157401 de dezembro de 1999  

  T E R A P I A  A L T E R N AT I V A
Dentista sem medo
Acupuntura desponta como recurso para amenizar o pânico do tratamento dentário

MARINA CARUSO

Seja por medo da anestesia ou de sentir dor, é comum que a maioria das pessoas estremeça só de pensar em ouvir o barulhinho da broca do dentista. Mas há pelo menos 100 anos a medicina tradicional chinesa já tinha um jeito de amenizar o terror de sentar-se à cadeira do dentista. Por meio da acupuntura, os médicos anestesiavam e tranquilizavam seus pacientes. Foi um sucesso. E como o medo é um sentimento universal, a técnica também está fazendo sucesso por aqui. Cada vez mais aumenta a procura por tratamentos odontológicos que utilizam a acupuntura para anestesiar. “O casamento da acupuntura com a odontologia se fortalece dia a dia”, afirma o dentista Orley Dulcetti, presidente do Instituto Brasileiro de Acupuntura e Homeopatia. No seu consultório, em São Paulo, o especialista é um dos que observam esse crescimento. Sua agenda está sempre lotada por pessoas interessadas na ajuda da acupuntura.

A procura se justifica. A diferença entre a anestesia convencio-nal e a provocada pela acupuntura começa logo no momento da aplicação. É bem menos assustador saber que, ao se sentar na cadeira do dentista, o profissional colocará finíssimas agulhas em pontos estratégicos no rosto. Segundo a técnica chinesa, esses pontos são estimulados pelas agulhas, promovendo a analgesia da boca. Bem menos aterrorizante do que receber uma injeção de anestesia na gengiva com uma seringa enorme. Além disso, as picadas da acupuntura são infinitamente menos dolorosas do que as da anestesia convencional.

A anestesia ocorre cerca de 15 minutos depois. E embora à primeira vista pareça inacreditável, ela funciona. Tanto é verdade que se pode enfrentar até um tratamento de canal sob a analgesia por meio da acupuntura. Foi o que fez bravamente a enfermeira Maria Augusta da Silva, 56 anos. “Não doeu nada. Foi como tomar anestesia, mas sem a dor das picadas e aquela sensação de dormência da boca”, conta. De fato, outra vantagem da anestesia com acupuntura é a ausência do formigamento da região da boca. A técnica também é uma boa saída para quem tem alergia aos anestésicos e para gestantes. Em geral, essas mulheres tendem a sofrer uma elevação de pressão e devem evitar anestesia porque ela costuma aumentá-la ainda mais.

Muitas vezes, associa-se a homeopatia ao tratamento com acupuntura. “Com a acupuntura, anestesiamos o paciente. Na homeopatia fazemos um trabalho para baixar a ansiedade e diminuir o medo. São terapias independentes, mas complementares”, explica o dentista Dulcetti. O uso de técnicas consideradas alternativas, como a acupuntura, na odontologia tem se mostrado tão eficaz que convenceu até o Conselho Federal de Medicina. “O órgão aprova a técnica na odontologia como analgésico e em casos de dores na ATM (articulação temporomandibular)”, explica o cardiologista e acupunturista Gabor Fonai, fundador da Associação Paulista de Acupuntura. O dentista Dulcetti vai mais além. Aconselha a acupuntura também para pacientes com gengivite, nevralgia do trigêmio (dor na face devido a um problema num de seus principais nervos), mialgia (dor muscular) e aftas.

 

 
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