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NEGÓCIOS


GM mostra sua cara popular
Com o Celta, a montadora dá uma virada em sua estratégia para brigar no mercado de carros pequenos

Joaquim Castanheira

Há cinco anos, Jack Smith, então presidente mundial da General Motors, maior empresa do planeta, voava em seu jatinho de São Paulo para Brasília, onde se encontraria com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Na sala de reunião da aeronave, reunido com a cúpula da filial local, Smith, após ouvir uma explanação sobre o mercado brasileiro, concluiu: “Precisamos fazer um novo carro pequeno, com uma relação custo/benefício favorável ao cliente.” Richard Wagoner, responsável pelas operações no Brasil, ouviu com atenção redobrada as determinações do chefe. Hoje, sentado na cadeira que pertencia a Smith, ele acompanha cuidadosamente os preparativos para o lançamento do Celta, o veículo com motor 1.0 sonhado pelo antigo chefe.

Wagoner sabe que não está apenas colocando um modelo à disposição dos motoristas. Com investimentos superiores a US$ 800 milhões, o Celta significa a grande aposta da GM nas últimas décadas no mercado brasileiro. Com ele, a empresa sonha em se tornar competitiva no segmento mais pujante do setor: o de carros pequenos e populares. Com ele, a empresa quer deixar de comer poeira de seus concorrentes diretos como o Gol, o Pálio e o Uno. Com ele, enfim, a empresa pretende encostar em sua principal rival e histórica líder de mercado, a Volkswagen. “Dentro de pouco tempo, quem tiver cerca de 25% do mercado será líder”, diz José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da GM do Brasil.

Não é só isso: o êxito comercial do Celta também significará a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma estratégia desenhada em 1992. Na ocasião, a GM brasileira decidiu que teria produtos para todas as faixas de consumidores, dos populares aos caminhões pesados. “Queremos participar de todos os espaços do mercado”, diz Walter Wieland, presidente da GM do Brasil. A estratégia tem sido bem-sucedida. Sua participação de mercado subiu de 21% para 25% (ver gráfico à pág. 55). “A GM tem o melhor mix de produtos do mercado brasileiro”, diz Wim van Acker, responsável pelas operações sul-americanas da Roland Berger, consultoria com forte atuação no setor.

O problema é que essa estratégia não se sustenta sem uma presença significativa na fatia de automóveis populares e pequenos, responsáveis por 70% das vendas de carros no Brasil. O Corsa foi utilizado para cobrir esse buraco. Sem grande sucesso. O veículo foi ultrapassado pelo Gol e pelo Pálio. Até mesmo o Uno Mille está na frente (ver tabela na pág. 53). Motivo: o Corsa é o automóvel mais caro de uma categoria na qual o preço é fator determinante. “O problema é que a GM não utiliza a mesma plataforma para mais de um carro, como faz a Volks com o Golf e o Audi”, diz um analista. “Isso leva o preço do Corsa a cerca de R$ 16 mil, o que não pode ser considerado popular.” Com o Celta, a empresa espera mostrar sua cara popular. O veículo deve chegar às concessionárias com valor entre R$ 13 mil e R$ 14 mil. O preço ainda seria maior do que o do Uno, mas, para enfrentá-lo, a GM aposta no design e na tecnologia de seu modelo. “Precisávamos de um processo de produção barato e não apenas de um projeto de carro barato”, diz Pinheiro Neto.

Daí surgiu o conceito da fábrica de Gravataí, montada para produzir 120 mil veículos por ano. “É um projeto revolucionário, com um processo de produção revolucionário para a fabricação de um carro revolucionário”, diz Roberto Tinoco, diretor da fábrica. Esse é tom que a GM utiliza internamente para definir o novo veículo. É também o mote das campanhas publicitárias que estão indo ao ar.

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