ROBERTO
BRANT
| "IMPOSTO
SOBRE A FOLHA TEM QUE ACABAR" |
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Ministro
da Previdência promete reduzir encargos
trabalhistas e anuncia intervenção nos fundos de
pensão com rombos atuariais
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Deise
Leobet
Depois
de passar os últimos 11 meses debruçado sobre pilhas
de estudos e estatísticas sobre a Previdência Social,
o ministro Roberto Brant tem uma certeza: é preciso reduzir
a contribuição previdenciária das empresas.
A atual alíquota de 20% paga sobre a folha de pagamento é
na opinião dele uma das principais causas da informalidade
no mercado de trabalho, contribuindo apenas para aumentar o rombo
nas contas públicas. O imposto sobre a folha tem de
acabar, defende. Com os dias contados no Ministério
da Previdência, pois é cotado para disputar o governo
de Minas Gerais pelo PFL, ele articula com a área econômica
projeto para reduzir a contribuição pela metade e
financiar a seguridade com recursos da CPMF. Antes de deixar o Ministério
em abril, porém, esse mineiro de 59 anos promete fazer algum
barulho. Nos próximos dias, anuncia a intervenção
em quatro fundos de pensão que andavam fora da linha.
DINHEIRO
Entra governo, sai governo, a Previdência continua
com problemas. Tem solução?
ROBERTO BRANT A questão previdenciária
é o mais agudo problema fiscal do mundo. No Brasil, pagamos
R$ 75 bilhões por ano para 20 milhões de pessoas.
É a área de maior despesa do governo federal. Mas
beneficiamos cerca de 70 milhões de pessoas, 40% da população
do País. Do lado do financiamento, há déficit
de R$ 13 bilhões.
DINHEIRO
As campanhas para estimular as filiações ao
INSS têm dado resultado?
BRANT Muito pouco. Dos 70 milhões de pessoas
em condições de trabalhar, só 28 milhões
estão formalmente empregadas. É um dos piores problemas
do País. As pessoas que estão na informalidade, porém,
vão adoecer e ficar velhas e não terão proteção
alguma. Inevitavelmente, vão cair nos braços da assistência
social. São imperfeições do mercado de trabalho
brasileiro.
DINHEIRO
Por onde passa a solução?
BRANT Temos de encontrar uma outra maneira de financiar
a Previdência, que não seja com um imposto de 20%,
que é altíssimo e desestimula empresas a contratar.
O imposto sobre a folha está sendo abolido no mundo inteiro
para incentivar a geração de postos de trabalho. Até
o FMI o considera inadequado.
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