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A vida após Madoff
Sete meses após o escândalo nos EUA, as vítimas da fraude de US$ 65 bilhões tentam recomeçar suas vidas

Ana Clara Costa

Outras histórias são menos tristes e chegam a ser até mesmo irônicas, como a da escritora norte-americana Alexandra Penney, amiga de celebridades como o cantor Tony Bennett. Consagrada por best-sellers de autoajuda do estilo Como Manter Seu Homem Fiel (Ed. Record/esgotado), ela vivia confortavelmente em seu apartamento no Upper East Side, em Nova York, quando ficou sabendo da fraude. “Minha primeira reação foi tomar um Tylenol e entrar em contato com a Hemlock Society para saber qual era a forma mais indolor de morrer”, afirmou Alexandra com certo humor negro em seu blog no site Daily Beast, no qual descreve sua rotina pós-Madoff. O blog da escritora virou motivo de piada e revolta na opinião pública pelo teor esnobe que exalava. “Terei que vender minha chácara em West Palm Beach imediatamente e despedir a Yolanda (sua empregada). Cancelarei minhas assinaturas de jornais e revistas e lerei tudo online. Além disso, terei que parar de pegar táxi. E como poderei manter a cor do meu cabelo sem dinheiro? E como farei sozinha minha própria pedicure?”, eram os questionamentos de Alexandra em seu primeiro texto no blog, publicado dias após o escândalo. Procurada pela DINHEIRO, a escritora afirmou que viajaria para a China para descansar e que não poderia dar entrevistas. Semanas depois, após o retorno, continuou declinando o pedido. “Agora tenho que trabalhar no meu próximo livro.

Só foram recuperados
U$$ 830 MILHÕES
até hoje, sete meses após a prisão de Bernard Madoff

Na Europa, alguns dos investidores captados pelos bancos locais e escritórios do Fairfield Greenwich Group agiram com mais parcimônia e, apesar do prejuízo, não perderam tudo. O empresário italiano Guccio Gilardini sabiamente acabou investindo apenas uma pequena parcela de seu patrimônio em um dos fundos que alimentavam o esquema de Madoff. “Comecei a investir em outubro de 2008 e felizmente não cheguei a recomendá- lo para ninguém”, afirma Gilardini. “Primeiro, não acreditei. Depois, me senti frustrado e com muita raiva”, afirmou.

As vítimas Madoff culpam a SEC (a CVM americana) por negligência e acreditam que ela ou o próprio governo americano deveriam ressarci-los. “O trabalho da SEC era prevenir esse tipo de coisa. Eles tinham informações sobre os investimentos de Madoff desde antes de 1992. Se tivessem atuado de acordo com as regras, teriam salvado milhares de pessoas da humilhação e da devastação”, queixase Ronnie.

As investigações prosseguem e até o momento não há sinal de qualquer recuperação relevante do dinheiro. Somente US$ 830 milhões em bens de Madoff foram levantados. Enquanto esperam, os investidores não podem fazer muito. Organizam-se, criam grupos e tentam mobilizar a sociedade para despertar o mínimo sentido de urgência nas autoridades. Mas os efeitos disso ainda são muito tênues e a desesperança prevalece para vítimas como Ronnie: “Mais do que o prejuízo, perdemos também a confiança. Não acredito que o governo nos protegerá. Nós fizemos tudo certo e agora não temos mais nada”.

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