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NEGÓCIOS/CAPA

 

A fantástica chegada da Vodafone no Brasil

A maior empresa de telefonia celular do mundo está de malas e projetos prontos para invadir a Banda C e abrir nova fase no setor

»Bell Canada recua para avançar

Ricardo Osman e Rosenildo Gomes Ferreira

Keystone
Com US$ 26 bilhões para aquisição de concessões no mundo todo, a companhia de Chris Gent (acima) já contatou fornecedores e encomendou propostas para implantar serviços em todo o País

O escritório da companhia anglo-americana Vodafone Airtouch na cidade de São Francisco, na Califórnia, esteve movimentado no último dia 18 de setembro. Ali, executivos das principais companhias fabricantes de equipamentos para telecomunicações davam o primeiro passo em, busca de um contrato bilionário. Em suas pastas, levavam propostas para fornecimento de infra-estrutura tecnológica para a mais nova investida da maior empresa de telefonia celular do mundo, com cerca de 30 milhões de aparelhos conectados em 25 países e valor de mercado de cerca de US$ 280 bilhões: discretamente, a milhares de quilômetros de distância, a Vodafone começa a preparar sua chegada ao Brasil. O estardalhaço que costuma cercar suas ousadas tacadas só deve ser ouvido a partir de janeiro, quando o Ministério das Telecomunicações vai leiloar as concessões para as novas bandas de celulares no País. Aviso aos concorrentes: Chris Gent, o presidente mundial da Vodafone tido como um dos mais brilhantes estrategistas do planeta, já traçou suas metas e elas incluem simplesmente todo o território nacional. “O Brasil, é claro, merecerá uma abordagem compatível com o tamanho de sua economia”, confirmou à DINHEIRO, da sede da companhia em Londres, a vice-diretora de Relações com o Mercado da empresa, Melissa Stimpson. “Não posso, no entanto, dar mais detalhes sobre a estratégia que adotaremos no País.”

Os executivos que estiveram em São Francisco, porém, já puderam ter uma amostra dos planos da Vodafone. E estão excitadíssimos. A expectativa menos otimista do quanto a empresa britânica estaria disposta a investir num primeiro momento ultrapassa a casa de US$ 1 bilhão apenas em equipamentos, sem contar os valores a serem gastos para arrematar concessões junto ao governo brasileiro. E nisso os ingleses não costumam economizar. Em junho passado, desembolsaram US$ 8,7 bilhões para adquirir os direitos de exploração da próxima geração de telefonia móvel no Reino Unido e têm outros US$ 26 bilhões reservados para sair à caça de licenças em outros países do mundo. “Nosso plano estratégico elegeu como prioridade consolidar nossas operações na Europa e nos Estados Unidos. Em uma segunda etapa, iniciada no ano passado, voltamos nossos olhos para o sudeste asiático e a América Latina”, afirma Melissa. “O mercado brasileiro de telefonia é considerado por nós um segmento muito excitante, com potencial de crescimento muito grande.” Essa avaliação já havia sido passada à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que também confirmou à DINHEIRO o interesse dos ingleses no leilão das bandas C, D e E da telefonia celular.

O páreo será disputadíssimo e deverá atrair todos os grandes participantes desse mercado, com ou sem investimentos anteriores no País. Nas últimas semanas, a movimentação no setor tem sido frenética, com as empresas afinando suas estratégias para estar na crista da terceira grande onda de investimentos estrangeiros nas telecomunicações brasileiras. A alemã Siemens, por exemplo, acaba de desembarcar no Brasil sua divisão de Informação e Comunicação Móvel e, apenas no primeiro ano, espera faturar R$ 1 bilhão vendendo equipamentos às operadoras e telefones celulares para os usuários. A canadense Bell Canada, por sua vez, definiu na semana passada uma radical mudança de planos de olho na banda C. Vendeu sua participação na Vésper, empresa espelho das operadoras Telemar e Telefonica, por US$ 875 milhões para fazer caixa e entrar na disputa pelas concessões.

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