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COMPORTAMENTO
07/12/2002

Eu amo, eu odeio
Dois personagens trazem visões bem antagônicas das festas

Monique Graner Carletto
52 anos, paulistana, professora

  Felipe Leal

" O Natal sempre foi uma festa muito alegre, muito curtida em casa. Quando era pequena, deixava uma xícara de café com leite para o Papai Noel. Fazíamos um jantar muito alegre, com árvore de Natal, presentes. E mantive essa tradição com meus filhos. Na realidade, para nós, não se trata de uma festa religiosa. Mas uma celebração familiar. Lembrava muito de um castiçal de metal, decorado com
uns anjos, umas velinhas e um sininho. Era uma graça e eu ficava encantada com aquilo. Depois de muito tempo, reencontrei um castiçal igualzinho e comprei. Outra coisa que eu faço é colocar minha empregada e a empregada da minha mãe no carro e sair para passear à noite por São Paulo. Faço um verdadeiro tour natalino. Passo nas ruas decoradas, iluminadas, como a Gabriel Monteiro da Silva, a República do Líbano,
os Jardins. O Natal com meu primeiro filho também foi uma delícia. O André sempre gostou de animais e, além da xícara de café com leite
que deixávamos para o Papai Noel, ele deixava uma cenoura para a
rena. Até hoje faço uma das sobremesas que minha mãe, que era francesa, fazia. Um doce chamado Montblanc, com castanhas cozidas
ao leite de baunilha e cobertas com chantili. Durante o ano inteiro, também faço geléias de uva, tangerina, morango, damasco. Coloco
em cestinhas, todas decoradas, e dou para nossos amigos, amigos
dos nossos filhos. Eles já sabem que vão ganhar."

Kiko Costato
25 anos, paulistano, radialista

  Felipe Leal

" O ano deveria terminar no dia 20 de novembro e começar no 5 de janeiro. Sempre fiquei deprimido nesta época, deste moleque. Ainda tem um agravante. Meu aniversário é no dia 28 de dezembro, o que implica inferno astral. Além do mais, ninguém lembra do meu aniversário. Eu tenho que ficar avisando que é meu aniversário, porque todo mundo só está pensando no final do ano. Gosto de dar festas de aniversário, tenho um monte de amigos, mas nesses dias não dá. Então eu tive que decretar: meu aniversário agora é na semana seguinte do Carnaval. Me incomoda a obrigação de abraçar aquelas pessoas da família que a gente só vê uma vez por ano. E, você sabe, família a gente não escolhe. E o povo aparece no Natal e a gente tem que estar todo simpaticão. Sem contar aqueles comerciais de televisão, pregando amor e paz, aquele locutor com voz grossa falando aquelas mensagens, para se chorar em 30 segundos. E todo mundo se acotovelando nas lojas. Fica aquela expectativa se fulano vai ligar, sicrano vai ligar. Haja Lexotan. A única coisa boa de estar desempregado é que me livro do amigo secreto da firma, daquela obrigação de dar presente para quem você não tem a menor intimidade, e abrir seu presente com aquele sorriso amarelo.
Natal só deve ser legal para quem tem filhos pequenos."

Claudio Gatti  
Jorge Forbes .
“O final de ano é complicado porque é uma época em que se renova a esperança de
ser compreendido. Compreensão, neste caso,
é um sonho. Alguém que saiba o que te faz falta. O que, na realidade, nem você sabe.
O presente é alguém tentando interpretar
este desejo. Mas o que ocorre numa festa
de Natal pode ser dividido em três tempos. Primeiro, a alegria do encontro. Segundo,
a tensão de estar junto. E, finalmente, a
briga , porque alguma coisa falhou. Quem for psperto, então que saia no segundo.” tempo.
Psicanalista
 

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