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AmBev: humor zero
Os resultados continuam bons, mas lei seca e novas regras tributárias afetam as ações da cervejaria

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EM JUNHO, DIANTE DE uma queda renitente nos preços das ações da AmBev, analistas apontavam a operação In- Bev-Anheuser Busch como responsável pelo mau humor do mercado com a cervejaria. Havia temor de que parte do dinheiro necessário para a aquisição viesse de emissão de ações da empresa brasileira, diluindo a participação dos atuais acionistas. A InBev acalmou o mercado informando que isso não ocorreria. As ações voltaram a subir ligeiramente, mas não a ponto de compensar as perdas. Os papéis caíram 21,9% de janeiro a 16 de julho e na quinta-feira 17, fecharam a R$ 97. Em fevereiro, bateu no pico do ano, R$ 146,81. O Ibovespa encolheu bem menos no período: 2,9%. O problema é que há outros fatores azedando a percepção do mercado. Tudo porque a lei seca e mudanças na carga tributária atravessaram o caminho da AmBev. Além disso, a ACNielsen constatou que, em junho, a empresa perdeu participação de mercado para a Schincariol. Foi apenas 0,1 ponto, mas a taxa apurada no mês (67,4%) é a mesma verificada no ano passado e 1,2 ponto menor que a de dezembro de 2007. São R$ 120 milhões a menos em vendas. O mercado espera, no entanto, uma reação no segundo semestre. “A AmBev não quer entrar em guerra de preço, o que é compreensível. Por isso ela pode perder algum mercado”, avalia um analista do setor.

A entrada da nova lei seca, que pune mais duramente quem bebe e sai dirigindo, passou a vigorar em 20 de junho e, num primeiro momento, reduziu a demanda pela cerveja. Além disso, o governo anunciou em junho uma nova tributação para o setor de bebidas, que entrará em vigor a partir de 2009. O imposto será maior para os produtos mais caros – justamente os que apresentam taxas maiores de crescimento. As bebidas premium da AmBev, como Bohemia e Original, que respondiam por 2% das vendas em 2002, representavam mais de 7,5% em 2007. São questões que estão fora do controle da companhia, que continua crescendo trimestre a trimestre e bate recordes de margem Ebitda. Mas o mercado reagiu como quem toma um gole de cerveja quente. “O volume de vendas deve perder velocidade nos próximos meses”, diz Peter Ping Ho, analista da Planner Corretora. “Mas os fundamentos da empresa são sólidos. E a expectativa é que a receita não seja afetada, pois eles podem repassar aumentos de custos ao consumidor.”