Luiz Eduardo Barretto Filho, ministro do Turismo
"O motor do turismo é a classe média, não a Copa" Por Denize Bacoccina
O setor do turismo vive um momento de glória, com o crescimento de 15% no ano passado e uma expansão semelhante prevista para este ano. A escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo, em 2014, e da Olimpíada, em 2016, deve atrair milhões de turistas estrangeiros durante os eventos e nos anos seguintes. Mas o grande mercado, na avaliação do ministro do Turismo, Luiz Eduardo Barretto Filho, está dentro do Brasil e nos países vizinhos. Ele ainda vê muitas oportunidades de negócios com a nova classe média, que passou a viajar e engrossar o mercado de turismo local. "O governo vai fazer os investimentos em infraestrutura, e o setor privado vai aproveitar as oportunidades. O turismo representa apenas 2,6% do PIB. Podemos crescer bastante", afirmou Barretto Filho à DINHEIRO. O setor hoteleiro já está se mexendo: estão em andamento investimentos da ordem de R$ 10,9 bilhões para a construção de 230 novos hotéis no País. Confira, a seguir, a entrevista.
DINHEIRO - O Brasil bateu no ano passado o recorde de passageiros em voos domésticos, com 50,5 milhões até novembro. Não houve crise nesse setor?
LUIZ EDUARDO BARRETTO FILHO - Tivemos um crescimento em torno de 15% em 2009. Isso mostra uma imensa vitalidade do setor, especialmente no mercado interno. Aconteceu no turismo o mesmo que em outros setores da economia: o mercado interno salvou o ano. Numa economia que cresce menos de 1%, ter um setor que cresceu 15% mostra um grande potencial. Com Copa e Olimpíada isso só tende a crescer no longo prazo. Em outros países, o turismo aumentou 15% no ano seguinte ao evento.
DINHEIRO - E qual a expectativa para este ano?
BARRETTO FILHO - Manter este crescimento. Estamos consolidando o mercado de consumo de massas no turismo também. Há pesquisas que mostram um crescimento de 83% no número de pessoas que estão viajando pelo Brasil. Em 2007, 32% dos pesquisados haviam feito pelo menos uma viagem nos últimos dois anos. Em 2009 este número havia subido para 58%. A nova classe média que surgiu nos últimos anos passou a consumir também turismo. O grande desafio do setor é ter produtos para este novo consumidor. Quem se preparar para isto vai ter vantagens muito fortes.
DINHEIRO - O novo consumidor demanda um produto diferente?
BARRETTO FILHO - É preciso fazer mais pesquisas de hábitos culturais, mas é evidente que este turista busca preço, pacotes econômicos, demanda mais serviço. Como não é um viajante experiente, ele necessita de agente de viagens, de roteiros integrados. Existe um campo enorme para esta nova classe média. Sem desprezar o viajante tradicional, que continua viajando e com renda maior deve viajar ainda mais. De maneira geral, o turismo brasileiro melhorou muito. Houve muitos investimentos em infraestrutura turística. Desde 2003, foram cerca de R$ 5 bilhões de investimentos. Estou muito otimista. Melhorou muito também a imagem do Brasil. É muito difícil o turismo ir bem se a imagem do país não está boa. Hoje nós temos um grande garoto-propaganda, que é o presidente Lula. É forte a imagem do Brasil e o turismo só tem a ganhar com isso.
| "Antes dos jogos de 2016 no Rio, o Brasil terá 230 novos hotéis" |
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Rio de Janeiro, sede dos Jogos de 2016 |
DINHEIRO - O que está puxando o setor? Viagens de lazer ou de negócios?
BARRETTO FILHO - Os dois. O Brasil está se consolidando no segmento de negócios, é hoje o grande hub da América Latina. Qualquer empresa do mundo que queira trabalhar o mercado latino-americano sabe que o Brasil é a porta de entrada. O Brasil é o hoje o sétimo país em turismo de eventos. São Paulo é a 12ª cidade do mundo, à frente de Nova York. O aumento dos investimentos vai significar também um aumento do turismo de lazer. Não é só o segmento sol e praia, que é o carrochefe. Temos crescido no ecoturismo, na região amazônica. O turismo esportivo também está crescendo e deve crescer muito nos próximos anos por causa da Olimpíada. O segmento de luxo é um segmento importante.
DINHEIRO - Qual é o volume de investimentos esperado para os próximos anos em função da Copa e da Olimpíada?
BARRETTO FILHO - Há R$ 10,9 bilhões em projetos privados que já começaram e que vão resultar em 230 novos hotéis em todo o País até 2015. Todas as grandes redes estrangeiras estão investindo no Brasil. A Accor, por exemplo, está investindo muito. A perspectiva é ter 30 novos hotéis Ibis nos próximos anos. Tem o grupo Meliá, os portugueses com o grupo Pestana e o Vila Galé. Há ainda negociações em andamento com os americanos, Hilton e Sheraton. Há grandes perspectivas não só para a área de lazer como para a área de business, em que São Paulo é a porta de entrada. O governo vai fazer os investimentos em infraestrutura, e o setor privado vai aproveitar as oportunidades que serão geradas especialmente com a Copa do Mundo e a Olimpíada. O turismo ainda representa uma parcela pequena do PIB, apenas 2,6%. Podemos crescer bastante. É o quinto item na pauta de exportações, quase US$ 6 bilhões. Podemos crescer mais
Sobre os investimentos privados e estatais
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