Veja também outros sites:
Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO Nº 1748
 Capa
 Índice
 ISTOÉ São Paulo
 Exclusivo Online
 EDITORIAS
 Artes & Espetáculos
 Brasil
 Ciência & Tecnologia
 Comportamento
 Economia & Negócios
 Internacional
 Medicina & Bem-Estar
 SEÇÕES
 A Semana
 Avenida Brasil
 Cartas
 Editorial
 Em Cartaz
 Entrevista
 Fax Brasília
 Gente
 Século 21
 Viva Bem
 SERVIÇOS
 Edições Anteriores
 Biblioteca
 Fale Conosco
 Newsletter
 Assinaturas
 Publicidade
 Expediente
 
 Busca
 Procure outras matérias
 
Livro

Lágrimas Impuras
Furio Monicelli
Companhia Das Letras
Tradução José Rubens Siqueira

Andrea colocou todo o necessário numa valise e chamou um táxi pelo telefone. Foi para a praça San Giovanni. Comprou o último maço de cigarros, depois entrou na basílica lateranense. Confessou-se e ficou rezando um pouco. Não havia nele nem um pingo de comoção.

Ao sair do templo, entrou num restaurante da praça e consumiu uma lauta refeição. Pensou que em casa já deviam ter descoberto sua fuga; mas não podiam ir atrás dele, porque não deixara endereço. Pagou a conta e atravessou a praça para tomar o ônibus rumo a Galloro. O dia, um dia chuvoso de fim de outubro, estava frio e triste como um remorso. No trajeto, que atravessava a periferia da cidade e depois o campo e as colinas suaves de Albano, parecia-lhe interessante observar o mundo com outros olhos, uma vez que estava prestes a abandoná-lo. Desceu numa pracinha arborizada, na frente de uma igreja barroca ao lado de um edifício severo e cinzento. Chegara ao santuário da Madona de Galloro, sede do noviciado da Companhia de Jesus.

Bateu no portão do convento. Entrou no saguão, hesitante como um colegial. De uma janelinha de vidro despontou a cabeça raspada de um religioso. Andrea apresentou-se e o outro sorriu, animador. "Estávamos esperando", disse e indicou-lhe uma saleta contígua, pedindo que esperasse ali dentro. Era uma sala nua e fria. Andrea sentou-se numa cadeira de madeira. Pendurados na parede, dois retratos do papa. No silêncio sombrio, o rapaz pôs-se a olhar as duas ampliações fotográficas. Pio XII parecia um personagem de El Greco ou um retrato do grande Condé, que Andrea vira em algum lugar. Minutos depois, entrou um padre alto e robusto, com uma cara de ocasião.
"Sou o padre mestre", disse.

Andre a levantou-se. O superior o abraçou, depois pegou sua maleta e tomou a dianteira para fora da sala. O rapaz protestou, tentando pegar a maleta, mas o padre não quis entregá-la. Com aquela pequena lição de humildade, dava início, instantaneamente, à formação religiosa do novo postulante. De volta ao saguão, o superior abriu uma porta em que estava escrito "Clausura", e Andrea o seguiu por um longo e limpíssimo corredor escuro. Ouviu a porta fechar-se às suas costas, com um ligeiro baque.



 

<< volta para multimídia

 

Kama Sutra
Altar virtual
Jardim Perfumado
Tarô
Realejo
ÚLTIMAS
INDICIADOS: Máfia dos fiscais vai para o banco dos réus
ESTÁ PERTO: Dirceu quer expulsão dos radicais do PT

NAMORO:
PPS está de
olho no Ministro
das Comunicações

MUNDO CÃO: Japoneses lançam tradutor de latidos

SUPERMÁQUINA!

Pesquisa liga mulheres e automóveis. Clique e diga se a sua musa é uma Ferrari, um Porsche, uma BMW ou uma Mercedes

E O OSCAR
VAI PARA...
Sem brilho
habitual,
cerimônia vira
palanque político
ENQUETE
A Casa Branca tirou do cardápio de Bush as referências à cozinha francesa. Mas cometeu um deslize. Tente descobrir qual.
QUAL É SADDAM?

O ditador tem
vários sósias
para ajudar na
sua segurança. Clique e tente adivinhar qual é o Saddam verdadeiro

| ISTOÉ DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL |
© Copyright 2003 Editora Três