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Detroit uma cidade em busca de um novo caminho
O principal símbolo da indústria automobilística mundial vive a maior crise de sua história. Mas uma revolução pode salvar a cidade: no lugar dos carros, entra em cena a produção agrícola

Nicholas Vital, de Detroit

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Foto: Spencer Platt/Getty Images
Foto: Spencer Platt/Getty Images
Na Mídia: prefeito tem investido em anúncios publicitários para atrair novos investidores para a cidade

As últimas décadas do século passado testemunharam uma grande transformação em algumas das principais metrópoles mundiais. Erguidas sob o impacto do desenvolvimento industrial, elas foram obrigadas a se reinventar depois que a decadência econômica levou a um grau de desordem urbana que tornou a vida nesses locais praticamente inviável. Em Nova York, empresários se uniram para revitalizar áreas centrais degradadas e velhos galpões fabris viraram restaurantes, galerias de arte e butiques visitados por turistas do mundo inteiro. Londres, berço da revolução industrial, é hoje essencialmente uma cidade de serviços. Barcelona viu nos Jogos Olímpicos de 1992 uma oportunidade de reorganizar o espaço urbano, que virou exemplo de boa convivência entre os cidadãos e o seu município. Com alguns anos de atraso, Detroit, a antiga capital mundial da indústria automobilística e que experimenta uma debacle sem precedentes, está em busca de uma nova vocação - vocação essa que representa o oposto de tudo o que a cidade já simbolizou.

Pela proposta das autoridades locais, a ideia é fazer Detroit encolher e transformar suas áreas periféricas em grandes campos agrícolas. Em vez de carros e picapes, a cidade quer ficar conhecida pela produção de milho e trigo. "Isso vai acontecer já nos próximos dois ou três anos", garante o prefeito Dave Bing, empossado no início do ano e que tem a dura missão de fazer Detroit renascer. Com uma área total estimada em cerca de 35 mil hectares, Detroit é uma das maiores cidades em extensão dos Estados Unidos. Seus subúrbios são gigantescos, mas hoje apresentam as menores taxas de ocupação do país. A reportagem da DINHEIRO percorreu as ruas da periferia e viu muitos lugares em ruínas. Milhares de casas foram abandonadas, em sua maioria por profissionais que trabalhavam na indústria automobilística e que perderam o emprego após o agravamento da crise do setor nos últimos anos. É possível percorrer alguns quarteirões sem encontrar pela frente pedestres ou automóveis. Fábricas estão caindo aos pedaços, lanchonetes apresentam letreiros apagados e muitas residências parecem ocupadas apenas por fantasmas.

Segundo o prefeito, custa caro manter essas zonas periféricas. Apesar do abandono, é preciso oferecer serviços básicos como iluminação pública, coleta de lixo e policiamento, sob o risco de esses lugares virarem um verdadeiro inferno.
Bing planeja trazer os moradores das periferias para as áreas centrais e com isso reduzir os custos fixos da prefeitura. Por sua vez, os subúrbios se transformariam em áreas agrícolas, com lavouras e fazendas verticais - prédios destinados à produção de alimentos hidropônicos -, e passariam a suprir a região metropolitana. Com o tempo, o excedente dessa produção seria vendido para outros municípios. O prefeito já conta com aliados de peso. John Hantz, um dos maiores investidores do mercado financeiro dos Estados Unidos (possui uma carteira com mais de US$ 3 bilhões em ativos administrados por sua empresa), diz que seu objetivo é ser o maior "produtor rural urbano" do mundo. Hantz está investindo cerca de US$ 30 milhões na compra de áreas abandonadas com a intenção de transformá- las, o quanto antes, em áreas produtivas. Segundo ele, esta é a solução mais eficiente para salvar os espaços degradados, criar empregos e ao mesmo tempo abastecer a cidade com alimentos. "Detroit vai ser a maior fazenda urbana do mundo", afirma o empresário. "Espero começar a plantar já na próxima primavera."

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