Confira também outros sites:

HOME: ONLINE: MAIS ACESSADOS
Renato Velasco  

Dieta equilibrada: a atriz Nívea Stelmann não tem dúvidas sobre o efeito da alimentação natural sobre a saúde. Tanto que pediu a um nutricionista uma dieta para manter a sua energia em alta.

 
GUIA DOS ALIMENTOS: faça compras no "supermercado virtual" de ISTOÉ e conheça os alimentos que curam
Dois copos: beber vinho faz
bem à saúde
Ervas no microscópio: as plantas têm propriedades medicinais
 

Nutrição
O poder dos alimentos
Uma ciência chamada nutracêutica
coloca frutas, cereais, peixes e legumes
no microscópio e confirma sua eficácia
na prevenção de várias doenças

Como foi o seu último jantar? Muita verdura e fruta ou carne carregada de molhos gordurosos? Se foi mais parecido com a segunda opção, é bom ficar atento. A importância dos alimentos na saúde é conhecida, mas agora o que se coloca no prato começa a ganhar de fato status de remédio. O responsável por essa revolução é uma nova ciência – batizada de nutracêutica –, que finalmente se propõe a esquadrinhar o que se come e quais os efeitos desses alimentos no organismo. E os resultados que estão sendo obtidos não poderiam ser mais animadores. A fantástica oferta de verduras, legumes e frutas, principalmente, à disposição do ser humano pode realmente ajudá-lo a tratar doenças que vão de uma simples gripe até o câncer. Na Europa e nos EUA, as pesquisas estão avançadas. Na França, por exemplo, já está à venda um tomate com alto teor de licopeno, que combate o câncer. Nos EUA, quase metade da população completa suas receitas médicas com alimentos e ervas que funcionam como verdadeiros remédios. No Brasil, a legislação só autorizou a venda de alimentos deste tipo há seis anos.

Apesar do pouco tempo, a indústria alimentícia corre contra o relógio para
colocar nas prateleiras produtos com um rótulo que atesta suas propriedades funcionais. Segundo a Agência de Vigilância Sanitária, todo mês é divulgada uma lista de alimentos e ingredientes que passaram pelos testes científicos exigidos. "Todos os pedidos de alegação funcional são examinados por uma comissão e terão de estar embasados em estudos aceitos pela comunidade científica internacional", afirma o professor da Escola de Nutrição da Universidade Federal de Ouro Preto, Ricardo Coelho, que também participou da elaboração do regulamento para alimentos funcionais.

Desconfiança – Os mais céticos torcem o nariz para tanto entusiasmo. Será
possível que um simples brócolis interfira no metabolismo do corpo a tal ponto
que consiga beneficiá-lo de alguma forma? Como um prato de salada pode contribuir para dar um final feliz a uma história de câncer que caminhava para um desfecho trágico? E é aí que as respostas da nutracêutica estão sendo fundamentais. Essa ciência descobriu que os alimentos funcionam porque
contêm, entre outros elementos, o que está sendo chamado de composto
bioativo. São substâncias de nomes esquisitos, como licopeno e flavonóides,
que são excelentes auxiliares na prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, câncer e diabetes, entre outros males. No tomate, por exemplo,
o licopeno já se revelou uma excelente arma na prevenção do câncer,
principalmente os de bexiga, mama e próstata. "Uma vez no organismo, esses compostos podem ajudar na cura e tratamento de doenças", diz a nutricionista paulista Lisia Kiehl. O que os cientistas estão tentando decifrar é exatamente a maneira como os compostos bioativos agem. "Em geral, por possuírem um forte poder antioxidante, eles evitam a oxidação das células, um processo que contribui para o desenvolvimento de doenças degenerativas", completa Lisia. Em sua
grande maioria os compostos bioativos estão distribuídos nas frutas, legumes, verduras e cereais. Dos produtos de origem animal, por enquanto, o que se descobriu é que os únicos a contê-los são os peixes de água fria, como salmão,
o leite fermentado e o iogurte.

Olavo Rufino

Sem médico: Gilberto Gil sofre com pequenos pólipos nas cordas vocais e aposta na alimentação natural para curar o problema e melhorar o desempenho de todo o corpo. "Uso e abuso do arroz integral, dos cereais, do trigo sarraceno. Gosto das raízes como a bardana, o nabo e a cenoura. As folhas, os legumes e a soja também são muito importantes."

Aval científico – Feitas dentro dos laboratórios, essas descobertas têm dois objetivos. O primeiro
é dar uma chancela científica à velha sabedoria popular de que os alimentos têm poder curativo.
O segundo é isolar o componente bioativo e
inseri-lo em outros, no próprio alimento ou em cápsulas naturais, em doses que
comprovadamente podem ajudar na saúde.
E esses estudos caminham a todo vapor. Nos Estados Unidos, um dos principais centros de pesquisa é o Functional Foods for Health, que funciona dentro da Universidade de Illinois. O
centro se dedica a melhorar a saúde do ser
humano e a reduzir os gastos com tratamento de doenças por meio de pesquisas e produção de compostos bioativos.

Afinal, quanto mais se investir na prevenção com a ajuda da alimentação menos se gastará em tratamentos caros, quando as doenças já estão em estado avançado. Atualmente, a soja e a ação que ela pode ter na redução do colesterol – um dos maiores fatores de risco para doenças cardiovasculares – estão sendo os principais temas de pesquisa do centro. Estudos realizados anteriormente com a soja demonstraram que alguns de seus compostos bioativos, como o lupeol, podem auxiliar no tratamento da malária.

Outra pesquisa, realizada no Jonsson Comprehensive Cancer Center, da Universidade da Califórnia, e conduzida pelo oncologista John Glaspy, vem demonstrando que a relação entre alimentação e câncer também pode ser mais estreita do que se pensava. O trabalho, que deverá durar dez anos, procura descobrir se uma dieta com pouca gordura e rica em ácido ômega-3 (composto bioativo encontrado em peixes de água fria, principalmente no salmão) pode ajudar a prevenir, tratar e evitar o retorno do câncer de mama. Por enquanto, resultados preliminares, publicados no Journal of the National Cancer Institute, revelaram que quando uma mulher come mais ômega-3 a composição de seu tecido no seio muda. "Essa mudança deve ter implicações na prevenção do câncer", diz Glaspy.