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![]() 7 de agosto de 1996 | Índice | Abertura da ISTOÉ | Cartas | ISTOÉ hoje | Outras edições | Expediente
ANDREI MEIRELES
Enquanto nos bastidores faz acenos a adversários, Fernando Henrique aprovou em reunião com o alto tucanato, na quarta-feira 24, a adoção de uma série de providências para tentar ajudar o desempenho do PSDB nas urnas. Além do anúncio de grandes obras que estão sendo mantidas em sigilo para provocar um impacto eleitoral maior, FHC escalou o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, para bater nos principais concorrentes de Serra em São Paulo. Serjão, conhecido por sua tagarelice e capacidade de vencer obstáculos, não perdeu tempo. Na sexta-feira 26, ele transformou em comício uma solenidade no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para anunciar a implantação de 18,5 mil telefones públicos em conjuntos habitacionais no Estado de São Paulo. "A escolha dos paulistanos se dá entre a enganação da população com a adoção de atos administrativos nojentos e o caminho de compromisso com a maioria dos contribuintes. E todos sabem que Serra é o único que pode trilhar esse caminho", discursou o ministro, num ataque aberto a Maluf. Com a corda toda, na terça-feira 30, aproveitou a presença em seu Ministério dos medalhistas olímpicos Gustavo Borges e Fernando Scherer, o Xuxa, para aumentar o tom dos ataques aos adversários de Serra. "Em São Paulo, há um candidato que explora a crendice popular, uma candidata que deixou a prefeitura com os piores índices sociais do País e um outro que parece um boneco de ventríloquo", disparou Serjão. Dessa vez, recebeu o troco. "O governo está sendo punido pelas urnas e parte para o desespero", reagiu o presidente do PDT, Leonel Brizola. "Francisco Rossi (candidato do PDT à prefeitura paulistana) é um homem correto e equilibrado e tem correspondido plenamente à nossa expectativa", completou. Em carta endereçada ao ministro das Comunicações, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) rebate as críticas ao desempenho da Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo. "Já que o senhor se preocupa tanto com o social, recomendo que ressalte a evolução do desemprego no governo Fernando Henrique", ironizou Suplicy. Mesmo com as dificuldades enfrentadas nas duas direções em que o Planalto aposta para viabilizar a reeleição de FHC, o PSDB não se dá por vencido. Há duas semanas, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, fez a líderes partidários governistas uma exposição na qual previa que a economia estará reativada no final de setembro. "Sem dúvida, isso ajudará nossos candidatos", diz o líder do governo no Congresso, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Nesta terça-feira 6, a direção nacional do PSDB se reúne em Brasília para avaliar o que pode ser feito para ajudar os candidatos do partido em todo o País. Além de São Paulo, a nobre tucanagem tem uma preocupação especial com as eleições no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, que compõem o chamado "Triângulo das Bermudas" da política nacional. Além de distribuir vasto material de propaganda com vinhentas e peças publicitárias que vinculam o partido ao Plano Real, o comando do PSDB tem preocupações mais concretas para ajudar seus candidatos. A idéia é influir ao máximo no Plano de Metas e nas próximas decisões da política econômica para tentar faturar eleitoralmente com medidas como o estímulo às exportações. "Esses projetos serão uma prova de que a melhor candidatura em São Paulo é a de José Serra, porque mostrarão que as coisas boas para a indústria paulista estão ligadas a ele", afirma o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM). "Se o governo federal fizer isso, vai estar usando dinheiro público para fazer política. Até agora, só fizeram marketing", responde o presidente nacional do PT, José Dirceu. Para alavancar a candidatura do deputado estadual Sérgio Cabral Filho (PSDB) à Prefeitura do Rio de Janeiro, pelo menos os recursos para a ampliação do Porto de Sepetiba estarão previstos no Plano de Metas. "Quando o governo, às vésperas das eleições, começa a anunciar a contratação de obras milionárias é porque bateu desespero e já não consegue mais recuperar a credibilidade perdida", critica Brizola. "O que ocorrerá em outubro nos grandes centros urbanos será um julgamento do governo Fernando Henrique. E não vai adiantar a apelação para o Plano Real, pois essa bananeira já deu cacho", acrescenta o ex-governador carioca. Nas hostes tucanas, apesar das pesquisas eleitorais, o real é ainda considerado um grande eleitor. "Claro que o real ajuda", diz Arthur Virgílio. Por isso, o PSDB insiste em apostar na vinculação de seus candidatos com o governo federal e com a queda da inflação. Todo o esforço do Planalto, porém, pode não ser aceito. Mesmo municiado para a defesa da política econômica durante a campanha, Serra não parece convencido de que uma ajuda do governo resulte em votos. "Pode até atrapalhar", admite com inimaginável franqueza. Apesar disso, vai usar nos programas de televisão depoimentos de ministros populares em São Paulo, como Paulo Renato, da Educação. A primeira-dama Ruth Cardoso também vai gravar uma mensagem de apoio para a campanha de Serra. Já o presidente Fernando Henrique Cardoso não pretende usar o palanque eletrônico em favor de seu candidato. No Palácio do Planalto, a informação é a de que o presidente continuará, sempre que perguntado, a dar declarações de apoio a Serra, mas não vai gravar para a propaganda na televisão e nem participar de comícios. A ausência de FHC na propaganda de Serra não significa que o presidente tenha jogado a toalha. "Só depois de um mês de horário eleitoral na televisão é que as pesquisas vão captar a verdadeira tendência dessa disputa", comentou Fernando Henrique com assessores na semana passada. Se o presidente estiver certo e Serra conseguir virar o jogo para vencer a eleição, será a glória do PSDB paulista. Afinal, desde que foi criado, em 1988, o partido nunca elegeu o prefeito de São Paulo e hoje tem o governador do Estado e o presidente da República. Mas, se o eleitor continuar resistindo a votar no candidato peessedebista, a cúpula do partido entrará em estado de alerta porque o sonho da reeleição ficará muito mais distante. | ||||