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ELETROELETRÔNICOS
Esta empresa quer entrar numa gelada
Depois
de assumir a liderança em televisores, a Toshiba planeja
investimentos para trazer ao País sua linha branca
Joaquim
Castanheira
| Arte:
Hitomi |
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DIVERSIFICAÇÃO:
Foram reservados
R$ 20 milhões para estrear em novos setores
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Os
nossos japoneses são mais criativos do que os outros. O slogan,
utilizado nos últimos anos pela Semp Toshiba em comerciais,
poderia servir também como lema para a administração de seus
negócios. Ao mesmo tempo em que alguns de seus concorrentes
diretos entram na UTI, como a Sharp, ou estão próximos dela,
caso da Gradiente, a empresa não só assume a liderança de
mercado de tevês ao lado da Philips, como também se prepara
para uma empreitada arrojada. Com investimento de R$ 20 milhões,
a Semp Toshiba estuda seu ingresso na linha branca, cujo pedaço
mais atraente é a fabricação de geladeiras, fogões e condicionadores
de ar. Os novos produtos com a grife Semp Toshiba podem chegar
ao Brasil ainda neste ano.
Ao
lado do arrojo, porém, há um tremendo risco: há sinais de
mercado saturado, no qual há muita empresa para pouco cliente.
No ano passado, por exemplo, foram comercializados pouco mais
de 3 milhões de refrigeradores no País. A capacidade produtiva
chega perto dos 5 milhões de unidades. O pico do setor ocorreu
em 1996, quando os consumidores levaram para casa 4 milhões
de refrigeradores. Nada indica que a demanda dê saltos em
direção a esses números. Ou seja, a concorrência, que atende
pelos nomes de Brastemp e BS Continental, continuará duríssima.
Por isso, a Semp também reservou cerca de R$ 5 milhões para
fabricar aparelhos de ar condicionado, provavelmente numa
parceria com a Spring Carrier. Aí há um filé mignon. As vendas
desses equipamentos têm crescido ano a ano e, algumas vezes,
nos meses mais quentes, faltam produtos nas lojas.
Para
a Semp Toshiba, atuar na linha branca é um sonho acalentado
desde 1996. A queda nas vendas e a desvalorização do real
adiaram esses planos. Além disso, seria necessário um grande
desembolso para erguer uma linha de montagem para esses produtos.
Uma recente parceria internacional da Toshiba com a sueca
Electrolux, maior fabricante mundial do setor, mudou a situação
no Brasil. A Semp Toshiba poderia utilizar as instalações
de sua parceira, em Curitiba, para produzir geladeiras, fogões,
etc. e neles estampar a marca Toshiba. Essa é uma das alternativas,
mas a Semp conversa também com outros possíveis parceiros
antes de decidir qual caminho tomar.
Para
os suecos, esse seria um caminho relativamente curto para
adquirir mais escala e, assim, reduzir os custos – principalmente
num momento em que o setor padece de uma grande capacidade
ociosa. Por outro lado, a Electrolux colocaria no mercado
mais um concorrente para seus próprios produtos – e aí reside
uma das principais resistências em aceitar o acordo. Nenhuma
das duas empresas comenta o assunto.
O
possível ingresso na área de linha branca seria uma tentativa
de manter seus índices de crescimento registrado ao longo
da década de 90. Só nos dois últimos anos, a participação
da Semp Toshiba no mercado de televisores, seu principal negócio,
cresceu de 14% para 22%. O faturamento do grupo atingiu R$
530 milhões em 1999, contra R$ 374 milhões no ano anterior.
“Desde 1998 estamos absorvendo o espaço deixado pela Sharp
e de outras empresas que deixaram o setor”, diz Afonso Antônio
Hennel, presidente da Semp Toshiba.
Na
avaliação de analistas, não há muito espaço para aumentar
essa fatia. Além disso, segundo a Eletros, o patamar de vendas
estabelecido no ano passado (cerca de 4 milhões de unidades)
deve permanecer nos próximos anos. “Acredito que entramos
numa fase de crescimento vegetativo”, diz Paulo Saab, presidente
da Eletros. Por isso, a Semp Toshiba procura outros mares
para navegar – mas não sem a aprovação dos japoneses, donos
de 40% de seu capital (os outros 60% pertencem à família Henner).
Discretos, os nipônicos possuem uma grande influência nas
decisões do negócio. Foram eles que interromperam a fabricação
e comercialização de celulares com sua marca no Brasil. Motivo:
a qualidade dos produtos não atendia aos padrões da corporação
japonesa. Resta saber a opinião a respeito de geladeiras,
fogões, aparelhos de ar condicionado...
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