| O
barato da grife
Em tempos de crise, pontas
de estoque de marcas famosas apresentam excelentes opções
de presentes
Dolores
Orosco
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Mônica:
“Pelo preço de um biquíni da nova coleção compro dois
da anterior” |
Se no mundo da moda impera o efêmero, pelo menos algo
permanece: as peças que sobram das coleções
passadas. E para encontrá-las, não há
lugar melhor do que as pontas de estoque. As tendências
podem ser de estações antigas, mas os descontos
de até 80% compensam. Tanto que, com a crise finaceira,
grifes badaladas como Ellus, Zoomp, TNG e Levi’s investem,
cada vez mais, no potencial
do consumidor do lojão de fábrica. A Rosa Chá,
por exemplo, acaba de lançar a moda dos
maiôs e biquínis cortados a laser. Mas –
atenta aos clientes que ainda procuram as peças à
la Carmen Miranda do verão anterior – criou a
Rosa Chá Coleções Passadas. Ou seja,
a moda praia do estilista Amir Slama com até 70%
de desconto. “Estamos sempre uma estação
para trás, mas tudo ainda está sendo usado nas
praias”, garante Mordechai Dan Slama, irmão mais
velho de Amir
e responsável pela ponta de estoque. Mas atenção:
além de antigas,
as peças podem apresentar pequenos defeitos. “Nesses
casos,
fazemos mais um abatimento no preço”, diz. Mordechai.
A vendedora Mônica Sávio, 29 anos, há
tempos descobriu as vantagens do saldão. “Tudo
sai muito mais em conta. Pelo preço de um biquíni
da nova coleção compro dois da anterior”,
explica. Na Rosa Chá, exemplo de preço que supera
o modismo é o maiô com estampa de bocas. No lançamento,
custava R$ 119 e hoje sai por R$ 59. Na ponta de estoque da
Levi’s, reina, além dos preços baixos,
o jeitão informal da fábrica. As peças
ficam dispostas em cabides ou dobradas em balcões,
como nas lojas mais populares. Uma calça jeans feminina,
lançamento de 2002, baixou de R$ 129 para R$ 42. E
a cobiçada 501 da Levi’s, cujo preço varia
de R$ 140 a R$ 190 nos shoppings, pode ser encontrada por
R$ 79 no saldão. Isabel Gorete Cardoso Batista, gerente
da loja, avisa que 80% dos artigos apresentam defeitos. Nesses
casos, a etiqueta da peça traz o aviso “irregular”.
“São problemas no caimento, algum fio solto ou
na lavagem. Mas a peça continua bonita e todo mundo
usa”, garante.
Mas, enquanto o consumidor da ponta de estoque busca grifes
a bons preços, o shopping center de São Paulo
que mais tem esse tipo de loja, o SP Market, quer fugir da
fama de comércio de saldão e garantir um público
mais glamouroso. Peças de grifes como Guaraná
Brasil, Victor Hugo, TNG, Zoomp e Zapping podem ser encontradas
a preços bem mais baixos. No outlet da Zoomp, um dos
maiores do shopping, as roupas ficam expostas em araras, e
o cliente mexe e escolhe à vontade. Os atendentes,
como na maioria das pontas de estoque, são mais simpáticos
e não se comportam como se os papéis se invertessem,
ou seja, vendedor é vendedor e cliente é cliente.
“Eles não têm aquela atitude blasé,
como se estivessem fazendo um favor ao vender a roupa. Aqui
o clima é tranquilo”, garante a secretária
mineira Nôva Fernandes, que costuma vir à capital
para renovar o armário nos saldões.
Até quem mais entende do assunto garante que vale
a pena investir na ponta de estoque. Segundo a consultora
de moda Glória Kalil, ao comprar roupas de coleções
antigas o ideal é adquirir o básico. “Peças
como jeans, tricôs, camisas brancas e biquínis
de cortininha sempre estão em alta independentemente
da estação. Então não importa
se são da ponta de estoque ou da loja convencional”,
ensina. Melhor assim.
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