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ALEMÃO BOM DE NEGÓCIO
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Schröder
fez o possível e o impossível para agradar. O chanceler
alemão repetiu a cantilena de aproximação comercial
e de mais justiça na relação de países
ricos e pobres como o fizeram, também em passagens recentes
pelo Brasil, o francês Jospin e o inglês Blair. Mas
foi só isso? Parece que desta vez não. O alemão
que se fez acompanhar por 30 empresários e trouxe
na bagagem planos de investimentos, como anunciaram Volks, Siemens
e outras empresas de seu país, que por aqui controlam grandes
empreendimentos é bom de negócio. Para além
dos rapapés e mesuras com o anfitrião, Schröder
detalhou um projeto de integração e trouxe ainda cobranças.
Lembrou que, há mais de sete anos, o Brasil promete assinar
um acordo de proteção e promoção de
investimentos, que está parado no Congresso. O presidente
brasileiro Fernando Henrique deu aval à queixa do alemão
e atribuiu a partidos de oposição a demora na aprovação.
Ainda existem setores que não entenderam o alcance
desses acordos, reclamou FHC. A legítima preocupação
de estrangeiros em proteger investimentos deve, decerto, ser acompanhada
por uma regra clara e equilibrada de remessa de lucros de suas multinacionais
para os países de origem. Só assim, com um acordo
traçado, é possível lançar uma ponte
de intenso comércio multilateral com exportadores de cá
e seus pares do Velho Continente.
Até
hoje, o Brasil continua como parceiro de terceira linha e muito
pouco se tem avançado nesses encontros de autoridades. Gentilezas
não engordam balanças de negócios. Empresários
ansiosos já bocejam diante de promessas vagas. Mas a visita
de Schröder pode ter aberto uma nova fase. Ao contrário
dos demais, que não sustentaram uma única e escassa
proposta com resultados visíveis, Schröder delimitou
caminhos concretos. Segui-los é um bom começo de integração.
Carlos
José Marques
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