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A RAINHA MARGOT
Alexandre Dumas
Tradução e adaptação de Fernando Nuno
Ilustrações de Odilon Moraes
Companhia das Letras
O apartamento da baronesa de Sauve
Catarina estava certa. Henrique de Navarra tinha voltado a freqüentar
os aposentos de Charlotte de Sauve, descuidando-se das precauções
para manter em segredo essas visitas. A rainha-mãe não
teve dificuldade em afirmar que a rainha de Navarra oficial continuava
a ser Margarida - mas a rainha de fato era a baronesa de Sauve.
Charlotte, porém, queria saber se o amor de Henrique era
verdadeiro:
- Henrique, você jura que me ama?
- Se eu fosse huguenote, juraria, sim, mas...
- Mas o quê?
- A religião católica, que estou aprendendo a praticar
agora, proíbe os juramentos... Mas você tem de me responder
uma coisa...
- Não tenho nada a esconder - disse Charlotte.
- Então me explique por que resistiu tanto a mim antes desse
meu casamento fictício, e agora está sendo menos cruel
com este pobre bearnês do interior, um provinciano ridículo
do Sul como eu... Sabe que eu sou tão pobre que nem tenho
dinheiro para mandar lustrar as jóias da coroa?...
- Henrique, você está me pedindo a resposta a um enigma
das mulheres que os filósofos de todos os países estão
tentando decifrar há três mil anos... Nunca pergunte
a uma mulher por que ela ama você. Contente-se em perguntar,
simplesmente: "Você me ama?".
- Você me ama, Charlotte? - perguntou Henrique.
- Amo.
- Mas sempre falta alguma coisa - insistiu ele. - Nem mesmo Adão,
em pleno Paraíso, se sentia completamente feliz, e acabou
mordendo aquela maça miserável que despertou em todos
nós esse desejo de curiosidade que faz todos nós passarmos
a vida querendo saber o que não dá para saber. Então
me diga, minha querida: não foi Catarina quem lhe disse que
você devia me amar?
- Henrique! - sussurrou Charlotte. - Fale baixo quando mencionar
a rainha-mãe.
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