
Após prisão do vice-presidente da MCI (ao centro
nas fotos)
e o silêncio da empresa, polícia amplia investigações
Joaquim
Castanheira, do Rio de Janeiro
Preso
há mais de uma semana em um presídio do Rio de Janeiro,
depois de tentar embarcar em um avião com US$ 80 mil em espécie,
o executivo americano Richard Perez explodiu dias atrás:
Se o problema é esse dinheiro, que fiquem com ele.
Eu deixo ele aqui. Só quero voltar para os Estados Unidos.
O desabafo de Perez, vice-presidente da MCI-WorldCom, o grupo americano
que controla a Embratel, revela a falta de perspectiva diante de
um caso, que desde o primeiro momento, transformou-se em um imenso
mar de indagações e dúvidas. Nem mesmo os autos
do flagrante aos quais a reportagem da DINHEIRO teve acesso são
capazes de esclarecer a história.
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Perez veio ao Brasil, sempre para trabalhar na Embratel |
Existem
nos documentos e no episódio todos os elementos para envolver
Perez em um manto de mistério e suspeitas: depoimentos contraditórios,
troca repentina de advogados, versões desencontradas, aplicação
rigorosíssima da lei e, sobretudo, um surpreendente silêncio
e distanciamento da MCI e da Embratel. O caso ganha dimensão
extraordinária por Perez ser executivo de primeiro escalão
de um dos gigantes de telecomunicações do mundo. Até
semana passada, viajava de primeira classe, hospedava-se nos mais
luxuosos hotéis do mundo e comia nos melhores restaurantes.
Hoje, está detido no Presídio Ponto Zero, no subúrbio
carioca de Benfica, onde divide uma pequena cela com três
outros prisioneiros. Seu estado de espírito oscila entre
um desânimo profundo e o inconformismo. Tenho toda uma
vida dedicada ao trabalho, todo meu dinheiro foi ganho honestamente
e confio na Justiça brasileira, disse ele à
DINHEIRO. Não sou um criminoso.
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