18 de março de 1998





Seca na Amazônia
Roraima pode perder 100 mil cabeças de gado e 500 mil pés de tomate se a estiagem continuar até abril


FOTOS: J. PAVANI

A estiagem tem destruído vários trechos de floresta

ZEQUINHA NETO, DE BOA VISTA

A economia de Roraima deverá sofrer um prejuízo de cerca de R$ 40 milhões se a estiagem que castiga o Estado desde o início do ano persistir até o final de abril. Aproximadamente 25% de seu rebanho bovino, ou seja, 100 mil animais, podem morrer de sede. Esta é a estimativa dos técnicos da Secretaria de Agricultura num levantamento preliminar sobre as atuais condições enfrentadas pelo Estado. Os prejuízos não ficam apenas aí: hoje 10% da safra de tomate está perdida, o que significa pelo menos 500 mil pés destruídos. Quarenta e sete dias depois que o governador Neudo Campos (PTB) decretou estado de calamidade pública, os recursos federais ainda não foram liberados. Segundo o secretário de Planejamento, César Mansoldo, até agora houve a necessidade de usar R$ 2 milhões do orçamento deste ano que seriam destinados a outras secretarias. Para minimizar o problema seria preciso pelo menos R$ 15 milhões. Segundo a Estação Meteorológica de Boa Vista, antes de 20 de abril dificilmente choverá no Estado. Todos deverão enfrentar muito calor e falta d’água. O fogo está destruindo também parte da reserva dos índios ianomamis.

O pior de tudo é que haverá reflexos nos próximos anos. A morte do rebanho vai exigir investimentos para recuperar o prejuízo, como a compra de matrizes, melhoria nas condições de pastagem e ainda esperar pelo crescimento dos animais. Já se prevê que em dois anos Roraima terá de comprar carne em outros Estados para suprir o mercado local.




O gado tenta achar água no pasto queimado: mortes

O secretário da Agricultura, Pedro Esteves, disse que um levantamento preliminar garante que 25% da pastagem está comprometida atualmente, levando ao desespero os criadores e os produtores. No meio do caos, o Estado apresenta um pacote de projetos para tentar atenuar o sofrimento dos moradores do Estado. Uma das primeiras medidas tomadas foi a construção de 2.300 açudes de pequeno porte, com capacidade para 150 metros cúbicos de água, mas a estiagem exige pelo menos 4.500 imediatamente. Até o momento cinco poços artesianos foram construídos.

Para o futuro, o governo terá de investir nas construções de barragens. Este projeto atual não soluciona o problema a curto prazo. "Temos de investir e acreditar que podemos minorar os problemas no futuro. Hoje nossa grande preocupação é tentar manter o rebanho em condições de sobrevivência", comentou Esteves.






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