é preciso ganhar ainda mais popularidade. Além dos investimentos em publicidade (sempre dividida com os distribuidores locais), as sandálias ganharam um bom destaque internacional com a propaganda gratuita feita pelas top models Gisele Bündchen e Naomi Campbel, que já se disseram fãs das Havaianas. A empresa tem se

  Zeca Caldeira
  Marca Global: em 2001, vendas de 5 milhões de pares em 41 países

esforçado também para conquistar os homens. Nesta semana, a marca estréia como patrocinadora de uma das etapas do campeonato nacional de surf dos Estados Unidos. A idéia é fazer a moda pegar, como no Brasil. No ano passado, foram vendidos 120 milhões de pares. “Praticamente cada brasileiro tem o seu”, diz Roza.


 
 
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