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A vida após Madoff
Sete meses após o escândalo nos EUA, as vítimas da fraude de US$ 65 bilhões tentam recomeçar suas vidas

Ana Clara Costa

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AFP PHOTO/TIMOTHY A. CLARY
Madoff: ex-presidente da Nasdaq sumiu com o dinheiro de investidores e está preso

AP Photo/Matt York
Ronnie e dominic da aposentadoria viajando pelo país ao trabalho exaustivo

Ronnie Sue Ambrosino, 55 anos, americana do Estado da Flórida, fez tudo certo. Trabalhou durante 30 anos como analista de sistemas, pagou seus impostos corretamente e economizou junto com seu marido, Dominic, US$ 1,6 milhão para desfrutar uma aposentadoria tranquila. A escritora-socialite Alexandra Penney, também. Foi abandonada pelo marido há 40 anos e mal tinha dinheiro para sustentar seu filho pequeno, David. Nos idos de 1980, conseguiu emplacar na editora do The New York Times um livro de autoajuda para mulheres que virou best-seller. A partir daí, sua carreira deslanchou e Alexandra passou de mulher desprezada a feminista bemsucedida e milionária. O italiano Guccio Gilardini, 57 anos, seguiu a mesma linha. Empresário de família rica, sempre gostou de diversificar suas aplicações e executar a cartilha do bom investidor. As três histórias se uniram em uma fria manhã de dezembro, quando o FBI adentrou a sede da Bernard Madoff Securities, em Manhattan, e levou Bernie Maddoff, ex-presidente da Nasdaq, para a prisão. Sete mil vítimas perderam um total de US$ 65 bilhões, segundo os últimos levantamentos da SEC (a CVM americana). Entre elas, Ronnie, Alexandra e Gilardini. Hoje, sete meses depois, Madoff experimenta o dolce far niente perpétuo em uma cadeia ao sul de Manhattan e suas vítimas tentam reconstruir suas vidas com a mesma lentidão e paciência que o ex-figurão de Wall Street teve para levantar sua pirâmide.

Ronnie perdeu tudo o que possuía. Ela e seu marido feriram a regra número 1 do mercado financeiro e não diversificaram. Colocaram tudo nos fundos fantasmas de Madoff, inclusive o dinheiro da venda de uma casa. “Nossas economias de 30 anos de trabalho estavam com ele”, afirmou Ronnie à DINHEIRO. O casal estava aposentado havia quatro anos e meio e costumava explorar os Estados Unidos a bordo de um trailer. “Jamais imaginamos que um absurdo assim pudesse acontecer, pois se tratava de um ícone de Wall Street”, conta a analista. Após perder tudo, o casal Ambrosino teve que voltar a trabalhar em tempo integral para conseguir sobreviver. Não saem para jantar fora, não compram roupas nem podem se dar ao luxo de colocar diesel no trailer para viajar. Ronnie ainda administra um grupo de vítimas que luta para conseguir seus investimentos de volta. “Quase não vejo meu marido, pois ele trabalha dez horas por dia e seis dias por semana para conseguir algum dinheiro. E perdemos qualquer segurança financeira. Se precisarmos de cuidados médicos, não há dinheiro”, desabafa.

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