| JANELA PARA
O CAOS |
Falências,
demissões, cancelamento de vôos e das encomendas
de jatos. É a aviação na rota da crise
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Por
Mariana Barbosa e Juliana Simão
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| Futuro
Negro: prejuízo de US$ 11 bilhões nos EUA em 2002 |
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Atenção,
senhores passageiros. Aqui quem fala é o comandante. O risco
de ter uma bomba neste avião é quase zero, mas existe.
O risco de ter um terrorista entre nós é quase zero,
mas existe. Nossa única defesa são vocês. Portanto,
se notarem alguma atitude suspeita, ataquem! A
mensagem foi dada da cabine do vôo 963 da American Airlines,
que deixou Seattle na última segunda-feira em direção
a São Paulo. É uma amostra da onda de paranóia
que tomou conta do setor aéreo mundial desde os atentados
terroristas de 11 de setembro, quando quatro aviões de carreira
foram usados como armas de destruição nos Estados
Unidos. Para tentar restabelecer a confiança dos passageiros
desde então, houve queda de mais de 50% na demanda
mundial , o presidente norte-americano George W. Bush traçou
aquilo que já está sendo chamado de Plano Marshall
da Aviação. É um programa ambicioso. Mas sua
atuação não é menor: visa tirar o setor
aéreo da pior crise de sua história. Anunciado na
quinta-feira 27, o pacote prevê uma ajuda de US$ 15 bilhões
para livrar as companhias da rota do caos e estabelece uma série
de medidas para aumentar a segurança. Voltem aos aviões.
Vamos retomar o desenvolvimento do país, apelou Bush.
A partir de agora, todos os aviões que decolarem dos aeroportos
do país terão de incluir em sua tripulação
um policial armado; as cabines de comando serão blindadas,
como em aviões israelenses; e câmeras serão
instaladas dentro dos aviões. A segurança de aeroportos,
que havia sido privatizada, voltará às mãos
do governo federal. E mais: Bush estendeu a dois generais da Aeronáutica
o poder de abater aviões comerciais que estejam seqüestrados.
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O caos
é tamanho que nem o pacote de US$ 15 bilhões conseguirá
evitar os prejuízos estimados. A queda de demanda,
sobretudo do exterior para os Estados Unidos, vai ser brutal,
avalia o consultor José Carlos Martinelli. A primeira bancarrota
foi decretada. mbro, a companhia regional americana Midway Airlines
suspendeu os vôos e entrou em concordata. Ninguém resumiu
melhor o sentimento de desespero que o presidente da Continental
Airlines, Gordon Bethune: Até as 9h02 do dia 11 de
setembro, a situação era desastrosa. A partir das
9h03 passou a ser catastrófica. Bethune renunciou a
seu salário até dezembro, um valor de US$ 1 milhão.
Mesmo assim teve de demitir 1.200 funcionários, engrossando
os 150 mil cortes registrados nas últimas duas semanas nos
EUA.
O medo
de voar que tomou conta do mundo e fez o setor aéreo mergulhar
em queda livre tem produzido números assustadores. Apenas
nos Estados Unidos, cada companhia perdeu US$ 750 milhões
durante os três dias de paralisação. Mas de
acordo com a Associação Internacional de Transporte
Aéreo (Iata) o pior ainda está por vir: globalmente,
a demanda de passageiros deve cair 20% no próximo ano, causando
prejuízos de US$ 11 bilhões. Em Wall Street, as ações
das companhias aéreas são negociadas hoje a um terço
de seu valor totalizando perdas de US$ 5 bilhões.
Numa desesperada tentativa de viabilizar suas operações,
a gigante American Airlines, maior companhia do mundo, colocou na
rua 20 mil funcionários. Nos planos da empresa estão
também cortes em 20% das rotas, incluindo o destino Brasil.
Dos 82 vôos semanais da American para os Estados Unidos, 22
foram suspensos. A situação repete-se em diversos
países. As inglesas British Airways e Virgin cortaram mais
de 6 mil pessoas. A Swissair eliminará 3 mil empregos e 25%
da suas rotas de longa distância. As dívidas acumuladas
são 20 vezes maiores que o valor de mercado da companhia
suíça.
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