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A revolução do bem - Masisa no Brasil
Uma fábrica limpa por inteiro
Nova planta da Masisa, líder brasileira na produção de painéis de madeira, será praticamente autossuficiente em água e energia

Rosenildo Gomes Ferreira

Jorge Hillmann: "O consumidor ainda não está disposto a pagar mais por produtos ambientalmente responsáveis"

O dia 22 de março de 2010 deverá marcar um novo capítulo na trajetória da Masisa no Brasil. É nesta data que entra em operação comercial a fábrica de painéis de madeira que a subsidiária do Grupo Nueva, conglomerado chileno que fatura US$ 1,2 bilhão, construiu em Montenegro (RS). A unidade nasce com a ambição de se tornar referência global do setor de sustentabilidade. Todos os detalhes do projeto, orçado em US$ 150 milhões, foram pensados para gerar o mínimo de impacto ambiental e social. A começar pelo consumo de energia e de recursos naturais. A planta será praticamente autossuficiente em água e energia. Tampouco irá despejar na atmosfera poluentes sólidos (micropartículas de madeira) ou o calor resultante de seu processo industrial. Esses elementos serão neutralizados com o auxílio de um secador de partículas - importado da Alemanha e capaz de processar 65 toneladas de partículas por hora. Como não poderia deixar de ser, inovações desse tipo costumam sair caro. Apenas em equipamentos foram investidos cerca de US$ 17 milhões. A direção da empresa está ciente de que não conseguirá repassar esse custo ao preço de seus painéis de madeira. "O consumidor ainda não está disposto a pagar mais por produtos ambientalmente responsáveis", afirma Jorge Hillmann, diretor-geral da Masisa Brasil.

A unidade de Montenegro vai elevar a importância da subsidiária, que passará a ser a mais importante do grupo em volume

Mas isso não quer dizer que o processo produtivo será deficitário. A expectativa é recuperar o gasto adicional por meio da redução das contas de água e eletricidade, por exemplo, além dos ganhos de eficiência operacional. Apenas com estes insumos será feita uma economia anual de R$ 8,3 milhões. Mais que apenas uma equação financeira, ao optar por esse modelo de negócio a companhia tenta zelar pela sua perpetuação. "A sustentabilidade é um componente que foi inserido em nosso DNA porque acreditamos que não haverá espaço no mercado para quem não aderir a esse preceito", opina Hillmann. Sem dúvida, uma visão inovadora em um setor que vive na alça de mira dos ecologistas e possui um forte passivo ambiental e social. A Masisa desembarcou por aqui em 2001, com a abertura de uma planta em Ponta Grossa (PR). A unidade de Monte-negro vai elevar a importância da subsidiária, que passará a ser a mais importante do grupo em volume. Sua capacidade saltar dos atuais 300 mil m³ para cerca de um milhão de m³ de placas por ano. Com isso, o Brasil será responsável por 17% das receitas globais do conglomerado.

 

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