| Eu
amo, eu odeio
Dois personagens trazem visões
bem antagônicas das festas
Monique
Graner Carletto
52 anos,
paulistana, professora
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" O Natal sempre foi uma festa muito alegre, muito
curtida em casa. Quando era pequena, deixava uma xícara
de café com leite para o Papai Noel. Fazíamos
um jantar muito alegre, com árvore de Natal, presentes.
E mantive essa tradição com meus filhos. Na
realidade, para nós, não se trata de uma festa
religiosa. Mas uma celebração familiar. Lembrava
muito de um castiçal de metal, decorado com
uns anjos, umas velinhas e um sininho. Era uma graça
e eu ficava encantada com aquilo. Depois de muito tempo, reencontrei
um castiçal igualzinho e comprei. Outra coisa que eu
faço é colocar minha empregada e a empregada
da minha mãe no carro e sair para passear à
noite por São Paulo. Faço um verdadeiro tour
natalino. Passo nas ruas decoradas, iluminadas, como a Gabriel
Monteiro da Silva, a República do Líbano,
os Jardins. O Natal com meu primeiro filho também foi
uma delícia. O André sempre gostou de animais
e, além da xícara de café com leite
que deixávamos para o Papai Noel, ele deixava uma cenoura
para a
rena. Até hoje faço uma das sobremesas que minha
mãe, que era francesa, fazia. Um doce chamado Montblanc,
com castanhas cozidas
ao leite de baunilha e cobertas com chantili. Durante o ano
inteiro, também faço geléias de uva,
tangerina, morango, damasco. Coloco
em cestinhas, todas decoradas, e dou para nossos amigos, amigos
dos nossos filhos. Eles já sabem que vão ganhar."
Kiko
Costato
25 anos,
paulistano, radialista
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" O ano deveria terminar no dia 20 de novembro e começar
no 5 de janeiro. Sempre fiquei deprimido nesta época, deste
moleque. Ainda tem um agravante. Meu aniversário é no dia
28 de dezembro, o que implica inferno astral. Além do mais,
ninguém lembra do meu aniversário. Eu tenho que ficar avisando
que é meu aniversário, porque todo mundo só está pensando
no final do ano. Gosto de dar festas de aniversário, tenho
um monte de amigos, mas nesses dias não dá. Então eu tive
que decretar: meu aniversário agora é na semana seguinte do
Carnaval. Me incomoda a obrigação de abraçar aquelas pessoas
da família que a gente só vê uma vez por ano. E, você sabe,
família a gente não escolhe. E o povo aparece no Natal e a
gente tem que estar todo simpaticão. Sem contar aqueles comerciais
de televisão, pregando amor e paz, aquele locutor com voz
grossa falando aquelas mensagens, para se chorar em 30 segundos.
E todo mundo se acotovelando nas lojas. Fica aquela expectativa
se fulano vai ligar, sicrano vai ligar. Haja Lexotan. A única
coisa boa de estar desempregado é que me livro do amigo secreto
da firma, daquela obrigação de dar presente para quem você
não tem a menor intimidade, e abrir seu presente com aquele
sorriso amarelo.
Natal só deve ser legal para quem tem filhos pequenos."
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| Jorge
Forbes |
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“O final de ano é complicado porque é uma época
em que se renova a esperança de
ser compreendido. Compreensão, neste caso,
é um sonho. Alguém que saiba o que te faz falta.
O que, na realidade, nem você sabe.
O presente é alguém tentando interpretar
este desejo. Mas o que ocorre numa festa
de Natal pode ser dividido em três tempos. Primeiro,
a alegria do encontro. Segundo,
a tensão de estar junto. E, finalmente, a
briga , porque alguma coisa falhou. Quem for psperto,
então que saia no segundo.” tempo.
Psicanalista
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