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O novo ciclo da Petrobras
Carlos José Marques, diretor editorial

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A Petrobras entra definitivamente na fase de capitalização para o novo ciclo de investimentos que pretende fazer. Um importante passo foi dado na semana passada quando a Câmara dos Deputados aprovou o uso do FGTS para a compra de novos papéis da estatal. Poderão fazê-lo os trabalhadores que já são acionistas da companhia e que atenderam ao primeiro chamado de capitalização, adquirindo cotas ainda no ano de 2000. Numa espécie de antessala da corrida para explorar a camada pré-sal, a empresa prepara uma monumental oferta de ações que deve cravar a maior arrecadação de recursos já registrada em todo o mundo. Nas estimativas do Ministério da Fazenda, serão ao menos US$ 50 bilhões levantados nessa operação.

Do total, apenas US$ 2 bilhões devem corresponder ao montante amealhado via FGTS. Mas o importante é a democratização do acesso aos papéis que essa medida possibilita. Os deputados também aprovaram o aumento de capital do Tesouro na Petrobras. Pelo texto, que ainda segue para o Senado, a União venderá à estatal, sem licitação, o direito de explorar até cinco bilhões de barris de petróleo e gás natural em áreas ainda não concedidas da camada do pré-sal. Empresas de pequeno e médio portes também buscam participar da exploração desse petróleo e poderão fazê-lo em parceria com a Petrobras. Toda essa movimentação dá estofo à estatal para que ela se converta em breve numa das três gigantes do setor.

O governo do presidente Lula não esconde de ninguém que tem grandes planos para a atuação da companhia. Um dos seus anseios mais recentes é o de que ela também volte a operar fortemente no campo do etanol. O objetivo é barrar o avanço dos estrangeiros nessa área. Preocupado com o que considera uma “invasão” do setor, o Planalto estaria estudando a entrada da Petrobras na empresa ETH-Brenco, da Odebrecht, com uma participação de até 40% na sociedade. Teria que desembolsar, nesse caso, algo em torno de R$ 2,8 bilhões. Nos planos da estatal estão reservados por enquanto recursos da ordem de US$ 4,5 bilhões para o álcool num horizonte até 2013. Serviriam principalmente para a construção de usinas. Mas, tratando-se da Petrobras, a revisão para cima desses valores, visando outras atuações, não será um problema. Tratandose de perspectivas para a estatal, o céu é o limite.

 

 


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