| SANTA CRISE |
Recessão
mundial acerta em cheio
as empresas do Vaticano |
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Sacrilégio:
prejuízo da Santa Sé alcançou
US$ 3,1 milhões |
Nem adiantou rezar um terço. A crise que abateu as corporações
no último ano, manchando de vermelho seus balanços,
chegou ao Vaticano, sede da Igreja Católica. Depois de nove
anos de lucros, as finanças da Santa Sé registraram
déficit de US$ 3,1 milhões em 2001. As receitas caíram
9,7% em relação ao último ano, enquanto os
gastos diminuíram apenas 4,1%. Ao anunciar o resultado, na
sexta-feira 5, o cardeal Sergio Sebastiani, presidente da Prefeitura
de Assuntos Econômicos da Santa Sé, atribuiu o resultado
negativo ao curso desfavorável da economia mundial. A
economia sofreu muito. Nosso balanço registra esse fato,
informou. O balanço divide-se em quatro setores: atividades
institucionais, financeiras, imobiliárias e de mídia.
Houve uma queda de quase 50% nas atividades financeiras do Vaticano
como venda de títulos, ações e trocas
de moedas , um incremento na folha de pagamento dos funcionários
da Santa Sé e aumento dos custos da rádio, editora
e jornal LOsservatore Romano. Só o setor de mídia
registrou prejuízo de US$ 20 milhões.
A
notícia pegou a Santa Sé de surpresa. Desde o começo
da década de 90 o homem forte das finanças do Papa,
o cardeal Edmund Szoka, havia conseguido sanear as contas e acabar
com uma rota de 23 anos de prejuízos. A principal mudança
foi o aumento de entradas. O que ele fez foi elevar as contribuições
das centenas de bispos católicos. Essas verbas alcançaram
US$ 51,9 milhões em 2001. Além disso, a situação
só não foi pior porque houve um aumento de 4,7% nas
doações dos mais de 1 bilhão de católicos
espalhados pelo mundo.
Apesar
do prejuízo, a Igreja tem lá suas compensações.
A Santa Sé não se considera uma corporação
com fins lucrativos. E não paga impostos. Além disso,
os ativos do Vaticano chegam a US$ 5 bilhões, segundo informações
da Igreja. E os balanços vermelhos não levam em conta
o lucrativo Banco do Vaticano também conhecido como
Instituto per le Opere di Religione. Os recursos de
US$ 3,2 bilhões que estão em seus cofres-fortes pertencem
aos investidores que vivem na Cidade do Vaticano. Mas os dividendos
das operações são pagos ao Papa João
Paulo II. O pontífice tem ainda 1 mil apartamentos registrados
em seu nome na capital italiana, Roma. 
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