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4 de setembro de 1996
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Chamaram o síndico
Líder das pesquisas, Pitta só disputou eleição em condomínio

FOTO: CAROL QUINTANILHA

O prédio onde mora Pitta: primeiro andar é território do Lesoto

LUIZA VILLAMÉA

Às vésperas de completar 50 anos, no dia 29 de setembro, o economista Celso Pitta está prestes a sentir pela segunda vez em menos de dois anos o gosto das urnas. Em 1994, ele venceu sua primeira eleição com 12 votos, ao ser indicado, por unanimidade, síndico do Edifício São Miguel, nos Jardins, um bairro nobre de São Paulo. Com 13 apartamentos de 450 metros quadrados, um por andar, o prédio passou por uma ampla reforma durante sua administração e, em março, o economista só não foi reeleito porque preferiu virar subsíndico do condomínio. Mas Pitta, que agora aparece como o principal candidato à sucessão do prefeito Paulo Maluf (PPB), reside oficialmente em território do Reino do Lesoto, um enclave na África do Sul que jamais visitou. É que, em 1992, por iniciativa do ex-deputado Adalberto Camargo, seu nome foi indicado e aprovado pela embaixadora do Lesoto nos Estados Unidos, Eunice Bulane, que procurava um cônsul honorário no Brasil. Como a monarquia não tem sede para abrigar seu representante, o apartamento de Pitta, no primeiro andar do Edifício São Miguel, faz as vezes de consulado e, legalmente, está dispensado de pagar o IPTU. Até recentemente secretário das Finanças do município - a pasta responsável pela cobrança do imposto -, ele abriu mão da isenção. Este ano, desembolsou R$ 2.265,20.

Pitta pode até virar prefeito da maior cidade do País, mas não tem o perfil de um político tradicional. Apesar de ter atuado em instituições públicas - como a Casa da Moeda, da qual foi um dos diretores - só chegou à equipe de Paulo Maluf graças ao seu desempenho na iniciativa privada. Carioca de Laranjeiras, ele desembarcou em São Paulo no Carnaval de 1987, a convite do irmão mais velho do prefeito, Roberto Maluf, para assumir a diretoria financeira da empresa da família, a Eucatex. Cinco anos depois, foi convocado para cuidar do cofre municipal. Mesmo quando estudava Economia no Rio, nos anos de chumbo dos governos militares, Pitta não teve nenhum envolvimento com movimentos políticos. Quando fala da época, lembra que uma de suas colegas de classe foi Sônia Angel Jones, que terminou torturada e morta nos porões da repressão. "Desde cedo tive que encarar a luta pela sobrevivência", justifica. "Estava totalmente voltado para o trabalho."

A mesma postura foi decisiva para ser escolhido como o candidato de Maluf para as próximas eleições. Na reta final do processo, Maluf ficou entre Pitta e seu secretário do Planejamento, Paulo Richter. Encomendou uma série de pesquisas e descobriu que Pitta era quem melhor refletia a imagem de sua administração, o que facilitaria a transferência de votos. "O Pitta começou a ganhar a eleição em 1o de janeiro de 1993", costuma repetir Maluf, referindo-se ao início de seu mandato. Em campanha, o economista segue o exemplo de seu padrinho político no campo das promessas. "Pode-se até questionar se ele tem experiência política", reconhece o publicitário Nelson Biondi, um dos coordenadores de sua campanha. "Mas, numa eleição municipal, o povo quer resultados e, nesse sentido, ser prefeito é muito parecido com ser síndico."


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