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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2001
JANELA PARA O CAOS
Falências, demissões, cancelamento de vôos e das encomendas
de jatos. É a aviação na rota da crise

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Por Mariana Barbosa e Juliana Simão

 
Futuro Negro: prejuízo de US$ 11 bilhões nos EUA em 2002  

“Atenção, senhores passageiros. Aqui quem fala é o comandante. O risco de ter uma bomba neste avião é quase zero, mas existe. O risco de ter um terrorista entre nós é quase zero, mas existe. Nossa única defesa são vocês. Portanto, se notarem alguma atitude suspeita, ataquem!” A mensagem foi dada da cabine do vôo 963 da American Airlines, que deixou Seattle na última segunda-feira em direção a São Paulo. É uma amostra da onda de paranóia que tomou conta do setor aéreo mundial desde os atentados terroristas de 11 de setembro, quando quatro aviões de carreira foram usados como armas de destruição nos Estados Unidos. Para tentar restabelecer a confiança dos passageiros – desde então, houve queda de mais de 50% na demanda mundial –, o presidente norte-americano George W. Bush traçou aquilo que já está sendo chamado de Plano Marshall da Aviação. É um programa ambicioso. Mas sua atuação não é menor: visa tirar o setor aéreo da pior crise de sua história. Anunciado na quinta-feira 27, o pacote prevê uma ajuda de US$ 15 bilhões para livrar as companhias da rota do caos e estabelece uma série de medidas para aumentar a segurança. “Voltem aos aviões. Vamos retomar o desenvolvimento do país”, apelou Bush. A partir de agora, todos os aviões que decolarem dos aeroportos do país terão de incluir em sua tripulação um policial armado; as cabines de comando serão blindadas, como em aviões israelenses; e câmeras serão instaladas dentro dos aviões. A segurança de aeroportos, que havia sido privatizada, voltará às mãos do governo federal. E mais: Bush estendeu a dois generais da Aeronáutica o poder de abater aviões comerciais que estejam seqüestrados.

 

O caos é tamanho que nem o pacote de US$ 15 bilhões conseguirá evitar os prejuízos estimados. “A queda de demanda, sobretudo do exterior para os Estados Unidos, vai ser brutal”, avalia o consultor José Carlos Martinelli. A primeira bancarrota foi decretada. mbro, a companhia regional americana Midway Airlines suspendeu os vôos e entrou em concordata. Ninguém resumiu melhor o sentimento de desespero que o presidente da Continental Airlines, Gordon Bethune: “Até as 9h02 do dia 11 de setembro, a situação era desastrosa. A partir das 9h03 passou a ser catastrófica”. Bethune renunciou a seu salário até dezembro, um valor de US$ 1 milhão. Mesmo assim teve de demitir 1.200 funcionários, engrossando os 150 mil cortes registrados nas últimas duas semanas nos EUA.

O medo de voar que tomou conta do mundo e fez o setor aéreo mergulhar em queda livre tem produzido números assustadores. Apenas nos Estados Unidos, cada companhia perdeu US$ 750 milhões durante os três dias de paralisação. Mas de acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) o pior ainda está por vir: globalmente, a demanda de passageiros deve cair 20% no próximo ano, causando prejuízos de US$ 11 bilhões. Em Wall Street, as ações das companhias aéreas são negociadas hoje a um terço de seu valor – totalizando perdas de US$ 5 bilhões. Numa desesperada tentativa de viabilizar suas operações, a gigante American Airlines, maior companhia do mundo, colocou na rua 20 mil funcionários. Nos planos da empresa estão também cortes em 20% das rotas, incluindo o destino Brasil. Dos 82 vôos semanais da American para os Estados Unidos, 22 foram suspensos. A situação repete-se em diversos países. As inglesas British Airways e Virgin cortaram mais de 6 mil pessoas. A Swissair eliminará 3 mil empregos e 25% da suas rotas de longa distância. As dívidas acumuladas são 20 vezes maiores que o valor de mercado da companhia suíça.

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