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Parque
do Ibirapuera, 16h: meninas vão de biquíni, mas
não tiram a camiseta: pudor paulistano |
Para
muitos caiçaras, o passeio seria um inferno urbano. Sem
vento, sem vista aberta, sem mesinha na calçada. Mas
o barato é esse mesmo. Em defesa do Minhocão,
evoca-se o avesso do avesso de Caetano Veloso. A paisagem é
belamente poluída. Concreto suspenso cercado de prédios
em ruína e suas arquiteturas que vão do clássico
ao indefinido, com vistas para o Banespa e o Copan. Destaque
para o som de buzinas de carros, um eventual helicóptero
e a música brega dos camelôs. Lá em cima,
vendedores de coco, churrasquinho, pastel. Uma barraca de drinque,
legítimo representante baiano, vende Chochotas (com ch
mesmo), uma bebida à base de pinga, abacaxi e o que mais
tiver à mão, segundo seu criador, Bertolomeu Tiloco.
Outro ícone desse nosso litoral imaginário,
o Ibirapuera, se transforma
em Boqueirão, aos domingos. O público é
diferente daquele que
frequenta o parque durante a semana. Vem mais gente da perifa.
Vêm “os mano” e “os farofeiro”.
Vêm gringos, como o inglês Paul V.,
como ele se apresentou. Uma visão estrangeira, aliás,
rende boas teorias: de acordo com o inglês, o paulistano
é um “carioca enrustido”, não assume
os costumes litorâneos. Carioca enrustido? Essa é
boa!
Mas tive de reconhecer, as garotas estavam de biquíni
por baixo da roupa. Poucas ousam tirar a camiseta, mesmo se
o calor é de passar
mal. “Então por que vir de biquíni?”,
questiona Paul. “Homem de sunga ou de cueca, como ficamos
nos parques de Londres durante o verão, é impossível
encontrar.”
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| Minhocão,
às 13h: lazer de quem tem poucas opções,
cercado pela poluição visual |
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| Cidade
Universitária, às 10h: ciclista solitário aproveita
uma das ilhas de sossego de São Paulo |
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A
praia de paulista ainda reserva outros hábitos. Ambulantes
que listam aos
berros seus produtos. Sorvete de leite condensado a R$ 0,50.
Cerveja a R$ 2. Fotógrafos amadores. Crianças
que dão suas primeiras pedaladas. Árvores servindo
de traves de gol, numa pelada. Filas de cachorros e donos num
bebedouro para cães. Marombeiros e pitbulls. Moças
de fino trato que se exercitam maquiadas. Gente que corre uma
vez a cada século, e sofre
já nos 100 metros.
Na Cidade Universitária é possível
encontrar esportistas mais convictos, como o farmacêutico
Diego Gomes, 30 anos, que acorda cedo aos domingos para pedalar.
A dica de Diego é o sábado, quando muitos esportistas
exibem suas performances e a região fica mais movimentada.
O descanso com vista para o mato recompensa. Daí vem
o pôr-do-sol, mais bonito e tranquilo no domingão
dos cucas-frescas. Mesmo que, no fundo, já se espere
a barulhenta rotina da segunda-feira.
Cidade Universitária
(portaria principal) – r. Alvarenga com r. Alfrânio
Peixoto,
s/ n°. Seg. a sex.: 5h30 às 20h. Sáb.: 5h30
às 14h. Fechado aos domingos.
Parque do Ibirapuera – av. Pedro Álvares
Cabral, s/nº. Seg. a dom.: 5h às 24h.
Elevado Costa e Silva, ou Minhocão
– Entradas pelas avenidas Amaral Gurgel e
Marechal Deodoro. Dom.: da 0h à 0h.
Pacaembu – pça. Charles Müller,
s°n – Seg. a sex.: 7h às 20h. Sáb
e dom.:
7h às 18h.
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