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O Rei de Havana
Pedro Juan Gutiérrez
Companhia das Letras
Tradução: José Rubens Siqueira
Regressou
lentamente. Não tinha pressa. Gostava de andar de madrugada,
de vagabundear sem rumo. Era melhor esquecer o cemitério.
Além disso, era trabalho demais por vinte pesos. Chegou muito
cedo ao edifício. Subiu a escada. Bateu na porta de Magda.
Ela abriu, sonolenta.
-Ah, até que enfim você apareceu.
-O mesmo digo eu.
Magda se atirou na enxerga de novo. E ele ao lado dela. Dormiram
no mesmo instante. Quando acordaram passava do meio dia. Como sempre,
ele acordou com uma ereção fenomenal. Magda estendeu
a mão. Apalpou, ainda meio adormecida. Apertou. Ele pôs
a mão no sexo dela. E sem abrir os olhos se acariciaram.
Ele chegou mais perto. Essa era Magda. Com cheiro de sujeira, igual
a ele. Lambeu seu pescoço. Cheirou suas axilas fétidas.
Isso o excitava muito. Subiu em cima dela, penetrou-a, e se sentiu
muito bem. Realmente bem. Seria amor? Não se lembrou da bebadinha
da noite anterior. Nem de Sandra. Treparam com profundidade, quer
dizer, sentindo o que faziam. Depois do primeiro orgasmo, continuaram,
ficaram um pouco mais frenéticos. Ah, que bom.
- Gosta de mim, titi?
- Gosto, papito, como gosto...como me sinto bem com você.
Os dois corpos unidos se comunicavam aos sussurros, com pequenas
frases de amor. Se acariciavam, se desejavam com cada pedacinho
dos sentidos. Depois, quando esfriava a sensualidade, dava pena
sentir tanto amor. A sutileza do amor é um luxo. Desfrutá-lo
é um excesso impróprio dos estóicos.
Levantaram-se da enxerga às três da tarde. Magda lhe
ofereceu rum. Restava um pouco numa garrafa.
- Não. Estou com fome.
- Nem comida, nem café, nem cigarro. Não tem nada.
Rum e mais nada.
- Você é um desastre.
- Você é mais desastre que eu, Rey. Se eu não
arrumo grana, a gente morre de fome.
- Bom, vá, se manda. Arrume algum.
- Espere um pouco, chino, tenho um dinheirinho aqui.
-
Dos velhos?
- De qualquer coisa, neném. Não comece com essa encheção.
Já disse cinquënta vezes que os velhos dão mais
dinheiro que o amendoim. Vamos pra rua, procurar alguma coisa pra
comer.
- Não. Eu fico. Você traz. E não demore.
- Você é o maior mimado do mundo. Rei de Havana não.
O Mimado de Havana!
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