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Basta ligar na tomada
Enquanto a FORD e a GM estão mergulhadas na maior crise financeira de sua história, a pequena TESLA MOTORS tem fila de espera para seus carros elétricos

ROSENILDO GOMES FERREIRA

LUXO PARA POUCOS: para levar o Tesla Roadster para casa é preciso desembolsar US$ 109 mil

O documentário Quem matou o carro elétrico?, escrito e dirigido por Chris Paine, começa com uma cena emblemática: mostra um suntuoso funeral no cemitério Hollywood Forever, na Califórnia (EUA). No lugar do caixão, o que se vê é um exemplar do GM EV1, o carro elétrico da General Motors. Lançado em 1996, o veículo começou a ser literalmente morto a partir de 2004, quando teve início a campanha de recolhimento das unidades comercializadas no sistema de aluguel. Boa parte dos exemplares foi esmagada no deserto de Mesa (Arizona). O filme não fez muito sucesso. Mas essas imagens, de certa forma, assombram os empresários Elon Musk e Martin Eberhard, donos da Tesla Motors. São eles que pilotam o projeto do audacioso Tesla Roadster, o primeiro superesportivo do mundo movido a energia elétrica. Depois de consumir investimentos de US$ 145 milhões durante cinco anos, chegou a hora de colher os dividendos. "Começamos as entregas em março último e a expectativa é produzir 400 unidades até o final deste ano", disse à DINHEIRO Megan Cid, coordenador de vendas e marketing da Tesla Motors Corp. Em tempos de petróleo caro e de crescente consciência ambiental, um veículo ecologicamente correto tem tudo para fazer um enorme sucesso. Prova disso é que existe uma fila de espera de mil pessoas, que já desembolsaram US$ 109 mil, cada, pela primazia de serem os primeiros a dirigir o bólido. A lista inclui atores como George Clooney, empresários do porte de Larry Page, fundador e acionista do Google, e Arnold Schwarzenegger, ex-ator e atual governador da Califórnia.
Concebido a partir de um chassi do modelo inglês Lotus Elise, o Roadster chama a atenção pela beleza e o desempenho, itens considerados imprescindíveis pelos amantes dos carros esportivos. Com isso, a Tesla escapa dos estigmas de que os carros movidos a fontes alternativas têm de ser lentos, como o híbrido Toyota Prius, feios, como o GM EV1, ou caros. O Roadster deixa para trás similares como o Porsche 911 Turbo em todos os quesitos. Graças a um banco de baterias recarregáveis de lítio (semelhante às usadas em celulares e notebooks), o Tesla faz de zero a 100 km em apenas 3,6 segundos. Os brasileiros tão cedo não terão a chance de pilotar um carro da Tesla, segundo o diretor de vendas e marketing. "Nossa prioridade é consolidar a marca nos Estados Unidos e na Europa", explica. Mas, para transformar o sonho em um bem-sucedido modelo de negócio, a dupla Musk-Eberhard terá de fazer muito mais do que apenas um carro bonito, ágil e ecologicamente correto. Gente do ramo, como John De Lorean, fracassou na tentativa de fazer um superesportivo, o DeLorean, capaz de se impor diante de modelos consagrados e produzidos por marcas globais. O mais longe que o bólido conseguiu chegar foi ao papel de coadjuvante no filme De volta para o futuro.
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