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NEGÓCIOS

Quarta-feira, 17 de Julho de 2002
SANTA CRISE
Recessão mundial acerta em cheio
as empresas do Vaticano

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  Sacrilégio: prejuízo da Santa Sé alcançou
US$ 3,1 milhões


Nem adiantou rezar um terço. A crise que abateu as corporações no último ano, manchando de vermelho seus balanços, chegou ao Vaticano, sede da Igreja Católica. Depois de nove anos de lucros, as finanças da Santa Sé registraram déficit de US$ 3,1 milhões em 2001. As receitas caíram 9,7% em relação ao último ano, enquanto os gastos diminuíram apenas 4,1%. Ao anunciar o resultado, na sexta-feira 5, o cardeal Sergio Sebastiani, presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé, atribuiu o resultado negativo ao curso desfavorável da economia mundial. “A economia sofreu muito. Nosso balanço registra esse fato”, informou. O balanço divide-se em quatro setores: atividades institucionais, financeiras, imobiliárias e de mídia. Houve uma queda de quase 50% nas atividades financeiras do Vaticano – como venda de títulos, ações e trocas de moedas –, um incremento na folha de pagamento dos funcionários da Santa Sé e aumento dos custos da rádio, editora e jornal L’Osservatore Romano. Só o setor de mídia registrou prejuízo de US$ 20 milhões.

A notícia pegou a Santa Sé de surpresa. Desde o começo da década de 90 o homem forte das finanças do Papa, o cardeal Edmund Szoka, havia conseguido sanear as contas e acabar com uma rota de 23 anos de prejuízos. A principal mudança foi o aumento de entradas. O que ele fez foi elevar as contribuições das centenas de bispos católicos. Essas verbas alcançaram US$ 51,9 milhões em 2001. Além disso, a situação só não foi pior porque houve um aumento de 4,7% nas doações dos mais de 1 bilhão de católicos espalhados pelo mundo.

Apesar do prejuízo, a Igreja tem lá suas compensações. A Santa Sé não se considera uma corporação com fins lucrativos. E não paga impostos. Além disso, os ativos do Vaticano chegam a US$ 5 bilhões, segundo informações da Igreja. E os balanços vermelhos não levam em conta o lucrativo Banco do Vaticano – também conhecido como “Instituto per le Opere di Religione”. Os recursos de US$ 3,2 bilhões que estão em seus cofres-fortes pertencem aos investidores que vivem na Cidade do Vaticano. Mas os dividendos das operações são pagos ao Papa João Paulo II. O pontífice tem ainda 1 mil apartamentos registrados em seu nome na capital italiana, Roma.


 
 
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