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Pedro Agilson - Nelson Perez/Valor e AJB
Auditoria interna feita pelo fundo de pensão do Banco do Brasil mostra como o governo usou o maior caixa do País para favorecer grupos como a CSN nas privatizações

Fernando Thompson

Pela primeira vez em quatro anos, uma auditoria interna com mais de 200 páginas vem à tona e revela o verdadeiro papel que a Previ, o poderoso fundo de pensão do Banco do Brasil, que administra ativos da ordem de R$ 34,5 bilhões, desempenhou no Programa Nacional de Desestatização (PND). DINHEIRO teve acesso, com exclusividade, ao documento que mostra os bastidores das decisões que selaram a sorte dos leilões de venda de algumas das mais importantes empresas deste País, como a Companhia Vale do Rio Doce. O documento aponta um rastro de suspeições nos acertos conduzidos por Jair Bilachi, ex-presidente da Previ, durante a privatização das companhias elétricas. O documento mostra que, ao contrário do que sempre se disse, o governo federal influenciou sim as decisões do maior fundo de pensão do País, que recebeu incentivos para ingressar na disputa de algumas ex-estatais. Também fica claro que diretores da Previ discordaram várias vezes sobre os rumos que o fundo tomou ao longo do PND – o que levou à abertura da própria investigação, no ano passado, pelo atual presidente, Luiz Tarquínio. Brigas internas, ameaças de demissão, perseguições e até denúncias de alteração de contratos fazem parte do relatório, que envolve ex e atuais diretores da Previ.

O relatório mostra que o governo federal interferiu ativamente na decisão dos fundos de pensão, liderados pela Previ, de ingressarem no Consórcio Brasil, o grande vencedor do leilão de privatização da Vale do Rio Doce, realizado em maio de 1997. A ata da reunião (veja documento) da diretoria da Previ, de 28 de abril daquele ano, traz a informação de que a BNDESPar, a empresa de participações do BNDES, gestor do PND, negociou a troca das ações ordinárias (com direito a voto) que os fundos detinham na Vale por ações ordinárias da Eletrobrás e preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras. Está escrito na ata: “Tal alternativa proporciona um conforto adicional à Previ para sua participação no leilão de privatização da Vale do Rio Doce, pois caso o fundo fique de fora do grupo de controle da CVRD, teria a possibilidade de trocar suas ações ON em condições razoáveis por ações de primeira linha, com liquidez no mercado e bom potencial de valorização”. Essa garantia foi fundamental para que a Previ aceitasse ingressar no Consórcio Brasil, capitaneado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), leia-se Benjamin Steinbruch, que venceu a disputa com o consórcio liderado pelo grupo Votorantim, que tinha à frente o empresário Antonio Ermírio de Moraes. Procurado por DINHEIRO, Steinbruch disse que nunca soube que esse acordo tenha sido feito.

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