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NEGÓCIOS


Sulfabril sua a camiseta

A fabricante catarinense renegocia dívidas, arruma a casa e se
prepara para ser vendida

Lászlo Varga

Arte: Tato
EXPANSÃO: empresa está vendendo 10% do que produz no exterior

Renascendo das cinzas. Esse poderia ser muito bem o slogan da Sulfabril, indústria de confecções catarinense que há pouco mais de cinco anos figurava em segundo lugar no ranking do setor, atrás da Hering, e que a partir de setembro de 1999 passou por um inferno financeiro. As portas da fábrica em Blumenau foram fechadas, os 2,1 mil funcionários dispensados e a falência decretada diante da dívida de R$ 257 milhões. Seu presidente, Gerhard Fritzche, foi destituído da função, que passou a ser ocupada pelo gestor da massa falida, Norberto Rosin. Um ano depois da bancarrota, no entanto, a Sulfabril volta a faturar novamente os R$ 7 milhões mensais que conseguia antes da falência e somente não voltou à gestão de Fritzche por causa da enorme dívida ainda pendente. E é possível que não volte mesmo, segundo comentário no mercado. “As dívidas com outras empresas e com o governo deverão estar renegociadas até o final do ano e cair pela metade. A partir daí a companhia pode ser colocada à venda”, admite Osmar Zimermann, presidente do sindicato dos trabalhadores que acompanha o ressurgimento da companhia. Outra prova de que as coisas começam a dar certo é que a empresa já possui 1,6 mil funcionários, contratados a princípio com salários 30% menores que os da média do mercado, mas que em abril voltam a estar em sintonia com os ordenados de empresas concorrentes.

Eleições. Um grande impulso para a reação da empresa foi a adoção, por parte dos novos gestores da Sulfabril, de uma linha rígida na administração: os prazos de entrega passaram a ser cumpridos, assim como a compra de matéria-prima paga em dia. Mesmo com esse sucesso na reestruturação, a companhia amarga hoje a quinta posição no ranking de fabricantes de vestuário de malha, atrás da Hering, Marisol, Malwee e Coteminas. Mantém, porém, um certo destaque no segmento de camisetas. O estoque da marca na loja atacadista Deslu, na zona oeste de São Paulo, por exemplo, estava a zero na semana passada devido à enorme procura do produto por assessores de políticos, que distribuíram camisetas às vésperas das eleições municipais. O que pesou muito na escolha foi o preço: enquanto num jogo de 50 peças da Hering o artigo saía por R$ 4,30 a unidade, o preço da Sulfabril era de R$ 2,10.

A desvalorização cambial também deu um empurrão nos negócios da companhia. Primeiro, porque dificultou em muito as importações de peças de vestuário do Oriente, até então a festa de lojistas. Para se ter uma idéia, as compras de roupas estrangeiras despencaram dos US$ 301,8 milhões de 1998 para US$ 160,1 milhões no ano passado. Depois, porque abriu as portas do mercado externo para a empresa. A Sulfabril vende hoje cerca de 10% da produção para o exterior, quando antes da falência as vendas externas eram nulas. Na Hering, nada menos que 40% da produção já é destinada a outros países. O que mostra que a Sulfabril tem ainda um caminho a trilhar para enfrentar cara a cara os concorrentes. Além disso, seu valor patrimonial é estimado oficialmente em R$ 130 milhões, quantia inferior à dívida oficial. Sua venda só poderá ocorrer, portanto, depois que os débitos forem saneados. Pelo menos em tese funciona assim. O que não impede que um comprador negocie por baixo dos panos e quite as dívidas para tomar posse da companhia. É uma questão de acertar os ponteiros.

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