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EM
RITMO DE CONCERTO
Nikolai Dejnióv
Setembro
em Moscou não é a melhor época do ano.
Principalmente nos seus primeiros dias. Aí por meados do
mês começa o veranico, mas os primeiros dias costumam
ser opacos, e quando não são chuvosos, são
nublados. A cidade fica de cima a baixo tomada de uma desolação
cinzenta e nostálgica, que faz o coração sentir
apertos no pressentimento de um inverno longo e frio. Se não
chove nem faz uma umidade estafante, venta. Pelas ruas, que cedo
ficam desertas, ele empurra o lixo acumulado à sua frente,
as folhas caídas das árvores, latas e restos de jornais.
O que há nelas, nessas novidades já envelhecidas?
O verão passou, passou o verão - essa é a novidade
mais importante.
Lúkin
abaixou-se, apanhou da calçada uma folha de jornal amassada,
alisou-a sob a luz vacilante de um lampião que o vento balançava.
Então, os fascistas estão se empenhando para chegar
ao poder na Alemanha... Números do cumprimento do primeiro
plano qüinqüenal ... Sutchkov, soldado do Exército
Vermelho, recebeu um relógio com o nome gravado como prêmio
pela bravura demonstrada em um incêndio...
Arena
escura, triste! A liberdade como necessidade, conscientizada no
regime proletário. Lúkin amassou o jornal, atirou-o
na calçada. Apanhado pelo vento, o bolo de papel saiu rolando
no calçamento. Com o chapéu caindo na testa e com
o rosto escondido pela gola da capa, Lúkin acendeu um cigarro,
aprumou-se, olhou para a extremidade da rua.
-
Haja o que houver - disse em voz alta -, aconteça o que acontecer,
um incêndio ou a agonia da ditadura, sempre haverá
gente tirando proveito disso. Pelo visto assim é o bicho
homem: tira proveito de tudo!
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