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CONFUSÃO
NO BANCO CENTRAL
Banco Nacional - A caça ao dossiê
A incrível
história do sumiço, dentro do BC, do processo mais escandaloso
do sistema financeiro.
Estela
Caparelli
| Foto:
Folha Imagem |
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RESGATE:
Procurador do BC aponta os originais desaparecidos para
rebater a versão da Justiça Federal. Fim da história?
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Contando,
ninguém acredita. Uma montanha de cinco mil páginas
contendo os documentos originais do maior escândalo
do sistema financeiro brasileiro, a quebra do Banco Nacional,
sumiu durante 20 dias nas barbas daquele que deveria dar o
exemplo de responsabilidade ao mercado, o Banco Central. Pior
que seu sumiço, só mesmo a explicação
dada pelo próprio BC logo após seu reaparecimento,
na terça-feira 4: a papelada estava parada na 4ª
Vara da Justiça Federal. Há dois anos. Não
bastasse o absurdo do sumiço da documentação,
o episódio provocou desmentidos e confusões.
Logo depois que o BC divulgou que os documentos estavam em
poder da Justiça Federal, a juíza responsável
pelo papelório, Selene Maria de Almeida, negou a informação
do banco em um comunicado oficial. Segundo ela, o que estava
em suas mãos eram apenas cópias do processo.
O BC decidiu tirar a história a limpo: na quinta-feira
6, dois procuradores da instituição foram buscar
os papéis no escritório de Selene e os carregaram
para o banco, onde uma legião de jornalistas esperava
para conferir a versão. Ao que tudo indica, aqueles
realmente eram os originais do dossiê. Mas ficou a dúvida:
por que a juíza teria desmentido o BC? Selene não
quis se pronunciar, embora fosse insistentemente procurada
por DINHEIRO. Disse a amigos que só responderia se
fosse atacada pelo BC. Mas uma fonte do Banco, que acompanha
os processos, confirma indiretamente a versão da juíza:
não é procedimento da casa tirar originais de
documentos importantes do prédio da instituição.
Principalmente em se tratando do dossiê Nacional, um
banco responsável pela metade da provisão de
créditos podres feita pelo BC. E mesmo que eles
tivessem enviado para que a Justiça tirasse uma cópia
por alguns instantes, nada justifica o fato de a papelada
ter ficado fora do banco por dois anos, diz a fonte.
Desconforto.
A situação era ainda mais grave porque a documentação
havia desaparecido a três meses do prazo final dado
ao BC para definir as punições administrativas
contra os dirigentes do banco falido. Esse processo é
um dos três que tramitam atualmente envolvendo o ex-banco
dos Magalhães Pinto. Os outros dois estão correndo
no Ministério Público do Rio de Janeiro e de
Belo Horizonte.
A história gerou desconforto dentro e fora do BC. Armínio
Fraga e sua equipe têm consciência do estrago
que o episódio fez na imagem da instituição.
O episódio demonstra a falta de organização
dentro do banco. Qualquer documento público tem de
ser tratado com o máximo cuidado. O desaparecimento
de uma documentação como essa é absurdo,
diz Jairo Saddi, especialista em direito bancário.
Rumores sobre desaparecimento do dossiê do Banco Nacional
já circulavam entre os funcionários do BC duas
semanas antes do anúncio oficial do sumiço.
Por improvável, a história ficou no campo da
boataria. Só na sexta-feira, 31 de março, o
rumor virou fato. Nesse dia, foi anunciada no banco, discretamente,
a criação de uma comissão de inquérito
de três funcionários para a apuração
do caso. A decisão foi tomada depois que a Procuradoria
do BC, responsável pelos documentos, vasculhara o prédio
do banco por 20 dias atrás do papelório, sem
sucesso. Agora, mesmo depois de voltar ao lugar de onde nunca
deveria ter saído, ainda resta uma dúvida: por
que originais tão importantes ficaram adormecidos fora
do BC por dois anos? O único depoimento sobre o assunto
veio do diretor interino de Fiscalização do
Banco Central. Essa pergunta não tem de ser dirigida
a mim, disse Carlos Eduardo de Freitas. A quem, então?
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