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![]() 12 de março de 1997
abertura
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ANA HELENA PATRUS DE SOUZA
Recebo a notícia de que o CRM acaba de arquivar o caso "Cláudia Liz": não há nada que dasabone a conduta profissional e ética da Clinique Santé, onde a modelo sofreu uma reação anafilática absolutamente imprevisível. Segundo o próprio presidente do órgão, dr. Pedro Paulo Roque Monteleone, declarou aos jornais, "o atendimento da clínica foi perfeito". Há cerca de um mês, o laudo do IML já afirmava que a Clinique Santé agira com rapidez e eficiência, garantindo a vida e a plena recuperação de Cláudia Liz, que, inclusive, segundo este mesmo laudo, nem sequer entrou em coma. Quinze dias atrás coube ao Poder Judiciário na pessoa do juiz Francisco Galvão Bruno arquivar o caso: "Não há que falar em crime." Honestamente, não sei se estas notícias me dão motivo para comemorar ou só aumentam a minha indignação com a imprecisão, o sensacionalismo e a irresponsabilidade com que este caso foi tratado, salvo raríssimas exceções. Por quatro meses e meio, vi-me obrigada a repetir à exaustão a verdadeira história do incidente do qual fui testemunha presente o tempo todo. E me defrontei com ilações de leigos com a arrogância de quem, por conveniência, não aceitava a verdade dos fatos, com a manipulação da opinião pública, com a maldade inteligente de um lado e a ingênua ignorância de outro. Disse por ocasião do laudo do IML e repito agora no arquivamento do CRM: para mim não há novidade alguma. Ele expressa exatamente o que sempre afirmei. A capacitação técnica e os recursos materiais da Clinique Santé permitiram que, em poucos dias, Cláudia Liz aparecesse acenando sorridente para os jornalistas no Hospital Albert Einstein, onde ela deu entrada por decisão única e exclusiva da Clinique Santé, a fim de realizar uma tomografia, procedimento de praxe nestes casos. Confiada aos cuidados do dr. Elias Knobel, profissional de notória respeitabilidade e de minha confiança absoluta, teve seu caso transferido para o dr. Jorge Pagura. Se a partir daí começaram informações desencontradas, veiculadas na imprensa, que ora davam Cláudia Liz em estado de "morte cerebral" ora ameaçada de cegueira e outras barbaridades que contrariavam qualquer semelhança com o que realmente se passava, a culpa não foi da Clinique Santé. Cláudia Liz nunca esteve ameaçada de morte, cegueira, nem esteve em coma. Ao deixar a Clinique Santé, estava em sono profundo induzido por medicamentos, procedimento adotado para proteção cerebral após uma reação anafilática. Havia inclusive uma previsão de que ela começaria a despertar por volta das 23h, o que de fato ocorreu. Por uma conduta clínico-neurológica, que entendeu por bem proceder o médico encarregado do caso, ele voltou a sedá-la com o mesmo objetivo anterior: proteção cerebral. É o que pode ser chamado de coma induzido, medicamentoso, torpor ou sedação. Ou seja, tecnicamente, Cláudia Liz apenas dormia por efeito de medicamentos. Naquelas 96 horas em que Cláudia Liz dormiu, vivi um doloroso pesadelo, em meio a um absurdo contra-senso, que buscava colocar a clínica como vilã óbvia de uma tragédia sugerida. A propaganda negativa funcionou. Ficamos sem pacientes e vimos a capacidade da Clinique Santé ser colocada sob suspeita. A imprensa me cercava na busca de detalhes que saciassem a sede dos leitores, ouvintes e telespectadores sobre um caso sob medida para o imaginário popular: uma linda moça sofrendo as agruras na busca do físico perfeito. O choque da circunstância abalou fãs, familiares e por mais que eu falasse não era ouvida. Insinuações maldosas circulavam como sugestões para minha defesa. Tenho uma família e filhas a quem devo bons exemplos. Portanto, nada me demoveria da decisão assumida desde o início de ser leal a minha cliente, que sempre confiou em mim. Graças a esta postura, ao restabelecimento da verdade e à nossa competência robustamente comprovada a Clinique Santé hoje está recuperada. E com a energia dada por Deus, por meu pai e pelas pessoas sensíveis e inteligentes que se posicionaram publicamente em defesa da Clinique Santé, posso afirmar: Cláudia Liz está bem porque a ela nossa equipe dedicou boa medicina e teve sua imagem preservada porque a ela dediquei o melhor do meu caráter. Não foi nenhum favor; apenas justiça com uma vítima inocente de sua própria notoriedade.
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