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DA VITÓRIA: O advogado Caldas calcula em R$ 2 bilhões
o valor da reposição do Fundo |
FGTS
correção bilionária e perigosa
Causa que governo
admite estar perdida ameaça as empresas
Cláudia
Marques
A toalha
do governo está jogada no centro do ringue em que se transformou
a ação movida por 33 trabalhadores do Rio Grande do
Sul contra os expurgos inflacionários nas contas vinculadas
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Iniciada
em 1993, a ação pede a reposição de
20% em perdas no Plano Verão (1989) e 45% no Plano Collor
(1990). O que, inicialmente, parecia um caso isolado ganhou dimensão
nacional. Ao chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde a votação
da ação foi suspensa no último dia 10 por um
pedido de vistas do processo do ministro Sepúlveda Pertence,
seis juízes já haviam votado favoravelmente ao pleito.
Perdemos,
reconheceu à DINHEIRO o advogado geral da União, Gilmar
Mendes, antes mesmo de os outros cinco juízes do STF declararem
seu voto. A luta agora será no STJ (Superior Tribunal
de Justiça), para discutir os valores da reposição,
completou. O impacto na economia é de fato o assunto do momento.
A Caixa Econômica Federal, gestora do FGTS, calcula em R$
40 bilhões, ou 4% do PIB brasileiro, os efeitos práticos
da ação, caso todos os 60 milhões de titulares
saquem o saldo do Fundo com as devidas correções.
Uma conta que pode recair sobre as empresas. Se o valor do
saldo das contas está incorreto, a multa de 40% sobre o saldo
do Fundo, paga pelas empresas quando demitem funcionários,
também terá que ser recalculada, explica o sindicalista
Airton Ghiberti, membro do Conselho Curador do FGTS.
Se
tiver que pagar a diferença de valores para os 250 funcionários
que demiti, fecho as portas, admite Suzy Ramberger, diretora
da autopeças Ramberger & Ramberger. Na multinacional
alemã Rolamentos Fag Ltda., a preocupação é
semelhante. Demitimos 600 funcionários no anos 90 e
não vamos retroagir nossas contas. A empresa não pode
pagar por um erro do governo, afirma Tome Capovila, gerente
de RH da Fag.
A
disposição das empresas sinaliza para mais uma guerra
jurídica nos tribunais. As empresas estão dentro
da lei, já pagaram os valores estipulados na época,
diz o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção
Civil (Sinduscon), Artur Quaresma Filho. Se a conta for apresentada
à iniciativa privada, vamos recorrer, completa.
O
advogado Roberto Figueiredo de Caldas, autor da ação
que está no STF, acusa o governo de fazer terrorismo com
os números. Ele sustenta que o impacto na economia é
menor que o calculado pela Caixa. No máximo, a conta
vai ficar na casa dos R$ 2 bilhões, garante Caldas,
apoiado num parecer feito pelo professor da Universidade Federal
de Brasília (UnB), Jorge Arbache, anexado ao processo. Apesar
de ser o algoz anunciado do governo no caso da correção
do FGTS, nesse caso as autoridades de Brasília torcem para
que o advogado tenha razão.
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